Correio elegante no Halloween

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Em pleno Halloween, recuperaram-se as brincadeiras juninas. O correio elegante está de volta! Elegante no disfarce, deselegante na ação: escolhe-se um amiguinho e se envia a mensagem subliminar “vou te explodir”, por intermédio de uma correspondência suspeita. Nas comemorações deste Dia das Bruxas, esqueceram-se dos doces e preservaram apenas as travessuras. Travessuras travestidas de correio elegante. Os costumes mudam…

E mudam mesmo. Recordem-se, pessoal, do tempo do antraz, no imediato posterior ao 11/09. A bactéria do mal foi supostamente disseminada por cartas pelos Estados Unidos, acarretando no que se convencionou chamar de “bioterrorismo”. Quase uma década depois, as cartas portam instrumentos tradicionais: bombas. A moda agora (ou a volta dela) é pacotes-bomba; o remetente, o terrorismo. A princípio, dois pacotes-bomba, provenientes do Iêmen e que chegariam ao solo norte-americano, foram interceptados: um no Reino Unido, o outro nos Emirados Árabes (aqui). O Tio Sam está em alerta, ainda mais em clima eleitoral. (Acompanhem este artigo sobre a ação dos EUA no Iêmen.)

Hoje o dia amanheceu mais travesso. Cinco pacotes-bombas foram achados na Grécia e um no gabinete da primeira-ministra alemã, Angela Merkel. Na Grécia, um explodiu na embaixada da Suíça, sem deixar feridos, e os demais foram descobertos. Três deles eram endereçados as embaixadas da Bélgica, Holanda e México, o quarto era para o presidente francês, Nicolas Sarkozy. (aqui e aqui)

Estes incidentes nos conduzem a algumas reflexões. Primeiro, para quem achou que o terrorismo nuclear deveria ser a sensação, perdeu a aposta em curto prazo. A Cúpula de Segurança Nuclear deste ano lidou com esse elemento estático que pulula a inteligência norte-americana (terrorismo), acrescido da preservação do clube atômico. A resposta veio pelo correio. Em segundo lugar, os muçulmanos mergulharam na blasfêmia européia, em que a liberdade religiosa não é mais do que retórica constitucional, demarcada pelas fronteiras e pela história. Cabe aos segregados encontrar uma maneira de expressar o seu descontentamento, isto é, aterrorizar. O acaso pertence à Física, não à política, que combina a virtù e a fortuna maquiavélica. Bin Laden já avisou que o velho continente pode ser vítima de atentados terroristas. (Revejam também o post do Luís Felipe sobre as armas nucleares.)

O correio elegante travesso, combinando Festa Junina e Halloween, foi a tônica da política internacional desta última semana. Por enquanto, a brincadeira parece vir como um aviso. O bom e velho terrorismo ainda não se faz com armas nucleares e repele o macarthismo contemporâneo que caça as bruxas muçulmanas. Outrossim, o vôo cego sobre a diferença não é a melhor maneira de combater o terrorismo. Logo, logo, a brincadeira há de mudar, com outros festejos e dramas…


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