Continente estratégico

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Em meio à enxurrada de manchetes internacionais sobre a (polêmica) morte do ditador Muammar Kaddafi no dia de ontem, ao mesmo tempo em que os noticiários nacionais mais uma vez se veem diante de denúncias de corrupção no governo – desta vez em relação ao Ministério do Esporte; eis que a presidente Dilma retorna de sua primeira viagem oficial ao continente africano.

E a viagem foi marcante, reforçando a importância da cooperação entre os países emergentes. A reunião do Fórum Ibas (que reúne Índia, Brasil e África do Sul) buscou arquitetar o discurso entre os parceiros para a reunião do G-20 que se aproxima, ao reafirmar a relevância de um posicionamento coordenado, muito mais expressivo que posicionamentos separados sobre as questões e os desafios que são comuns.

Após passar pela África do Sul, por Angola e por Moçambique, a delegação brasileira retorna ao Brasil com perspectivas renovadas de cooperação Sul-Sul. Em Angola, o volume de investimentos brasileiros (majoritariamente privados, mas em consonância também com os interesses governamentais) já chega à casa dos R$ 7 bilhões – uma alta cifra de acordo com os interesses econômicos brasileiros internacionais, mas que também visa beneficiar o desenvolvimento local com a injeção de capital, como se ressaltou em Moçambique.

Segundo Hillary Clinton, Secretária de Estado norte-americana, o diferencial do Brasil (ou melhor, dos países emergentes em geral) tem sido “colocar a economia no centro de sua política externa”. De fato, o atual momento reflete um planejamento econômico em que o Brasil se afirma como um ator estratégico no cenário global, e os contatos internacionais apenas reforçam esta perspectiva. Mais do que isso, é importante ressaltar o fato de que o Brasil tem se atentado à valorização das parcerias entre os países emergentes e africanos, o que proporciona um rol de possibilidades ainda imensuráveis, mas certamente estratégicas neste século.

Resta saber se, diante das nossas próprias dificuldades e nossos desafios internos de desenvolvimento (que não são poucos!), estamos efetivamente preparados para assumir as responsabilidades globais que se acumulam rapidamente e são intrínsecas às benesses de sermos considerados o tão comentado “país do futuro”


Categorias: África, Brasil, Economia


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Anonymous
Anonymous

Sempre bom uma analise da realidade deste nosso querido Brasil em relaçao aos demais paises. Nosso Brasil mostrando sua existencia para o mundo.Excelente texto.