Cedendo às pressões

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Há alguns dias que Brasil e Irã retornaram às manchetes dos jornais brasileiros e internacionais. Todavia, não se tratava da conturbada questão nuclear, mas sim de uma questão que, para alguns, é uma das mais polêmicas da política externa de nosso companheiro presidente Lula: a questão dos direitos humanos.

Antes de qualquer coisa, cabe uma breve recapitulação das três aproximações polêmicas do Brasil e das repercussões negativas que têm por aí.

Na aproximação com Cuba, Lula foi criticado pelas supostas vistas grossas frente às greves de fome dos dissidentes e aos presos políticos do país.

No contato com o governo venezuelano, o Brasil é acusado de ouvir demais o inconstante Hugo Chávez, que cada vez mais fecha o cerco contra a sociedade limitando as liberdades de expressão e desviando os olhares, por meio de sensacionalismos constantes, das profundas crises que o país vive.

E na polêmica aproximação com o Irã, as violações do governo dos aiatolás são, por muitos, colocadas como sustentáculo de argumentos opostos à suposta retomada do pragmatismo na política externa – que tem tentado novamente torná-la menos inclinada a argumentos ideológicos.

Bom, atualmente, parece que o Brasil acatou a uma das críticas de sua relação com o Irã. nesse caso, cabe alguns esclarecimentos sobre a declaração de Lula que gerou um bafafá mundo a fora. Aquela na qual o presidente brasileiro pede permissão ao governo iraniano, caso seja necessário, para conceder asilo político à mulher iraniana condena a morte por apedrejamento, Sakineh Mohammadi Ashtiani.

A questão abre precedentes para questionamentos bem interessantes, muito além do entendimento de uma suposta intervenção em assuntos internos iranianos. Ao que parece, o Brasil cedeu às pressões da comunidade internacional e intentou mostrar que se importa sim com as questões de direitos humanos. É interessante, que em alguns países já é esboçada reações positivas a apoios a essa posição. O discurso foi uma espécie de mensagem de Lula à comunidade internacional.

Todavia, essa mensagem foi elaborada em momento inoportuno e em situação igualmente inoportuna. Posicionar-se sobre uma questão de significação cultural tão delicada, vai contra o pragmatismo proposto pela diplomacia brasileira. Quando o Brasil cedeu às pressões internacionais, foi contra sua longa tradição de política externa. Irônico, não?


Categorias: Brasil, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa


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