Considerações sobre o inexplicável

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No fim dessa semana trágica pra os EUA, em que mais uma tragédia acontece com a explosão de uma fábrica de fertilizantes no Texas, já podemos fazer algumas considerações sobre os ataques terroristas em Boston na segunda-feira, que já foram explorados à exaustão pela mídia. 

Primeiro, já podemos ter uma ideia da motivação. O terrorismo é uma forma muito eficiente de expressão política, e a ausência de uma declaração de autoria é no mínimo suspeita. Existem quatro linhas principais de investigação da autoria, e a mais provável é a de que seja um grupo interno. Se fosse de fora, não teria o que temer (bom, teria, mas essa é a intenção oras). É possível ir até mais além – no mundo de hoje, basta um maluco com conexão á internet e acesso a loja de ferramentas pra montar uma bomba dessas. A situação pode ter sido muito mais simples, com um ou dois indivíduos querendo passar sua mensagem violenta e agora entocados ao se darem conta da idiotice que fizeram. 

Segundo, a falta de um culpado concreto até o momento gerou um movimento muito interessante de “vigilantismo” virtual, com comunidades on-line pesquisando todas as fotos e vídeos disponíveis, identificando os menores detalhes, da posição na multidão às mochilas das pessoas que estavam na plateia. Muita coisa vem de contribuição anônima, e essas “pistas” podem ser imagens manipuladas (sempre lembro da foto do falso Osama morto nessas horas). Em algumas vezes a velocidade da internet faz essas discussões e caírem em fontes tradicionais, o que rende erros crassos como o anúncio da CNN de ontem de que suspeitos haviam sido presos. Em tempos de web 3.0, a participação coletiva ajuda tanto quanto atrapalha. Agora imaginem, se pessoas com algum tempo livre conseguem juntar esse tipo de informação e até levantar suspeitos, imagine o governo dos EUA. 

E aqui chegamos ao terceiro ponto. Uma análise muito interessante (veja aqui) mostra como, apesar de chocar o mundo quando acontece, as ações do governo dos EUA (bem ou mal) e a carga de desapego que o terrorismo exige fazem dos EUA um lugar ainda muito seguro contra o terrorismo, especialmente doméstico. O presidente Obama faz muito bem ao reagir de maneira contida e dura, mas sem estardalhaço. Ocorreu um crime, e os culpados serão buscados até as últimas consequências. Com a rede de informação que existe lá, não admira que o(s) autor(es) do atentado não tenha se pronunciado ainda. Se derem a menor bandeira, vão ser encontrados, e perderam totalmente o sentido de uma possível reivindicação com a aleatoriedade do ataque. 

Como dizem os números, é mais fácil ser atingido por um raio que morrer num ataque terrorista nos EUA. Fora as medidas de segurança momentâneas, não parece haver motivo para preocupação no resto do país.  Os ataques deixaram imagens horríveis, deve-se lamentar as vidas perdidas e os feridos que sofreram traumas e amputações, vai haver uma certa apreensão por um tempo, mas a vida volta ao normal – e ano que vem já se fala em uma maratona ainda maior. Com esse tipo de resposta, podemos dizer que os trauma do 11 de setembro tenha deixado suas lições, e que os terroristas não tiveram sucesso nenhum no fim das contas.


Categorias: Estados Unidos, Mídia, Política e Política Externa


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