Cúpula da Amazônia? Cadê?

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Cadê o resto do povo?

Estive na FIESP esses tempos durante a visita do presidente Álvaro Uribe ao Brasil. Durante os inflamados discursos de cooperação regional, integração e parceria, surge o tema da Amazônia. Lula promete uma reunião de cúpula entre os países amazônicos para definir uma estratégia e uma proposta para a Conferência do Clima de Copenhague.

Sinceramente, excelente idéia. De verdade. Seria fantástico ver os presidentes juntos, definindo uma estratégia, um plano, ou o que quer que seja para tentar melhorar o destino da Amazônia. Até o presidente Sarkozy foi convidado, por causa da Guiana Francesa. Mesmo que, no fim das contas, nada fosse decidido, só a simples reunião por si só já seria um gesto diplomático imenso.

Mas, adivinhem! Apenas três presidentes vieram (contando com o Lula)… Os outros foram o Sarkozy e o presidente da Guiana.

E o que esse episódio nos mostra?

1. O Brasil não está com essa bola toda, nem está liderando a América Latina ou a América do Sul. Nem mesmo um tema sensível como o meio ambiente, às vésperas da Conferência de Copenhague, foi suficiente para atrair 9 presidentes a uma reunião em Manaus. Imaginem quando temas sensíveis estiverem na mesa…

2. Quem adivinhar o porquê do Sarkozy ter vindo vai ganhar um doce (Já estou prometendo muitos doces por aqui)! Ele quer vender, e muito, os aviõezinhos dele, galera!

3. Além do evidente desprestígio do Brasil, o fato ainda nos tira legitimidade na própria conferência de Copenhague, uma vez que nosso governo, aspirante à condição de potência, não foi capaz de articular um plano para uma região de suposta influência. Isso mostra que a idéia de esverdear a Dilma e aprovar uma meta de redução de emissões às pressas, numa mudança rápida, radical e inesperada da posição brasileira, não convenceu e não convencerá na Dinamarca.

4. E tem coisas que são implícitas. O amigão do Lula, Chávez, não veio. Logo ele, a quem o Lula apóia tanto. E o Uribe? Muitas palavras bonitas em São Paulo, mas também não mostrou as caras. O que isso mostra? Em meio a inúmeros conflitos entre Colômbia e Venezuela, o Brasil teria uma chance de intermediar o conflito, e a reunião em Manaus também serviria indiretamente para isso. Ops, mas esqueceram de combinar isso tanto com o Uribe quanto com o Chávez, o que, mais uma vez, evidencia o desprestígio do nosso governo na resolução de conflitos regionais.

É isso, pessoal. Mais uma trapalhada da nossa política externa… E olha que não prentendo escrever sobre Honduras de novo, isso fica pra outro colaborador!


Categorias: Brasil, Política e Política Externa