Combatendo guerras com armas e… filmes?

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“Hmm, você tem certeza do que está falando?”

Nos últimos dias o Oriente Médio, especialmente Palestina e Israel, tem sido o palco de cenas bem repetidas, que tem cara de remakes, e outras bem inéditas.

A cena reprisada tem os Estados Unidos como protagonista. Mais uma vez (não sei, pela milionésima vez talvez?) eles tentam uma mediação, e, contraditoriamente, prometem benefícios a Israel. A novidade aqui está na forma como se intenta a retomada das negociações: um pacote de segurança pela doação de 20 caças F-35 no valor de aproximadamente três bilhões de dólares!

Claro, que nada sem um custo. Em troca, Israel deveria congelar a construção dos assentamentos na Cisjordânia por 90 dias. Uma nova modalidade de mediação, doando armas para um dos lados para reiniciar os esforços diplomáticos. Como forma de retomada das conversações, esse método é bem novo. Todavia, não há nada de novo em o Tio Sam financiar as forças armadas de Israel.

Quanto à eficácia da medida, digamos que, garantir mais armamentos a uma das partes beligerantes não é bem uma forma de pacificar e, ainda, pode afetar o entendimento da Autoridade Nacional Palestina sobre as intenções dos EUA. Além do mais, a não inclusão dos assentamentos em Jerusalém nesse acordo não ajuda nas negociações e Israel ainda está discutindo a aceitação da proposta.

Há, ainda, uma cena bem inédita nesse cenário. Se para mediar uns fazem uso das armas, para combater, outros se utilizam de recursos diferentes. A Turquia, que de neutra não tem nada nessa tensão Israel-Palestina, está usando um novo recurso de destruição em massa: o cinema. O que? Sim, filmes!

 

Trailer de “Vale dos Lobos – Palestina” produzido na Turquia

E a nova sacada é transformar o evento que ficou mundialmente famoso como o ataque à flotilha de ajuda humanitária em um filme de ação que demoniza os israelenses. O evento que mais ampliou a tensão turco-israelense continua e continuará a gerar efeitos no imaginário, e, pode-se garantir com certo grau de coerência que, no campo político também.

O Oriente Médio é sempre uma contradição. Ao mesmo tempo é palco de boas novas, novas não tão boas assim e repetições. Enquanto uns buscam combater as guerras com armas, outros buscam combater na guerra sem elas. E os efeitos de ambos os recursos só se vislumbrarão no horizonte daqui a um tempo. Enquanto isso, apenas podemos contemplar o quadro de incoerências, contradições e inconsistências pintado pelo Tio Sam e os países da região.

Nota: Atentem para a cena do trailer quando perguntam para o agente apreendido porque da vinda dele para Israel e ele responde: “não vim para Israel, vim para Palestina”.


Categorias: Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico