Conversando com a Teoria

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Uma (necessária) postura neoliberal…

Diante da apresentação do Neoliberalismo no estudo das Relações Internacionais, seguida pela descrição das Teorias dos Jogos e sua abordagem estratégica para a análise dos acontecimentos mundiais, cabe-nos, neste momento, apresentar um exemplo, na prática, de uma postura neoliberal no que se refere à atuação externa brasileira.

Tal como apresentado nos posts anteriores, os teóricos neoliberais se dedicam notadamente ao entendimento dos meios para a promoção da cooperação, deixando, de certa forma, de lado uma postura utópica (tipicamente liberal) para avaliarem, por sua vez, a cooperação em termos de interesses e benefícios mútuos. A partir da idéia de “interdependência complexa”, o Neoliberalismo reconhece a mútua dependência existente em um contexto no qual o diálogo se destaca enquanto ferramenta poderosa para se alcançar os interesses. Diálogo que, especialmente nas últimas duas décadas, tem se fortalecido por meio das instituições – espaços dedicados à coordenação de atitudes em relação aos mais diversos assuntos, reunindo sob “regras” comuns os atores envolvidos.

Neste sentido, percebe-se o protagonismo brasileiro no que se refere à participação em (e mesmo criação de) grupos de diálogo variados e de importância crescente. Desde a atenção com a Organização das Nações Unidas (em uma busca especial – e peculiar – por um assento permanente no Conselho de Segurança, deve-se registrar), até o IBAS (Fórum de Diálogo entre Índia, Brasil e África do Sul), passando pelo famoso BRICS (agrupamento dos emergentes Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) ou pelo menos conhecido G-15 (composto por Argentina, Argélia, Brasil, Chile, Egito, Índia, Indonésia, Irã, Jamaica, Malásia, México, Nigéria, Senegal, Sri Lanka, Venezuela, Zimbábue e Quênia), o que se percebe é a valorização do papel das instituições para o Brasil no contexto internacional.

Vários outros mecanismos inter-regionais nos quais o Brasil atua poderiam ser citados (leia mais aqui), mas o essencial a esta breve reflexão é demonstrar de que forma a postura neoliberal teoricamente apresentada pode ser efetivamente visualizada neste cenário. A proliferação de Organismos Internacionais demonstra uma forma de se incentivar a resolução dos desafios globais de maneira conjunta, apesar dos interesses individuais não deixarem, é claro, de existir. O cálculo racional das probabilidades de ação ocorre (tal como as Teorias dos Jogos apresentam) e a cooperação se mostra, com freqüência, muito mais interessante para que a posição brasileira se fortaleça internacionalmente.

O poder a partir do diálogo, por meios “suaves” (também conhecido como soft power nas Relações Internacionais – termo consolidado pela visão neoliberal), para muitos não é tão “palpável” quanto o poder por meio da força (ou hard power). Contudo, o fato é que a crescente demanda por instituições para buscar soluções aos problemas globais torna visível a (também crescente) relevância – e mesmo necessidade – do diálogo multilateral atualmente. Até que ponto o diálogo parece existir, em várias situações, apenas em função do próprio diálogo é assunto para uma reflexão interessante, mas que estes aspectos valorizados pelos neoliberais podem ser claramente percebidos em uma análise um pouco mais atenta da atuação externa brasileira, ah, isso não se pode negar…


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