Conversando com a Teoria

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Continuamos a conversa com o Neomarxismo, agora falando da outra vertente mais relevante, a famosa Teoria da Dependência. Muito conhecida por ser uma teoria fora do “mainstream” da área (leia-se, feita fora do eixo EUA-Reino Unido), já que é principalmente sul-americana, propõe uma opção ao pensamento marxista tradicional e em alguns momentos se aproxima bastante da teorização do sistema-mundo que vimos na semana passada. 

Esqueça luta de classes: existem relações de dominação e subordinação para os teóricos do desenvolvimento, mas elas passam pela relação de atraso econômico dos subdesenvolvidos. Esse atraso é fruto da própria colocação desses países no sistema internacional, e fatores de alocação de recursos e desenvolvimento tecnológico mantinham esse ciclo – o que torna o desenvolvimento desses países praticamente impossível nessa estrutura. 

Uma das principais bases para isso foi a teorização de Raúl Prebisch, que revê a questão das vantagens comparativas lá da época do David Ricardo e chega a uma conclusão trágica: os países que dependem de produtos primários vão estar sempre em desvantagem já que vão precisar exportar cada vez mais dos seus produtos para conseguir a mesma quantidade de manufaturados e produtos de maior valor agregado dos desenvolvidos. Isso, grosso modo, é o que chama de “deterioração dos termos de troca”. 

Esse pensamento mostra que não basta se industrializar (como pregava, por exemplo, o pensamento corrente da CEPAL): é necessário romper com a lógica da subordinação, mesmo que chegue ao extremo de romper com o Capitalismo em si. Claro que havia variações: Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, um dos expoentes mais importantes da Teoria da Dependência, não acreditava que a dominação implicasse necessariamente em subdesenvolvimento, ou que o socialismo fosse a única via possível como alternativa ao Capitalismo. 

Com isso, a Teoria da Dependência ganhou muita força nos anos 60, mas enfrentou descrédito a partir dos anos 70, principalmente por conta das crises econômicas e políticas da região. Porém, ainda hoje resiste, em muito se aproximando dos conceitos estruturalistas da teoria do sistema-mundo e a questão de ciclos históricos de acumulação. 

O neomarxismo é muito rico em variedade (como podemos ver, até mesmo dentro de suas subdivisões), e poderíamos classificar outros autores nessa vertente, mas deixemos para outra oportunidade quando lidarmos com o pensamento mais radical das Relações Internacionais. Por hora, vamos focar em alguns estudos de caso para mostrar a aplicação prática dessa vertente. Até a próxima!


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