Parceria – ENERI 2013

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Caríssimos leitores,

Esse post especial traz uma mensagem muito importante…

A Página Internacional selou a parceria com o XVIII Encontro Nacional de Estudantes de Relações Internacionais (ENERI – ESPM 2013), a ser realizado em São Paulo entre os dias 17 e 20 de Abril. Estamos muito felizes de dar apoio a um evento acadêmico dessa magnitude e gostaríamos de convidar todos vocês, leitores, a participar do evento. 

Inscrevam-se pelo site: http://eneri.espm.br/ 

Gostaríamos também de avisar que as inscrições de trabalhos acadêmicos foram postergadas até segunda-feira, dia 01/04! Caso seja de interesse apresentar trabalho no evento, corram que ainda há tempo hábil! E a grande novidade é que os melhores trabalhos do evento serão  postados na Página Internacional, na forma adaptada de um post!

Participem!

[A Página Internacional aproveita para destacar que somos abertos à divulgação de eventos em qualquer área correlata às Relações Internacionais. Acreditamos que o contato entre estudantes de diversas áreas é muito relevante para que possamos crescer como uma comunidade de interessados nos temas internacionais. Para dúvidas, posts, parcerias ou qualquer outro tema que acharem relevante, enviem um e-mail para [email protected]]. 


Categorias: Post Especial


Post do Leitor

Post especial: O Decênio Iraquiano e Suas Consequências para os Estados Unidos e o Mundo

[Hoje é dia de post especial! Colaboração de nosso colega, prof. Ms. Danillo Alarcon, mestre em Relações Internacionais pela UnB e professor da Faculdade Anglo-Americano, de Foz do Iguaçu-PR, que traz uma análise importante sobre a guerra ao terror dos EUA e suas consequências, no dia em que se completam exatamente 10 anos da invasão ao Iraque. Lembramos que caso se interesse em ter um texto publicado pelo blog, basta entrar em contato com a equipe pelo e-mail: [email protected]. Aproveitem!]

No dia vinte de março de 2003, há exatos dez anos, se iniciava uma das guerras mais infames na qual os Estados Unidos da América já participaram. Embasados em diversas contradições e manipulação de informações e discursos (inclusive desveladas depois por um ex-funcionário do governo), a Guerra contra o Iraque suscitou um amplo debate na comunidade internacional acerca das instituições básicas que a sustentam e do papel das organizações internacionais na promoção de seus objetivos de segurança coletiva, além de, obviamente, ter questionado o papel dos Estados Unidos na ordem global do século XXI. Por estas e outras razões, é prudente, então que façamos um momento de reflexão sobre tal conflito. 

Engana-se quem tira rápidas conclusões dessa guerra, quer pró quer contra a posição norte-americana no conflito ou em relação ao Iraque. Mas na exiguidade de linhas, tendências amplas podem ser apontadas. Antes, vale relembrar que após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos contavam com considerável apoio internacional. A comoção com tamanhos atos de barbaridade fez Washington conseguir apoio de Moscou, a aquiescência global para atuar no Afeganistão e não ter problemas patentes em levar a OTAN ao distante país asiático. Além do mais, internamente, a histeria criada pelo medo de novos atentados terroristas deu base para medidas antes não aceitas, como um rigoroso controle imposto pelo criado Departamento de Segurança Nacional. 

Independentemente dos debates levados a cabo por muitos pesquisadores sobre a responsabilidade americana de ter nutrido seus futuros algozes,* é importante agora refletir sobre as possibilidades que o 11 de setembro trouxe para os Estados Unidos. Primeiro, uma considerável dose de apoio internacional – depois de nove meses de um governo que se fechava cada vez mais, era a possibilidade de levar adiante agendas que Washington considerava importante. Segundo, o revelar de um novo momento para a política externa do país, em que o apoio à democracia e aos valores que lhe são caros poderiam ser promovidos por meios softs. Por fim, a oportunidade de concretizar sua hegemonia, no que tange a assuntos sensíveis como, por exemplo, terrorismo. 

Todavia, nada disso fora aproveitado. A imprudência com que a administração Bush se lançou na caçada à cabeça do presidente iraquiano (conseguida em 2006), em especial com a junção de três senior players – Dick Cheney, vice-presidente, Donald Rumsfeld, Secretário de Defesa, e Paul Wolfowitz, Subsecretário de Defesa – não era justificável por medidas racionais. Na verdade, os três já buscavam o desmantelamento do regime iraquiano desde finda a primeira guerra do Golfo, e criticaram veemente a postura de fraqueza do governo Clinton por não agir decisivamente para acabar com os excessos que encontravam na postura de Bagdá. Oras, quer seja pelas pretensas armas nucleares, ou pela necessidade de mudança de regime, a comunidade internacional não aceitou a nova guerra, e eis que aí, houve o ocaso do breve momento unipolar da América. 

