China in (and out of the) box!

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Como será o mundo em 2030? A China desejará expandir seu domínio somente na Ásia ou em todo o mundo? Os Estados Unidos ficarão imunes a isso? Qual a probabilidade de haver uma mudança na balança de poder mundial? Haverá uma transição de poder rumo à China ou o Sistema Internacional continuará imutável? São estas e outras questões que, há anos, estão sendo respondidas com relativo sucesso. Mas a dúvida ainda permanece… 

De duas, uma: a ordem internacional sofrerá grande transformação ou continuará sendo a mesma. Não há meio termo! A China prosseguirá com seu crescimento econômico e suas reformas internas até alcançar o patamar dos EUA, isso já é um fato consumado. Entretanto, e depois? E quando falamos em gastos militares e segurança internacional? Como sustentar uma “dupla hegemonia” nas relações internacionais? O mundo tem espaço para dois gigantes novamente? O segundo gigante vermelho, levando-se em consideração que a União Soviética foi o primeiro, está lidando com um novo tipo de status quo jamais presenciado por outra potência em ascensão no mundo. 

Para facilitar o debate, e como vocês, leitores, já estão familiarizados com as perspectivas neorealista e neoliberal tratadas no blog na seção “Conversando com a Teoria”, há dois possíveis campos de análise quando se fala na forte promoção internacional chinesa e, consequentemente, nas transições de poder mundiais. A perspectiva realista de John Mearsheimer pontua como será o choque de lideranças entre EUA e China. Por outro lado, a visão institucionalista (e, em partes, liberal) de John Ikenberry analisa as possibilidades de continuidade da balança de poder que tomou forma na última década do século XX, logo após a Queda do Muro de Berlim em 1989 e o fim da União Soviética em 1991. 

Sendo assim, o primeiro cenário será a total mudança do ordenamento internacional, havendo forte desavença entre os chineses e os norte-americanos para ver qual potência seria a única grande hegemonia mundial. Para Mearsheimer, o futuro não será tão bom, pois logo que a China tiver uma economia maior que a dos EUA, concentrará seus esforços em gastos militares. Maior destaque, ainda, reside na sua seguinte afirmação: o comportamento chinês será semelhante àquele da União Soviética durante o período bipolar. Desta forma, o país asiático não conseguiria sustentar seu crescimento de forma pacífica por muitos anos e teria potencial bélico para competir com os norte-americanos. A dominação começaria na Ásia e depois se expandiria para o resto dos continentes. É a perspectiva da guerra direta. 

Contrariamente, o segundo cenário consistirá na manutenção do atual ordenamento internacional, no qual haverá a continuidade do poderio dos países ocidentais juntamente com o adendo dos interesses chineses. Para Ikenberry, a política norte-americana e dos seus aliados durante a Guerra Fria e na década de 1990 alterou as dinâmicas da alternância de poder na ordem mundial e isso terá impacto direto no papel da China enquanto potência em ascensão. Levando-se em consideração as capacidades econômicas e militares dos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – composta, majoritariamente, por países do Ocidente, com destaque para os EUA e os europeus), os chineses não terão condições de fazer frente a este montante; sendo assim, se acomodarão e integrarão a atual ordem internacional. Como os EUA fortaleceram a institucionalização do sistema, mudá-lo seria bastante custoso e difícil. É a perspectiva da continuidade e da cooperação. 

Mas a dúvida ainda permanece… conforme foi afirmado no primeiro parágrafo do presente texto. Em termos econômicos, as previsões são mais factíveis e corretas, todavia, quando se fala em questões de segurança, torna-se mais complicado afirmar, com absoluta certeza, como será o mundo daqui vinte ou trinta anos. A China já está aumentando sua influência na Ásia e vem fomentando seu papel enquanto “hegemonia regional”. Resta saber se ela ficará somente “in the box”, ou seja, no próprio continente, ou “out of the box”, expandindo seus ideais ao restante do mundo.


Categorias: Ásia e Oceania, Defesa, Economia, Estados Unidos, Paz, Segurança


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