Comendo o pão que o Diabo amassou e arrotando caviar

Por

Dizem que quem foi rei nunca perde a majestade. Eu diria que quem foi rei nunca quer deixar o castelo…

O G-8 está reunido em uma pequena cidade em Áquila, na Itália, para discutir os resultados da crise econômica, que começa dar pequenas amostras de recuperação, embora ainda haja advertências dos presidentes dos Bancos Centrais sobre a precariedade dos sinais de estabilização econômica.

A dificuldade de encontrar uma solução para os problemas ligados à economia internacional, causada em grande medida, por ações tomadas pelos próprios países desenvolvidos, poderia ser encarada como um indicativo da diminuição da relevância do grupo das sete maiores economias do mundo mais a Rússia.

A insistência do G-8 em continuar com a não adoção de medidas que incrementariam o comércio, como por exemplo, a abertura de mercado, e preferência pela contingência de adoção de novos pacotes financeiros que debilitarão ainda mais suas economias a longo prazo, abrem espaço para a busca de novos caminhos.

Esta poderia ser, sem dúvida, a oportunidade tão esperada para os países emergentes que compõem o G-20, juntamente com os países mais ricos do mundo, de ganhar preponderância no cenário internacional. Entretanto, por uma absoluta questão de conveniência não se cumpre o acordado.

Está claro que os países mais ricos e a Rússia, apesar da pindaíba em que se encontram, não estão nem um pouco dispostos a ceder lugar aos países emergentes, abrindo assim espaço para um novo modelo de governança global. A sustentação desse status quo pressupõe a manutenção do poder, mesmo que só aparentemente.

Por outro lado, é mais do que legitima a reivindicação dos países emergentes de serem mais representativos em organismos multilaterais financeiros. E é ai que mora o perigo. Novos atores com voz no cenário internacional significa novos interesses em jogo, e também, a necessidade de transigência entre as partes envolvidas nas negociações. Entretanto essa não é a atitude reinante.

A cada dia que passa parece ficar mais claro para todos, exceto para os países desenvolvidos, que se não houver cooperação de ambas as partes, não se encontrará uma saída adequada para o contexto de crise atual. Cada uma das partes deve atuar dentro de seu espectro de possibilidades: os mais desenvolvidos devem liderar o processo e fazer concessões de mercado para que os emergentes possam aquecer a economia global.

Parece ter chegado o momento em que se os países ricos não quiserem realmente deixar o castelo, pelo menos deverão admitir alguns novos moradores.

Mas enquanto isso não acontece, vamos por ai distribuindo camisas da seleção brasileira de futebol, porque pelo menos nisso parece que somos imbatíveis… pelo menos por enquanto…



Categorias: Brasil, Economia, Europa


0 comments