Compromisso contra a desigualdade

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“Compromisso contra a desigualdade”: este foi o lema da primeira Reunião de Cúpula da UNASUL depois de sua criação formal em março deste ano, contando com a adesão de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela – Colômbia e Paraguai ainda devem aprovar a adesão ao bloco em seus parlamentos nacionais. Este encontro aconteceu essa semana em Lima, no Peru, logo após a posse do presidente eleito Humala no país e já apresentou importantes discussões para se pensar a integração regional.

Entre todos os desafios comuns que os países-membros compartilham, a desigualdade, infelizmente, pode ser listada como um dos principais (se não for o principal). Desigualdade em diferentes esferas, afetando diferentes públicos, e prejudicando populações diversas, especialmente em termos econômicos e sociais. A falta de políticas nacionais (e por que não regionais?) para a promoção de igualdade – em todos os sentidos – deixa claro que o desenvolvimento acelerado que vivenciamos não se encontra pautado em bases tão sólidas como poderia ser.

No que se refere à economia, especial atenção da reunião da UNASUL foi destinada à discussão acerca da competitividade em relação aos produtos industrializados asiáticos. Trata-se de uma questão delicada que os presidentes dos Bancos Centrais e os Ministros das Fazendas dos países do bloco debaterão nos próximos dias para apresentar uma postura comum. O fato é que, apesar de se incentivar o comércio internacional, não há como cogitar a proteção das indústrias nacionais enquanto os produtos importados são vendidos a preços tão inferiores. A criação de uma política regional neste sentido seria, certamente, de grande valia para o crescimento de todos os países envolvidos.

Já em termos sociais, foi apontada a necessidade também de se construir políticas comuns (dado que os problemas enfrentados são comuns), de modo que boas práticas sejam valorizadas como tais. O combate à pobreza extrema é urgente. O “Bolsa-família” brasileiro, enquanto medida paliativa e temporária de incentivo ao desenvolvimento local, se mostra como uma prática relevante a ser compartilhada – o Peru, inclusive, já solicitou apoio do Brasil para “importar” este modelo nacional de trabalho.

De fato, a necessidade de adoção de uma agenda prioritária com definição de metas (e prazos para seu cumprimento) é clara, mas espera-se que seja cada dia mais clara também a disposição por parte dos membros do bloco em alcançar essas metas conjuntamente. Os primeiros passos para a consolidação da UNASUL parecem estar sendo dados e o combate à desigualdade é a peça-chave. Desta forma, espera-se que sejam direcionadas as devidas atenções às devidas demandas para que se visualize um bloco regional cada vez mais forte e coeso.


Categorias: Américas, Brasil, Organizações Internacionais


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