Conversando com a Teoria

Por

Neoliberalismo: uma breve introdução

É hora de teorizar! E começaremos pelo neoliberalismo, ou teoria neoliberal institucionalista, ou institucionalismo neoliberal. Antes de apresentarmos o seu corpo teórico propriamente dito, é importante termos em mente que não se trata do famoso neoliberalismo, iniciado por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, que se espalhou pela América Latina a partir do final dos anos 1980, com as medidas ditadas pelo Consenso de Washington. No Brasil, em específico, a lembrança de eras neoliberais nos remete aos governos de Collor, Franco e Cardoso.

Nas relações internacionais, o neoliberalismo difere da prática político-econômica adotada pelos governos daqui da região. Não prevê o Estado mínimo, com as privatizações, ou a abertura indiscriminada dos mercados nacionais. Trata-se, resumidamente, de uma teoria que se dedica a entender a cooperação a partir do conflito – e não da natureza humana boa, como acreditavam os liberais.

É importante destacar que, embora o neoliberalismo tenha sido cunhado na década de 1970, outras teorias, desenvolvidas nas décadas de 1950 e 1960, já traziam algumas ideias que seriam retomadas pelos autores neoliberais das Relações Internacionais. Entre esse conjunto de ideias, podemos destacar a teoria “funcionalista” e “neofuncionalista”, bem como a própria contribuição de Norman Angell, um autor que se enquadra na vertente liberal, mas que previa que a interdependência entre as nações afastava a perspectiva do conflito.

Particularmente, era do interesse dos autores funcionalistas estudarem o funcionamento das organizações internacionais, para compreender de que maneira elas ajudavam no aprofundamento da cooperação. Termos como “peace by pieces” (“a paz por partes”) ou “spill-over effect” (“efeito de transbordamento”) ganharam coro. O primeiro, no sentido de que as organizações internacionais formariam redes e assumiriam cada vez mais funções que os Estados não poderiam desempenhar sozinhos. O segundo, trazia consigo o pressuposto de que a cooperação em uma determinada área poderia ser transbordada para outra, num processo de aprendizado constante; por exemplo, se dois países cooperam em ciência e tecnologia, podem, futuramente, também cooperar em defesa e segurança.

Basicamente, esta é a sala de entrada para a teoria neoliberal das Relações Internacionais. Não tem o mesmo significado que na economia e também retoma alguns conceitos que foram se desenvolvendo no pós-guerra. Para encerrar, vale notar um ponto que é bastante discutível: muitos consideram que o neoliberalismo não se apresenta como uma evolução do pensamento liberal, mas, antes, uma ruptura com o mesmo – diferente do realismo para o neorrealismo. Alguns até consideram que o neoliberalismo parte de uma concepção realista sobre a “sombra da guerra” no sistema internacional, mas enxerga a possibilidade de superá-la. Seguimos conversando…


Categorias: Conversando com a Teoria


0 comments