Crônica de uma morte anunciada

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A Cop 15 foi um fiasco. Mas disso todo mundo já sabia antes mesmo do início da Cúpula. Apesar do emocionante vídeo de abertura da (este aí em cima), o encerramento da Conferência não foi tão lindo assim. Um acordo que não vale nada e que, aliás, nem todos os países aceitaram. Metas? Nem se fala no assunto. O que houve na Dinamarca foi uma gastança de dinheiro, muita conversa fiada e, acordo que é bom, nada.

Os jornais estão cheios de matérias sobre o assunto (aliás, vejam uma matéria legal que foi ao ar no Jornal Hoje clicando aqui), por isso, não vamos nos ater ao acordo em si ou no que rolou por lá.

A pergunta mais importante e que, certamente, muitos já se fizeram é simples: será que nem mesmo o fim do mundo é suficiente para fazer com que os países façam um acordo de redução de emissões de gases que aumentam o efeito estufa?

A resposta é complexa, mas gira em torno de uma questão simples: poder. Nenhum país quer perder o direito de emitir poluentes. Em outras palavras, no modelo econômico que temos hoje, poluição significa desenvolvimento e desenvolvimento, poder. Ainda não há uma matriz energética tão simples e barata como o petróleo, carvão e seus derivados. É muito mais fácil queimar toneladas de carvão para aquecer as caldeiras das siderúrgicas do que desenvolver uma nova tecnologia, por exemplo. Além disso, o mundo já conta com uma infra estrutura adequada para a retirada, refino e distribuição de petróleo.

Cortar emissões significa ter de gastar muito no desenvolvimento de novos modelos, sem que haja garantias de que, um dia, eles serão tão compensatórios como o que temos hoje. E segurança energética é coisa séria.

De uma forma ou de outra, todos têm acesso ao petróleo. Alguém já imaginou, no entanto, num futuro próximo, um mundo que dependa do etanol produzido no Brasil e em países africanos? Alguém em sã consciência ia querer depender de algo oriundo de países tão instáveis?

A questão é que a energia e o desenvolvimento são assuntos sensíveis para qualquer país. Até mesmo para o Brasil. Apesar de o Lula ter pintado a Dilma de verde, nossos projetos de energia são sujos.

Todos sabem do risco que o planeta corre. Todos têm, de algum modo, medo do aquecimento global. Acontece que todos pensam também no curto prazo. A China, por exemplo, que cresce a uma taxa média de 10% ao ano, não pode se dar ao luxo de se comprometer com um corte ‘ousado’ de emissões sem ter de pagar um alto preço por isso. E nem a China nem qualquer outro país está disposto a pagar esse preço.

O fato é que enquanto não houver alternativa sustentável viável do ponto de vista econômico, não haverá acordo nem em Copenhague, nem no Rio de Janeiro, nem na Conchinchina.


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