Climate Gate: o IPCC sob suspeita

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Aquecimento Global: Mito ou realidade científica?


Faltam dois dias para o começo da COP-15, em Copenhague. Do dia 7 ao dia 18 de dezembro, inúmeros representantes dos Estados tentarão alcançar um acordo abrangente para o clima, em substituição ao combalido Protocolo de Kyoto.

Neste contexto, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) – ganhador do Nobel da Paz em 2007 – é uma das instuições de maior prestígio na temática ambiental. O IPCC é composto por cientistas e delegados de 130 países, parte do sistema das Nações Unidas (ONU). Anualmente, o órgão divulga relatórios sobre o aquecimento global. Estes estudos tem sido um dos principais subsídios para a formulação e negociação de políticas para mitigar os efeitos advindos das alterações no clima.

Desde sua fundação, em 1988, os cientistas do IPCC tomam como principal hipótese o nexo causal entre à ação humana e a mudança climática, em especial devido a emissão de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano. Não há ainda comprovação desta hipótese. Contudo, os estudos publicados e analisados possibilitaram o órgão a qualificá-la como muito provável (66% de certeza, de acordo com o relatório d0 IPCC de 2001). Assim, tornou-se quase que consensual a conclusão de que a ação humana é provavelmente a principal responsável pelo aquecimento global das últimas décadas, trazendo como consequências a elevação da temperatura dos oceanos, a alteração das corrente marítimas, eventos climáticos extremos, variações no padrão dos ventos, entre outras.

Sua imagem de credor da hipótese consensual corrente para as mudanças climáticas sofreu uma arranhão com a divulgação do que passou a ser denominado como “Climate Gate”. Um grupo de hackers divulgou uma série de e-mail trocados entre cientistas (também membros do IPCC) de um prestigiado Centro de Pesquisa do Clima, localizado na Universidade de East Anglia (Reino Unido). Nestas correspondências, surgiram indícios de manipulação ou supressão dados concernentes aos modelos aplicados a pesquisa e construção de cenários em mudanças climáticas. O período investigado é de 13 anos, o que coloca sob suspeita a veracidade dos relatórios e pesquisas divulgados sobre as mudanças climáticas.

Houve revolta da comunidade cientítica. Segundo Juan de Marianna, professor da Universidade Rey Juan Carlos:

“É um caso claro de corrupção científica. A opinião pública foi enganada, o que não implica que não haja aquecimento e que outros cientistas sérios possam ter razão. Mas cai a versão mais alarmista da mudança climática, a que oculta que nos últimos 11 anos não houve crescimento e a do gráfico do taco de hóquei”, referindo-se ao famoso esquema que mostra um drástico aumento da temperatura atual em relação aos últimos séculos, o que lhe dá a forma de taco de hóquei” [UOL – Notícias Internacionais]

Por outro lado, outros cientistas sairam em defesa dos acusados, como Jens Hesselbjerg Christensen:

“Os e-mails mostram conversas muito pessoais, como as que poderíamos ter, talvez de forma mais prudente, em um bar. É normal que os colegas falem mal de outros. Assim é a vida”, escreve em uma mensagem eletrônica” [UOL – Notícias Internacionais]

Independente do contexto e da intenção das mensagens, o fato é que o “Climate Gate” pode ser um grande entrave as negociações em Copenhague, uma vez que fornece novos subsídios para os eco-cétidos negarem a ligação entre a atividade humana e o aquecimento global. Os cientistas britânicos, mesmo que talvez inocentemente, podem ter colocado muito a perder. Nenhum âmbito de atuação profissional está livre de condutas anti-éticas, o IPCC, infelizmente, é parte da desta lógica.

A metodologia empregada pelo IPCC, de acordo com seu presidente (o indiano Rajendra Pachauri), blinda os relatórios contra procedimentos científicos pouco apropriados, uma vez que cada rascunho passa pela revisão de outros cientistas do órgão. As hipóteses levantadas ao longo das últimas décadas ainda se sustentam, ainda que o caso retome os velhos questionamentos e afirmações de sempre. Pelo jeito, os céticos terão espaço para sustentar que os cientistas querem causar medo na população, que o aquecimento global não está acontecendo e que, por tudo isso, não existe necessidade de adaptar padrões de consumo e matrizes energéticas.

Por mais que tente se justificar, o IPCC entrou em uma grande cilada, no pior momento que seria possível. Mesmo que se comprove como inverídica ou fruto da conspiração dos cétidos, o estrago já está feito.


Categorias: Meio Ambiente


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