Crescei e multiplicai-vos

Por

Em épocas de massacres em escolas e guerras civis intermináveis, vamos falar de vida. Bom, pelo menos não de vida em si, mas de populações, já que pra que haja um país deve haver pessoas nele. Na semana passada, o presidente da Rússia, Vladmir Putin, fez o seu primeiro discurso à nação desde a reeleição, e além das cutucadas de sempre na política exterior dos EUA, abordou alguns problemas mais corriqueiros de lá. O principal deles, a retração da população, que caiu quase 10 milhões de pessoas desde o fim da URSS. Putin pediu para que a população não perca a unidade, e advertiu que sem força de trabalho o país pode ir à ruína. É um caso bem complicado, já que a imigração para lá é quase nula, e o país não está em condições das melhores quando falamos em economia. A solução é ter muitos russinhos, que possam levar o país nas costas mais pra frente.

A situação é bem parecida (se não pior) no Japão. Semana passada, por exemplo, o general Colin Powell deu uma entrevista uma emissora japonesa, em que comentou sobre o fato de ser muito importante para as novas gerações de lá que deixem um pouco os quadrinhos e tecnologia de lado para que assumam a tarefa de produzir e levar o país adiante. A pergunta em específico era sobre os “herbívoros”, jovens que passam mais tempo em casa cuidando de sua vida do que procurando garotas, mas fica a mensagem – num país com taxa de natalidade negativa, população idosa crescente e imigração mínima, é imperativo que haja um esforço para um novo “baby boom”. 

São problemas que afetam menos os países com muita variedade de recursos e populações enormes, como Brasil, China e EUA, mas já se pode pensar num alerta. O Brasil, por exemplo, está com sua pirâmide etária se estabilizando e taxas de natalidade diminuindo. Antes exportávamos mão-de-obra, mas agora temos gente vindo de todos os lados, e nos dois extremos, de latino-americanos fazendo serviços de baixa renda (ou, pior ainda, em regime semi-escravo), a muitos europeus fugindo da crise e assumindo vagas de alto desempenho (como engenheiros) pela falta de gente qualificada aqui. 

Nosso país não enfrenta um envelhecimento avançado como o do Japão, nem uma retração catastrófica como a da Rússia, e não precisa que o governo incentive as pessoas a ter filhos, mas ao mesmo tempo parece estar chegado ao limite da sua produção de força de trabalho, e já atrai imigração há algum tempo, mas sem ter uma economia madura o suficiente pra demandar isso. É uma perspectiva preocupante. Não precisamos de uma anomalia populacional como China ou Índia, mas as lições de Rússia, Japão e até mesmo da Europa como um todo podem mostrar ao Brasil como o planejamento familiar é um fator importante para a manutenção de um país em condições economicamente viáveis.


Categorias: Ásia e Oceania, Brasil, Economia, Europa, Política e Política Externa


0 comments