Conversando com a Teoria

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Nas últimas postagens, falamos principalmente do que chamamos de debate “Neo x Neo”, contrapondo as vertentes contemporâneas do Liberalismo e do Realismo. Mas, não faltou alguma coisa? Quando o Giovanni introduziu o tema do debate “novo“, com esse processo de renovação de teorias, uma terceira vertente nos foi apresentada, e a partir de agora vamos mergulhar no chamado neomarxismo. E, assim como as outras vertentes ampliaram e aprofundaram a área de estudo anteriormente proposta, o neomarxismo tem algumas diferenças importantes com relação ao Marxismo clássico. 

Não precisamos nem entrar nos méritos de que haja “os” marxismos, e essa diversidade se reflete na ampla gama de estudos que podem ser considerados neomarxistas. A coisa é tão ampla que há alguns analistas que colocam essa vertente junto com teóricos construtivistas e críticos num mesmo saco, denominando essas escolas de “radicais”. Mas vamos ficar com a divisão usual, em que o neomarxismo herda uma visão de mundo preocupada com relações de dominação e desigualdades, mas de um jeito diferente da teorização original. 

Quando falamos em estudos neomarxistas, a origem está em autores como Luckács e Gramsci (aliás, é curioso pensar que, tecnicamente, o neomarxismo está no páreo há mais tempo que Neo-realismo ou Neoliberalismo…). Sua importância para o neomarxismo está em possuírem uma origem esquerdista, mas abandonando a rigidez e a base eminentemente econômica do marxismo clássico para ampliar a abrangência de suas análises. O foco econômico das relações de dominação não deixa de existir, mas é suplantado por uma série de estruturas externas, além da luta de classes, como condições e processos históricos, relações de distribuição de poder e novas divisões entre os atores envolvidos. 

Esse tipo de pensamento, muito ligado a questões de emancipação e superação de desigualdades, encontrou terreno fértil para prosperar no período após a 2ª Guerra Mundial, e talvez seja o que mais tenha representado aquele espírito de transformação de valores e dificuldades que o mundo enfrentava no momento. Disso advieram suas variantes mais famosas, a teoria do Sistema-Mundo de Wallerstein e a Teoria da Dependência, por muitos considerada uma autêntica teoria de Relações Internacionais sul-americana (ou melhor, que não seja anglo-saxônica). Há quem considere o leninismo como um neomarxismo precoce, ou estudos como o de Robert Cox, um crítico, mas vamos ficar com os exemplos mais famosos. 

Graças à sua variedade, o neomarxismo pôde ser trabalhado pelas mais diferentes vertentes, do radicalismo contra-cultural à teologia cristã, agregando valores e diferentes perspectivas, o que faz com que consiga sobreviver e se adaptar aos novos tempos tão bem como (ou até melhor) do que suas contrapartes “Neo”. Especialmente no momento contemporâneo, em que se acirram polarizações econômicas e muitas das antigas ordens de poder estão sendo invertidas ou abaladas, esses estudos surgem com força para oferecer um entendimento sobre as dificuldades que são postas em jogo. 

Nas próximas semanas, vamos mostrar alguns de seus autores mais importantes e trabalhar suas idéias. Até lá!


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