Conversando com a Teoria

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Voltamos a conversar com a teoria! Hoje faremos um breve estudo de caso sobre o neomarxismo, mais especificamente, de sua vertente latino-americana, a Teoria da Dependência. Bom, abordamos na última semana que, apesar de heterogêneo em suas proposições, esse grupo de teóricos bebeu das fontes dos pensadores da CEPAL. E, por isso, também viam o mundo dividido entre os países do centro e os da periferia. Os primeiros exportariam principalmente produtos industrializados enquanto os segundos enfocariam suas exportações em produtos primários. A relação entre esses dois blocos seria basicamente de exploração da periferia pelo comércio desigual. 

Para os teóricos da dependência dos anos 1970 e 1980, o problema principal disso tudo era que os países periféricos nunca seriam capazes de reduzir o fosso tecnológico, econômico e militar que estava entre eles e os centros. E, por seu maior preparo econômico, as crises acabariam afetando bem mais a periferia do que o centro. Os conhecidos projetos de desenvolvimento nacional brasileiros, a exemplo do o famoso “50 anos em 5” do Plano de Metas de JK ou mesmo dos planos nacionais de desenvolvimento dos militares, jamais seriam capazes de suprir essa diferença. 

Agora vamos para o fim da década de 1990 onde  o nosso caso está. Vivia-se um período no qual se falava de “globalização”, de economias interdependentes com muito otimismo. Mas bastou uma primeira grande crise surgir para que nossos olhos voltassem para a visão dos dependentistas. Essa primeira grande crise iniciou-se pelo aumento da escala da crise financeira do sudeste asiático, em 1997. Países como Coreia do Sul, Tailândia e Indonésia viram sua economia degradar-se rapidamente. Em pouco tempo, a crise expandiu seus tentáculos para além da Ásia, piorando ainda mais a situação já ruim situação dos sul-americanos e da Rússia, que declarou moratória em 1998. 

Enquanto isso, os países do centro não sofreram tanto os efeitos quanto emergentes. Efeito da posição de dominação que esses países exercem sobre a periferia. Isso revela que, a despeito de os países periféricos terem adotado as ideias do Consenso de Washington e investido no desenvolvimento de economias industriais, ainda sofreram os severos efeitos econômicos das crises em maior intensidade que os países cêntricos. Portanto, a visão teórica dos dependentistas nos mostra que não importam as condições contextuais ou internas, a superação da posição de periferia não é possível somente ou a partir de planos nacionais de desenvolvimento. A relação de exploração entre os centros e as periferias será sempre intrínseca ao estágio atual do capitalismo. 

O diagnóstico desses autores é muito próximo. Todavia, a forma que se deveria agir para sair dessa condição variou muito. Uns apontaram que era preciso romper com o capitalismo, enquanto outros preferiam uma grande aliança internacional “antiimperialista”. Bom, esses são alguns dos elementos que os dependentistas valorizaram em sua análise. Seguiremos nossa conversa com a teoria na próxima semana. Até lá!


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