Corrupção…"a la española"

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Anotações da contabilidade feita por tesoureiros do Partido Popular da Espanha entre 1990-2009.

Fonte: El País.com

Desta vez não estamos falando da “Pátria amada, Brasil”. Não por falta de oportunidade. Afinal, hoje mesmo ocorreram novas eleições para a presidência do Senado e o candidato favorito era nada mais nada menos que Renan Calheiros. Ele “só” foi denunciado ao Superior Tribunal Federal (STF) por falsidade ideológica, peculato e uso de documentos falsos. Está rolando até uma campanha no site “avaaz.org” intitulada “Ficha Limpa no Senado: Renan não” para bloquear a suposta candidatura do dito cujo. “Renão” não deu certo e acabo de saber que ele é o novo presidente do Senado. 

Já começo a escrever sobre o Brasil e este nem é o ponto principal do texto. Quando vejo já da um parágrafo. Poderia dar um livro de 500 páginas, pois fontes e acusações não faltam. Mas, falemos de Espanha. Sim, aquele país europeu, membro da União Europeia que, segundo dados da revista Carta Capital publicada semana passada (ano XVIII, n. 733) está com uma taxa de desemprego entre estrangeiros de 36,5% e entre cidadãos do país de 24%. É muita coisa e mais informações podem ser obtidas aqui.

Como disse em textos passados, é tudo culpa do euro. A união monetária tornou-se o pior dos males de uma Europa destruída e arrasada economicamente. Assim, nada melhor do que culpar problemas domésticos com fontes ditas supranacionais. Sim, o euro teve seus erros e agora os países estão pagando o preço, literalmente, por isso. Mas o que quero dizer é o seguinte: quando encontramos problemas internacionais, esquecemos alguns de ordem interna. 

Hoje veio à tona um grande caso de corrupção entre os espanhóis: Luis Bárcenas, ex-tesoureiro do Partido Popular (PP) foi acusado de ser o principal articulista no repasse de comissões ilegais de empreiteiras a líderes do partido. Até o atual primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, está envolvido no caso e a oposição pediu a retirada imediata do mesmo de seu cargo e a convocação de eleições antecipadas. Houve, inclusive, levantes populares anticorrupção, mas a polícia conteve as manifestações que rumavam à sede do PP. 

Pela grande movimentação que vi no jornal espanhol “El País”, trata-se de uma reviravolta na política da Espanha. Faltam algumas provas, são só acusações. Entretanto, são acusações severas, documentadas e articuladas. De acordo com este mesmo jornal, são repasses de empresários diretamente ligados e contratados pelo governo. É a velha conhecida “cooperação” público-privada. O caixa do ex-tesoureiro chegou em quase 1 milhão de euros. Parece pouco, mas para a massa desempregada não soa nada bem. 

PS: Pois bem, escrevi este texto enquanto saiu o resultado da eleição de Renan Calheiros no Senado. Comecei falando do Brasil sem pensar no resultado que veio a calhar. Servindo para o caso espanhol também, deixo uma frase do Barão de Itararé: “O político brasileiro é um sujeito que vive às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas”.


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