Coreia do Norte: entre imagens e incertezas

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O que mais vale na política? A personalidade do líder, a construção de sua imagem ou as políticas por ele adotadas? Essa é uma pergunta bem capciosa porque há sempre um universo de outras variáveis a serem analisadas e, até poderíamos dizer, que esses três aspectos são essenciais em todo ambiente político. Agora, vamos reformular a questão. Qual desses aspectos mais pesa na política norte-coreana?

A pergunta continua difícil de responder. E essa é uma dúvida que tem sido exaltada após a morte do líder do país, Kim Jong il. O sucessor, indicado já há algum tempo, Kim Jong un, tem despertado incertezas entre especialistas, comentaristas, políticos e fofoqueiros mundo a fora. A inexperiência política e a falta de familiaridade do povo norte-coreano com o novo líder emergem como fatores de questionamento sobre a capacidade de Jong un, de governar o país e manter estável um regime estritamente fechado que é a Coreia do Norte.

Atualmente a Coreia do Norte é uma ilha distante e única em um mar de informações compartilhadas e interconexões que caracteriza nosso mundo contemporâneo. E, pela dificuldade de se obter informações sobre o regime, temos também problemas para analisar de maneira concisa essa realidade. O pouco que sabemos sobre a situação da população é por meio de estimativas de O.N.G.s, como a Anisita Internacional que estima a morte de quase um terço da população de fome desde o fim da União Soviética.

Por outro lado, esse bloqueio de informações oficiais também é um importante indicador. Sabe-se que, à imagem e semelhança de governos comunistas anteriores, os líderes norte-coreanos sobrevivem por meio intensa propaganda nacional exaltando suas características quase divinas e, paralelamente, por uma severa censura (a morte de Kim Jong il foi apenas publicada pelo governo dois dias após o ocorrido!).

Isso dito, retomemos à pergunta do início do texto. Qual aspecto mais valeria na situação norte-coreana? Desses três, do que se tem acesso até o momento, pode-se dizer que os dois primeiros são extremamente destacados. Destarte, não seria descabido ressaltar o questionamento: se foi possível construir a imagem de dois deles anteriormente, Kim Sung il, o primeiro presidente da recém separada Coreia do Norte de 1972 a 1994, e Kim Jong il, de 1994 a 2011, por quase 20 anos a fio para cada um deles, será que não seria possível construir outra?

O incondicional apoio do gigante chinês é um aspecto que não se pode descartar. Há até quem diga que a China poderia “adotar” a Coreia do Norte como outra de suas províncias frente a um líder menos expressivo. O teste de mísseis norte-coreanos detectado pelos radares da Coreia do Sul talvez seja uma mensagem de boas vindas de Kim Jong um dizendo que ali não haverá espaço para incertezas. Bom, esse foi um mero exercício de reflexão. Deixemos que o tempo dite os caminhos desse país. Disso tudo, talvez a única certeza é que o Tio Sam e China vão observar bem de perto esse desenrolar de eventos.


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