Como caminha o mundo…

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Quem ainda se lembra de Zelaya, presidente deposto de Honduras por um suposto golpe militar no ano passado? Provavelmente todos, mas para ter certeza de que ninguém irá esquecê-lo, ele voltou à tona: sem o menor pudor, agora culpa os Estados Unidos pelo golpe e quer porque quer voltar ao país, sustentando um discurso de que apenas a convocação de uma Constituinte pode conduzir a uma nova concertação política. Em outras palavras, ele quer voltar a ser presidente. O atual governo hondurenho não gosta nada dessa idéia e muito menos do “intervencionismo” de Chávez – que considerava Zelaya um importante aliado na disseminação de seu projeto bolivariano, a ALBA, pela América Central -, recusando o reconhecimento de Porfírio Lobo como o presidente legítimo do país.

E a Coréia do Norte? O país acabou de se safar da acusação de ter cometido um ato terrorista contra o navio sul-coreano em março e agora cuida da situação interna, mais especificamente da sucessão de Kim Jong-il. Recentemente, o seu filho, Kim Jong-un, foi eleito para a Assembléia Popular Suprema, o Parlamento norte-coreano. Mal foi eleito e já se começa a ensinar canções sobre o “Kimzinho” nas escolas primárias do país.

O Oriente Médio, outra vez mais, avança para o futuro. O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, decretou que não há a possibilidade para se criar um Estado palestino até 2012, meta fixada pelos negociadores internacionais. Não bastasse negar isso, ainda foi sarcástico ao dizer que é uma previsão otimista tal negação. Os Estados Unidos colecionam mais uma frustração, já que haviam enviado um representante do governo, George Mitchell, para avançar nas negociações com os israelenses e então se depararam com o imoblismo de Israel.

Os norte-americanos colecionam também mais frustrações no Afeganistão (vejam o também o post do Raphael). A luta contra o Taleban deve se intensificar. O general David Petraeus, substituto de McChrystal, anunciou o recrudescimento das iniciativas contra os insurgentes, prorrogando uma guerra invencível. Por outro lado, dentro do seu território, os Estados Unidos obtiveram um sucesso, ou melhor, puderam matar as saudades dos idos tempos da Guerra Fria e dos filmes de James Bond: prenderam dez espiões russos no país. Tal questão obviamente está gerando um incidente diplomático. A Rússia já considerou essa acusação infundada.

Com tantos embaraços, o mundo caminha pesado, o que muitas vezes impede o seu progresso. Talvez por isso desenvolva os movimentos de rotação e transação, de modo a mudar as estações, meses, dias, horas, segundos, mas continua descrevendo a mesma órbita, deixando muitas coisas no mesmo lugar…


Categorias: Américas, Ásia e Oceania, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


3 comments
Alcir Candido
Alcir Candido

Pois é, Nogueira, tenho a mesma sensação!Não podemos, neste ano, ser mais diretos uma vez que o governo está de certa forma censurando os blogs. No entanto, acredito que temos poucas opções, por exemplo, no caso brasileiro este ano.Os dois candidatos com maior chance são de partidos de coalizões de moralidade questionável e, na minha opinião e de forma um pouco generalista, não representam muitas mudanças, principalmente com relação ao papel do Estado na economia. Muito embora governo com algo de orientação ideológica no Brasil (em em outros lugares também?) seja tão raro quanto mico leão dourado!A única candidata que representa alguma mudança (excluindo-se aqueles dos partidos muito pequenos) o faz por conta de sua incrível personalidade e não pelo seu partido em si.Enfim, espero sinceramente que as coisas mudem, mas, a contar pelo resultado do nosso IDEB, que mostrou avanços tímidos na educação no Brasil, isso só acontecerá no futuro mesmo...

Alcir Candido
Alcir Candido

Pois é, Nogueira, tenho a mesma sensação que você! Inclusive, sem ser muito direto uma vez que o governo está de certa forma censurando os blogs este ano, há dois candidatos nesta eleição no Brasil que para mim não diferem em quase nada. Ambos de partidos e coalizões cuja moralidade é questionável e com as mesmas idéias estatizantes. Portanto, só vejo uma candidata que represente algo de mudança, e não pelo partido, mas pela personalidade em si.É assim que as coisas andam (infelizmente).

Nogueira
Nogueira

O mundo caminha para novas descobertas de coisas que foram encobertas. Aos poucos as verdades vão aparecendo e cada vez mais os menos informados serão manipulados.Depois falam que a cul foi por não votarmos direito, mas votar em quem afinal?