As fissuras mais evidentes se deram em relação aos outros grandes global players. A França, aliada na OTAN, se opôs veementemente à guerra. A Rússia e a China exerceram pressão para que os “planos quixotescos” – a exportação da democracia, como acabou sendo – não fossem levados a cabo. Mesmo países com importância menor no Conselho de Segurança, como o México, se opuseram ao movimento das forças armadas vizinhas rumo ao golfo pérsico. 

Para além disso, o tiro no Iraque saiu pela culatra. O país hoje é governado pela maioria xiita, liderado pelo primeiro-ministro Nouri al-Maliki, o que o aproxima do vizinho Irã, grande inimigo dos Estados Unidos. Os níveis de violência continuam alarmantes, sendo frequentes os relatos de atentados terroristas no país, chegando a uma média de 300 pessoas mortas por mês, fomentados justamente pelas divisões de cunho religioso. 

A credibilidade norte-americana, já abalada por seu jogo de superpotência e excessos cometidos há muitas décadas, sofreu duro golpe com a guerra contra o regime de Saddam Hussein. O número de mortos no conflito ajudou a cristalizar uma visão negativa da atuação internacional dos Estados Unidos na região. Em casa, os soldados, sem apoio perpetraram crimes contra seus próprios conterrâneos, e bem, nem os Estados Unidos, nem Israel, (o grande aliado norte-americano na região, impossibilitado ou indiferente a auxiliar o governo americano em diversas operações), estão mais seguros em um mundo cada vez mais efervescente, em que o uso da força é visto com cada vez mais suspeita. 

Por outro lado, o sistema onusiano, impossibilitado, pelos próprios mecanismos que lhe dão forma, de agir diante da ação unilateral norte-americana, vem tentando se reformular, para fazer frente aos desafios do século XXI e dos excessos de uma potência. Além do mais, outras instâncias internacionais foram criadas para abarcar países que discordaram das posições unilaterais de Washington. A América do Sul criou o Conselho de Defesa Sul-Americano no âmbito da Unasul; a União Europeia reforçou a partir de Lisboa (2007), a Política de Defesa e Segurança Comum, a União Africana está cada vez mais ciente de suas possibilidades de atuação nos territórios de Estados-membros; e no Golfo, o Conselho de Cooperação do Golfo se mantém firme em relação às ameaças que porventura surjam às monarquias do golfo (tal como as revoltas e levantes no Estado-membro Bahrein, desde 2011). Nenhum desses grupos ignora a importância norte-americana, mas hoje reconhecem que há agendas de segurança que devem ser debatidas localmente. 

Desta feita, não defendemos aqui que a Guerra do Iraque foi a causa nem o estopim para tamanhas mudanças. Todas elas, de alguma maneira, já haviam sendo gestadas desde o 11 de setembro. O que apontamos é como os Estados Unidos remaram na maré contrária ao dar continuidade ao plano de guerra, ao atacar o Iraque e ao tentar impor a visão maniqueísta de mundo sustentado por homens como Cheney, Rumslfed e Wolfowitz. É compreensível que a política externa norte-americana tenha ecos da política interna, dos lobbies e dos mais diversos grupos de interesse, mas dessa vez, a desconsideração para com o interesse nacional, ou sequer com valores internacionalmente aceitos, formulados a partir de uma hegemonia norte-americana, foram longe demais. Arriscaram a hegemonia, conquistada após a Guerra Fria, e por imprudentes que foram, se veem hoje diante de um mundo que não esqueceu a invasão iraquiana e todas suas consequências. 

*Para mais informações sobre o tema, consultar a dissertação do autor aqui.


Categorias: Conflitos, Defesa, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Paz, Post do leitor, Post Especial, Segurança


Post Especial – Novo Colaborador

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Hoje escrevemos um post muito especial. Trazemos uma novidade muito importante para vocês e para a Página Internacional. Com muita alegria e satisfação, é hora de congratularmos e darmos boas vindas ao mais novo colaborador do blog, Victor Uchôa

Este excepcional graduando em Ciências Sociais pela UNICAMP, agora iniciando seu último ano de graduação, sempre teve uma paixão pela leitura e pelas palavras. Interesse e vocação que o tem guiado a trilhar os caminhos de sua vida flertando sempre com o jornalismo e leituras sobre o mundo e o cotidiano. Não é da área Relações Internacionais como os demais membros do blog, mas possui uma formação diferente com uma visão crítica que só terá a agregar aos leitores, ao debate e à equipe de colaboradores. 

