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A Rússia finalmente ingressou de modo formal na Organização Mundial do Comércio (OMC). Por Rússia lê-se “mais produtos agrícolas e recursos naturais” que entrarão de maneira mais facilitada nos mercados internacionais. O fim das negociações que começaram em 1995, ano em que foi realizada em Genebra a primeira reunião do Grupo de Trabalho para discutir este tema, terminou provisoriamente no último mês de Julho, quando o presidente (sempre ele!) Vladimir Putin assinou o documento final de adesão aprovado por todos os membros da organização. 

Mas foi ontem mesmo, dia 22 de Agosto, que a Rússia tornou-se o 156º membro da OMC! Normalmente, quando falamos de organizações e instituições internacionais, temos certo ceticismo aparente. Se perguntarem sobre o “poder” das Nações Unidas (ONU) perante os Estados Unidos, por exemplo, vamos balançar a cabeça de modo duvidoso e talvez nunca tenhamos uma resposta coesa para esta questão. E assim vai também em relação à União Europeia. Até que ponto podemos afirmar que os europeus do bloco abrem mão dos interesses dos seus países em prol de todos? 

Talvez a única instituição que promove uma resposta mais simples seja a própria OMC. Digo isso porque ela é um exemplo de organização que deu certo e vem aumentando seu rol de ações mundialmente. Vale lembrar que ela substituiu o “General Agreement on Tariffs and Trade” (GATT) em 1995 após a Rodada Uruguai e desde então aumentou consideravelmente a pluralidade de temas debatidos nas reuniões. Como todo mundo sabe, a Rodada Doha, iniciada em 2001, ficou estagnada por um longo período, todavia isto não retira o mérito da OMC. Veja abaixo, com dados da própria OMC de 2005, as principais rodadas da organização: 

Pois bem, e o que muda com a adesão da Rússia? Conforme disse nas primeiras linhas do texto, o país apresenta sua balança comercial baseada nas exportações de produtos agrícolas e minérios. Tem a maior reserva de gás natural do mundo, a segunda de carvão mineral e a oitava de petróleo. Em virtude do tamanho do território, exporta grandes quantidades de madeira e energia elétrica e possui intensa atividade na agricultura e pecuária. É visível como isso afetará o comércio mundial e nem precisamos de maiores explicações. 

Entretanto, mais do que uma mudança na OMC, parece haver um forte câmbio econômico interno na Rússia. Ela teve que abrir mão de uma série de acordos bilaterais realizados na última década e também terá que rever suas tarifas aduaneiras de importação. A partir de ontem o país está obrigado a seguir as provisões da OMC e, em virtude disso, terá que aplicar uma tarifa de no máximo 7,8% para os produtos importados

A meu ver, entusiasmando a OMC, creio que a entrada da Rússia trará benefícios a todos os países membros. A União Europeia já está dando pulos de comemoração, porque os russos são um dos seus principais parceiros comerciais. Reflexo dos novos tempos de certo “multilateralismo” nas relações internacionais. Pensar nesta conjuntura há cerca de 20 anos, logo após a queda da União Soviética (URSS), era algo praticamente utópico. 

PS: Amanhã, 24 de Agosto, Vanuatu se tornará o próximo membro da OMC! É um estado insular da Melanésia, na Oceania, e depende bastante da Austrália e da Nova Zelândia. Seu território tem cerca de apenas 12 mil km². A Rússia, por curiosidade, é 1.400 vezes maior.


Categorias: Ásia e Oceania, Economia, Organizações Internacionais


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