Davos, Brasília e Santiago

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Fonte: Ed Ferreira/Estadão


Quem está na moda é a União Europeia. Depois da crise econômica, o bloco econômico está tentando “viver às próprias custas”. Uma reforma econômica aqui e outra ali já faz parte do cotidiano das dignas grandes economias, com destaque para a Alemanha. 

Falando nela, a chanceler alemã, Angela Merkel, fez um discurso no Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês), que está acontecendo no balneário de Davos, na Suíça, falando justamente sobre medidas para se salvaguardar a moeda comum. Só se cogita no euro. É euro pra cá e euro pra lá. Mas outras questões ficam esquecidas. Como acabar com o gritante desemprego que chegou, por exemplo, na casa dos 25% na Espanha? Como evitar medidas de austeridade tão criticadas, mas postas em execução por vários governos, incluindo a França? Além da economia, como evitar o déficit democrático do bloco? É por estas e outras que o primeiro-ministro inglês, David Cameron, ameaçou uma possível saída futura do Reino Unido do bloco. Isso porque nem está na zona monetária… 

Ontem mesmo ocorreu a VI Cúpula Brasil-União Europeia, na cidade de Brasília. Dilma se encontrou com os presidentes do Conselho Europeu, Van Rompuy, e da Comissão Europeia, Durão Barroso (foto). Obviamente a reunião tangenciou os pontos de cooperação bilateral, planos de ação e comunhão de interesses de ambas as partes. Entretanto, conforme vi na declaração conjunta divulgada no site da Delegação da UE no Brasil, teve muito “blá, blá, blá diplomático” também. Além do compromisso de uma exitosa conclusão da Rodada Doha (o que é difícil…) e da exaltação do documento “O Futuro que Queremos” proveniente do Rio+20 (o que foi um fracasso…), reafirmaram o compromisso em levar a paz para o Oriente Médio (o que é colocado em questão, mormente pelas posturas nucleares do Irã…). 

E saiu neste encontro a discussão sobre a realização da I Cúpula CELAC-UE, a ser realizada nos próximos dois dias em Santiago, no Chile. Criada em 2010, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) procurou, no cerne da sua institucionalização, fomentar o multilateralismo na região sem a intervenção dos Estados Unidos e Canadá. O propósito desta primeira reunião é importante: promover alianças para o desenvolvimento sustentável e a qualidade ambiental/energética. Aqui sim temos progressos visíveis, os quais colocam no centro do debate os regionalismos americanos. Os objetivos serão ratificar o plano de ação feito em 2010 pelas lideranças e avançar na adoção de uma declaração em conjunto. Como será o debate inicial, trará bons frutos. 

É a UE saindo do buraco. Mesmo com controvérsias, está melhor hoje do que ontem. Votos para que continue assim.


Categorias: Américas, Brasil, Economia, Europa


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