Conversando com a Teoria

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Décadas em mutação, teorias em gestação – II

Continuemos contextualizando as décadas de 1960 e 1970. É hora de olharmos para a sociedade e a economia. Também devemos nos concentrar nas mudanças pelas quais atravessou a Guerra Fria no período, como pano de fundo para os acontecimentos marcantes do período.

Dois momentos bastante similares acompanharam a Guerra Fria entre 1955 e 1979: a coexistência pacífica e détente. O primeiro, entre 1955 e 1968, é marcado pela percepção por parte dos Estados Unidos e da URSS sobre a capacidade de destruírem o mundo com os seus armamentos atômicos. O segundo, entre 1969 e 1979, traz consigo a característica de ambas as superpotências procurarem superar as suas diferenças e colocarem um fim à Guerra Fria. Em outros termos, a flexibilização do conflito nos anos 1960 e 1970 deu espaço para outras manobras no sistema internacional, como a emersão do Terceiro Mundo, que vimos na semana passada.

Cedeu espaço também para as forças da sociedade agirem e alcançarem repercussão internacional. Os movimentos sindicais e operários se espalharam pela Europa e também pela América Latina. Caso marcante foi o “Maio de 1968” na França. Ocorreu também o nascimento do movimento hippie de contra-cultura, em sua onda de “Paz e Amor”, trazendo manifestações contrárias às guerras e favoráveis à paz e à natureza. Outra força importante foram as empresas multinacionais, conquistando territórios e um poder econômico por vezes superior ao dos países.

Por falar em economia, os dois choques do petróleo alarmaram a década de 1970, contrapuseram produtores e consumidores, pobres e ricos. Conduziram também à procura por fontes alternativas de energia. Um aspecto igualmente importante é o avanço no desenvolvimento científico e tecnológico, algo que também aumentou o fosso entre os países mais desenvolvidos e os menos e, consequentemente, suscitou a onda terceiromundista.

Tais aspectos fizeram repensar o mundo para além da estrita luta pelo poder e a condução das relações internacionais apenas por Estados, como unidades fechadas em si mesmas, sem que o aspecto interno influenciasse suas ações internacionalmente. Na verdade, outros atores também atuavam internacionalmente, de empresas a organizações. Seguimos revendo essas duas décadas.


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