Clássico das Américas

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Mas nada de amistosos caça-níqueis de futebol. Hoje vamos falar de Brasil e México. Na verdade, como o México pode dar umas lições para o nosso País. Deu no jornal: o México está se tornando o país do momento para investidores, e pior ainda, tomando o lugar do Brasil como queridinho de Wall Street. O encanto do mundo com o Brasil que se via nos últimos anos parece estar acabando. 

Após o sucesso em enfrentar a crise a partir de 2008 e ter mostrado um bom ritmo de crescimento, parece que cada vez mais vamos acabar empacando por causa de fatores internos. O sistema bancário é seguro e confiável para investimentos, o câmbio ajuda e a pirâmide etária está se estabilizando. Parece um oásis de estabilidade. O problema é que essas condições favoráveis têm suas contrapartes no risco-país. Burocracia, um sistema de produção altamente protecionista e ineficiente, infraestrutura problemática e questões sociais só pra ficar na ponta de cima do iceberg. É só ver o caso das obras para Copa do Mundo e Olimpíadas: boa parte do cronograma está atrasado para os dois eventos, muitas obras de infraestrutura prometidas (coisa que está no contrato dos eventos) não vão ser entregues no prazo (por fatores que vão de greves a incompetência) e os orçamentos estão estourando a cada dia. Com tempo de sobra para efetuar as obras, o Brasil passa a imagem de que não consegue cumprir com o acordo e fazer investimentos básicos no prazo. Mas pouco importa, imagina a festa, certo? 

Enquanto isso, o México, um país que está assolado por uma onda de violência que faz os ataques a policiais brasileiros das últimas semanas parecerem brincadeira, e que estava num caos eleitoral desde junho, consegue competir em pé de igualdade com a China no mercado dos EUA (podendo até superá-los em alguns anos) e está atraindo atenções (e investimentos). Como isso acontece? A resposta é um pouco do que falta ao Brasil – uma estrutura de produção moderna e integrada aos mercados mundiais. Produzir no México está na moda e dá certo, e o presidente eleito Peña Nieto já articula reformas importantes com a oposição para impulsionar ainda mais o desenvolvimento. 

Não estamos falando que o modelo mexicano é perfeito, e modismos são uma cilada. E nem temos espaço aqui para discutir todos os fatores envolvidos no “crescimento” de um país. Mas a euforia com o Brasil parece cada vez menos viável caso o país continue com esses problemas básicos e que causam muito impacto na produção, e podemos aprender lições com esse caso. Protecionismo demais, falta de inovação em setores importantes e excesso de confiança no setor primário (da soja ao petróleo) são uma aposta arriscada para crescimento contínuo, que depende de uma estrutura que não seja apenas atrativa aos investimentos, mas onde eles possam virar alguma coisa de fato. O sinal de alerta está ligado e o México mostra que, se o Brasil quiser manter esse crescimento, pelo menos com relação aos investimentos, vai ter que passar por muitas mudanças ainda.


Categorias: Américas, Brasil, Economia, Política e Política Externa


1 comments
Anonymous
Anonymous

Pode-se sintetizar a matéria como estabelecer governanças vassalas do sionismo mundial e à partir de então obter um crescimento voltado para a chamada banca internacional...é barbada!!