Conversando com a Teoria

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As redes e as Relações Internacionais! 



Prosseguimos com o nosso Conversando com a Teoria (?) e, desta vez, falaremos um pouco sobre um conceito extremamente amplo e difuso. Bem verdade, as redes podem ser tomadas como reflexos da globalização, a qual redefiniu o modo de troca, difusão ou ramificação da informação ao redor do mundo. Para ficar mais fácil de compreender este processo, vale conceitualizá-lo e dar uma maior ênfase nos exemplos. 

Uma rede configura-se como uma postura organizacional entre pessoas, grupos, empresas ou cidades que divulgam entre si várias experiências exitosas e informações. Ela caracteriza uma junção entre determinadas partes cujos objetivos são convergentes. Organiza-se horizontalmente, ou seja, pressupõe uma divisão de responsabilidade entre os membros, opondo-se a uma organização vertical e hierárquica. 

Como dito no primeiro parágrafo, as redes mais recentes ganharam forma com a intensificação dos processos globalizantes e a constante interdependência mútua entre os países. Em grande medida, devido à dinamização econômica ao redor do mundo, as informações tornaram-se rápidas e versáteis, fazendo com que circulasse uma alta gama de dados entre diferentes partes do mundo em questão de segundos. E é mais ou menos assim que funciona a internet. 

De acordo com Mauricio Fronzaglia, o qual escreveu diversos textos sobre redes em comunhão com outros autores, a internet é o grande exemplo de rede atual. Mesmo aderindo a esta nomenclatura posteriormente, ela foi criada em 1969 pela sucursal norte-americana “Advanced Research and Projects Agency” (ARPA) e consistia num projeto de conexão entre computadores dos seus centros de pesquisa. Somente na década de noventa surgiu o “World Wide Web”, mais conhecido como WWW, e, assim, a internet figurou-se como uma verdadeira rede global. 

Como segundo exemplo, mencionam-se as redes de empresas. Aquisição de capital, contato entre revendedores, pesquisas com clientes em potencial, alianças estratégicas e várias outras características deram forma ao modo de atuação das empresas transnacionais ou grandes corporações multinacionais (GCMs). Basta observarmos algumas delas como Microsoft, Apple, Nike, Nestlé, Ambev e ver como se articulam verdadeiramente através de nós: um lugar para produção, outro para armazenamento, mais um para distribuição e assim por diante. Todo o processo é uma rede organizada! 

Mudando o foco, tem-se outro exemplo muito conhecido por todos: a Al-Qaeda. Criada nos fins dos anos oitenta, a organização terrorista se transformou em uma rede transnacional capaz de atuar em qualquer parte do mundo. Osama bin Laden acabou por adquirir a liderança do grupo e fez do mesmo uma articulação extremamente complexa com financiamento externo, ajuda governamental, apoio de populações muçulmanas, etc. A Al-Qaeda está, literalmente, em todo lugar! Ela possui as chamadas “células” desde o Sudão até os Estados Unidos, do Paquistão à Arábia Saudita, do Afeganistão ao Reino Unido. Seu poder de destruição é visível e ela pode, por meio desta articulação em rede, atacar qualquer localidade. 

Há também, de modo bem específico para as Relações Internacionais, as chamadas redes de cidades. De maneira bem sucinta, são organizações entre cidades que envolvem, acima de tudo, cooperação descentralizada. É do conhecimento de todos que existem cidades modernas e grandes conglomerados urbanos, todavia também há municípios minúsculos, os quais não possuem capacidade para atuarem internacionalmente de maneira solitária. Dentre outras coisas, é para isso que serve uma rede de cidade: fomentar as chamadas “best practises” entre os membros e fortalecer o nível local nas políticas mundiais.

Além do mais, existem redes de pesquisa, até mesmo de indivíduos e as tão conhecidas redes sociais. Entretanto, os casos aqui citados retratam em grande medida a nomenclatura mais moderna das redes. Já foi dito que, embora se tenha uma conceitualização principal, as redes configuram-se de maneiras diversas e sobre os mais variados temas. Internet, empresas, terrorismo, cidades e assim por diante, cada uma à sua maneira, são fenômenos recentes e também caracterizam as Relações Internacionais.


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