Como diria Mario Quintana:

“Só o desejo inquieto, que não passa, 
Faz o encanto da coisa desejada… 
E terminamos desdenhando a caça 
Pela doida aventura da caçada.”

Seu desejo pelas palavras e pela compreensão desse mundo incompleto o vão guiando sem saber onde a “caçada” irá terminar. E, para a Página Internacional, blog que começou como um sonho e um desejo coletivo do qual jamais se imaginara qual seria a “coisa desejada”, Victor se encaixa muito bem. 

Formalizamos nossas boas vindas e nosso voto de que o sucesso caminhe com ele nessa nova etapa como redator da Página Internacional. Deixamos também nosso agradecimento a todos vocês, nossos leitores, e os convidamos a enviar e compartilhar seus textos conosco. 

Que nossa paixão pelas palavras e nosso desejo coletivo continue a nos motivar!


Categorias: Post Especial


Mulheres do mundo

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Hoje é o dia internacional da mulher. Essa data tem origem já no começo do século XX, época de lutas sociais. A comemoração ficou, e hoje em dia a cada ano a ONU dedica a data a um tema, e o de 2013 é o clamor pelo fim da violência contra a mulher. Parece muito significativo poucos meses depois do emblemático ataque sexual a uma indiana que chocou o mundo, mas revela uma realidade crua ainda para a maioria das mulheres do mundo. Mesmo com esse dia especial, mudou alguma coisa? 

As estatísticas mostram que uma enorme porcentagem de mulheres ainda vai sofrer algum tipo de violência na vida, existem desigualdades no mercado de trabalho, e o mundo ainda é dos “homens”. Basta ver o noticiário pra ter uma noção, girando em torno de figuras masculinas. Quando não, são eventos ligados à guerra, que está ligada ao gênero da lança e do escudo por boa parte de estudiosos feministas. 

E as mulheres que chegaram ao topo? Pelo mundo, há uma progressiva percepção do “empoderamento” de mulheres (pensem nas Dilmas e Merkels por aí), mas isso repercute em verdadeiro sentido de crescimento? Ou essas mulheres poderosas estão apenas se adaptando a um padrão de vivência e estrutura tradicionalmente masculina, se igualando a “eles”? Acho o caso mais interessante desse tipo de discussão o lance do título de “presidenta”. Ao mesmo tempo em que mostra a diferença de se ter uma mulher o cargo, serviria para criar essa “categorização”. Diferencia com uma ideia de nova atitude, mas ao mesmo tempo deixa de igualar com o que já está consolidado. Quem está certo nesse caso? Parece ser muito mais que semântica, e representa como, mesmo no mais alto grau de hierarquia de um Estado, uma questão de gênero pode trazer muita discussão e incerteza ainda, a depender de quem lida com essa informação. 

Não são questões fáceis de discutir em tão pouco espaço, mas fica o registro dessas considerações sobre as mulheres no mundo de hoje. O alento é que a situação poderia ser pior, e a esperança é de melhora. Falta muito, mas quem sabe em postagens futuras não tenhamos conquistas mais sólidas para celebrar. Enquanto isso, podemos parabenizar a todas as mulheres pelo seu dia, e mais do que presentes, mimos e agrados, o desejo de que ganhem respeito pelo que são e merecem.


Categorias: Cultura, Post Especial


Comprometamo-nos!

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Pessoas que marcam o cenário internacional constroem suas trajetórias todos os dias. Através de suas obras, decisões e posicionamentos, delineiam o curso da história e reavivam a esperança de melhoras e mudanças positivas. Em um dado momento, porém, estas pessoas inevitavelmente nos deixam, perpetuando-se na forma de seus legados.

E ontem foi a exemplar trajetória de Stéphane Hessel que se eternizou, levando-nos a realizar merecidas homenagens póstumas. Após sobreviver aos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, este franco-alemão iniciou sua carreira diplomática, fortemente marcada pela defesa dos direitos humanos e de causas humanitárias. Um marco importante foi sua participação na elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, contribuindo, a partir daí, durante toda sua vida para o avanço dos direitos humanos pelo mundo.

