Comemorando?

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Que hoje foi feriado por conta do Dia do Trabalho todos sabemos e apreciamos, é claro. Mas será que essa data pode ser vista como ‘comemorativa’ pelo mundo?

O 1º de maio é simbólico desde 1886, quando nos Estados Unidos os movimentos de luta pelos direitos dos trabalhadores ganharam força – contudo, comemoração talvez ainda não seja o tom que marca esse dia. Antes de comemorar, trata-se principalmente de reconhecer os esforços trabalhistas por melhores condições, em uma busca que persiste até os dias de hoje.

Impressionantes denúncias de trabalho escravo em Bangladesh desafiam qualquer princípio de justiça social que se acredite consolidado em pleno ano de 2013. Recordes históricos de desemprego assolam o continente europeu – especialmente a Espanha – e reavivam inquietudes sobre o futuro econômico de vários países.

Pela primeira vez na história, mais de seis milhões de trabalhadores espanhóis (em relação a uma população total de aproximadas 47 milhões de pessoas) encontram-se desempregados. [O assunto foi tratado de forma similar no ano passado no blog, em cujo texto as informações se mostram ainda atuais.]

Na Grécia, uma greve geral marcou o dia de hoje, especialmente após anúncio do governo de transferir o feriado para a próxima semana. O protesto, contudo, resume a insatisfação generalizada em relação aos cortes orçamentários recentemente aprovados pelo governo – os quais preveem, até o final do próximo ano, a demissão de 15.000 funcionários públicos (!).

Protestos também em vários outros países, tais como Turquia, Taiwan, Filipinas e Coreia do Sul, refletem as dificuldades enfrentadas em diferentes contextos, alinhando-se com o fator comum de hoje celebrar internacionalmente o Dia do Trabalho.

Comemorar talvez não seja o melhor termo para caracterizar os ânimos desta data, pelo menos não por enquanto. Trata-se realmente de reconhecer as melhoras alcançadas e lutar por mudanças substantivas em áreas frequentemente não priorizadas pelos governos. Com uma crise econômica que ainda assombra a Europa, compreende-se facilmente porque as notícias revelam uma perspectiva muito mais negativa que positiva em relação ao 1º de Maio.

Esperemos que, no futuro, tenhamos mais razões para celebrar que para criticar, resultado de todos os esforços de reivindicação e proposição de melhoras por parte dos trabalhadores pelo mundo afora… 


Categorias: Economia, Europa


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