Já ao final de sua vida, talvez uma de suas mais importantes contribuições tenha ainda ocorrido: seu livro “Indignai-vos!” (2010) foi um chamado à resistência dos jovens, uma forte crítica para que se indignem contra a situação atual de forte dominação do capital e das altas finanças econômicas. Este livro (disponível aqui), com cerca de quatro milhões de exemplares vendidos pelo mundo afora, foi a inspiração dos movimentos mundiais contra as injustiças sociais e econômicas, tal como os “Indignados” espanhóis.

Mais importante ainda que a indignação, seu chamado ao comprometimento dos jovens representa um esforço que deve ser perpetuado por todos nós, cada qual em seu contexto e através de seus instrumentos. Indignados e inspirados pela trajetória deste pensador, comprometamo-nos, pois, em busca de também fazermos a diferença em nossos próprios entornos sociais. 


Categorias: Assistência Humanitária, Direitos Humanos, Post Especial


Aniversário, Top Blog e Nova Coluna

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Caríssimos leitores, 

O post de hoje é especial. Não somente por não ser como os demais, mas também porque representa um momento de muita alegria e celebração para a Página Internacional que gostaríamos de compartilhar com todos vocês. Primeiro, gostaríamos de comemorar o aniversário de quatro anos do blog. 

O blog foi criado em 2009, pelo colaborador Alcir Cândido. À época, ainda não tínhamos muitos colaboradores (inclusive esse que escreve essa mensagem não estava no rol dos escritores) e o Alcir dava seus pulos para manter as atualizações diárias de qualidade. Os meses foram passando e o blog foi crescendo e sendo bem recebido pelo público. Vieram novos colaboradores, premiações e até nosso livro.

Agora, em 2013, completamos nosso humilde aniversário de 4 anos. Um período até que breve quando comparado ao tempo de existência de muitos blogs por aí. Mas, com toda certeza, é um tempo no qual a Página Internacional foi se condensando nesse espaço de debate que vocês bem conhecem. Por isso, acreditamos que devemos tudo o que já obtemos até o momento a todos vocês, nossos queridos leitores. Não fossem suas visitas diárias, os comentários, os posts do leitor, e os votos nos inúmeros concursos que participamos, não poderíamos falar de 4 anos de uma bela história. 

Falando em votos, recentemente recebemos o resultado de nossa colocação no Prêmio Top Blog 2012. A Página Internacional conquistou também o segundo lugar no Júri Popular na categoria de Política. O evento foi realizado no último dia 26, em São Paulo, mas, não eram anunciadas as colocações de todos os blogs, apenas dos vencedores. Mais uma vez, devemos muito a vocês. Mesmo porque, o Júri Popular é baseado totalmente no volume de votos dos eleitores! 

Colaboradores Álvaro Panazzolo e Raphael Lima na cerimônia do Top Blog em São Paulo

Aproveitando esse momento festivo, para anunciar o retorno de uma das mais antigas colunas desse blog, a “Imagem da Semana”. Em 2009, publicávamos uma imagem que marcou os acontecimentos da semana, mas, aos poucos esse hábito foi se perdendo. Agora o retomamos com força total a partir do nosso próximo post! 

 Mais uma vez, obrigado a todos!! 

Equipe Página Internacional


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Dia de Luto

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Hoje procurava um poema. Palavras belas que pudessem servir de conforto para todas as mais de 230 que faleceram e às outras tantas que se encontram nos hospitais após o desastre de Santa Maria. Procurei-o sem cessar. Mas infelizmente nenhuma palavra parecia suficiente para reconfortar a perda de tanta gente. Tudo é vazio e as informações rapidamente passam de tragédia para sensacionalismo e oportunismo. 

Por isso hoje escrevo com pesar e dificuldade. 

Cada palavra carrega o peso do luto de todos os brasileiros. Um luto que não vai passar de hoje para amanhã ou de amanhã para depois. Pois as marcas já estão gravadas no tempo. Agora caberá a nós, brasileiros, ignorá-las, ou transformar o luto em luta para que todas essas almas não tenham se perdido em vão. A Página Internacional deixa registrada suas condolências a todas as famílias que perderam entes queridos e declara seu luto por todos os hospitalizados e falecidos. 

Mas se você quer fazer algo, há algumas formas de ajudar. Abaixo algumas delas: 

– A Defesa Civil do Rio Grande do Sul está em busca de voluntários (51 3210-4219); 

– A Empresa Planalto está disponibilizando passagens de graça para médicos, enfermeiros e profissionais de saúde que possam ir até a cidade para ajudar; 

– A Defensoria Pública do Estado abriu um plantão para ajudar no translado de corpos 

– O Hospital de Santa Maria está recebendo doações de sangue que podem ser realizadas em quaisquer unidades de Hemocentros do Rio Grande do Sul. 

– Há ainda a página no Facebook, “Somos Santa Maria” que tem organizado um sistema de hospedagem solidária para as famílias que perderam entes queridos e não são do Rio Grande do Sul; – Para mais clique aqui, aqui e aqui

Encerro dizendo que não encontrei um poema bom o suficiente. Mas encontrei uma ideia, de um texto de Mario Quintana. Ele nos diz em “Data e Dedicatória” para jamais datarmos um poema, pois ele jamais pertence ao tempo. Ele pertenceria somente àqueles que o leem, hoje ou em tempos distantes. Da mesma forma, a tragédia de Santa Maria não deve jamais pertencer ao tempo e muito menos deve ser dedicada. O que deve é servir de lição para que muitas dessas vidas não tenham sido em vão, desperdiçadas.


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Post Especial – Memórias póstumas de 2012: o final de uma era?

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[Para encerrar o ano, temos uma postagem especialíssima de nosso colega Giovanni Okado, fazendo uma retrospectiva instigante do ano que passou. O texto foi publicado originalmente no dia 22 de dezembro, no Jornal Liberdade, e contém opiniões pessoais do autor. A equipe do blog deseja um feliz ano novo a todos, e agradecemos pelo prestígio ao longo de 2012. Nos vemos em 2013!]

Caso o mundo não tenha acabado no dia 21, este artigo chegará até vocês, leitores da Página Internacional. Em meio a esse clima, com traços de romance machadiano, convém recordar as memórias póstumas de 2012. Memórias que, como há décadas já revelaram os arqueólogos, encerram uma era ao invés de anunciarem o fim dos tempos. 

O primeiro artigo que Fidel Castro escreveu este ano é intitulado “A marcha em direção ao abismo”. Nele, o ex-mandatário cubano colocou em xeque o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos, proclamado pela ONU em 2012. Hoje, o mundo atravessa uma crítica corrida energética. E uma das grandes promessas para assegurar o abastecimento energético, o gás de xisto, do qual se extraem o gás natural e petróleo, não tem nada de sustentável. 

O ano de 2012 talvez marque o final de uma era energética. Desde meados da década de 1970, ela foi dominada pelas epopeias petrolíferas no Oriente Médio. Agora, outra era se inicia com o abandono das expectativas quanto às fontes renováveis alternativas e com o renascimento abrupto do petróleo. Os EUA finalmente estão encontrando no interior o que tanto buscaram lá fora: segurança e autossuficiências energéticas. E a América do Sul, seja com o pré-sal no Brasil, seja com o gás de xisto na Argentina, deve se ocupar um lugar estratégico na geopolítica mundial. 

A economia mundial está estagnada. Surgem novos pólos dinâmicos de crescimento econômico. Acompanhando o sucesso do hit mais visto no Youtube em 2012, Gangnam Style, a Coréia do Sul se converteu em um pólo de alta tecnologia e industrialização. O país compõe um novo acrônimo, o Mist, em conjunto com México, Indonésia e Turquia, que está mais em alta do que o tradicional Brics. Enquanto isso, os efeitos da crise financeira são cada vez piores na Europa: na Espanha, o desemprego atingiu 25% da população e, na Grécia, a previsão do crescimento econômico, em 2012, é -4,7% e a dívida pública alcançou 165% de seu PIB. 

Nesse ambiente de crise financeira, os países emergentes – particularmente Brasil e Venezuela –, com seus respectivos modelos de desenvolvimento econômico, tem dado respostas diferentes dos países ricos para seus cidadãos. A regra de ouro é crescer promovendo a distribuição de renda e a inclusão social. Eis aí também o desafio: um não é sinônimo do outro. Distribuir renda não pressupõe a eliminação da pobreza, e sim uma etapa para superá-la. Um analista norte-americano considera que, no século XXI, haverá uma disputa entre os tipos concorrentes de capitalismo para saber qual prevalecerá sobre os outros. Seriam sinais de uma nova era? 

Um en passant sobre fatos que marcaram 2012 proporciona recordações alegres e tristes, boas e ruins. Os tiros em Sandy Hook, o recrudescimento do conflito árabe-palestino, o agravamento da situação na Síria, os ataques terroristas no Afeganistão e no Iraque, a iminência de uma guerra entre Japão e China, os campos de refugiados na África, entre outros acontecimentos. O clamor pela liberdade, uma das esperanças da Primavera Árabe, é cada vez mais sucumbido pelo conservadorismo das elites dirigentes, que transformam a religião no principal instrumento da política. 

Duas reeleições foram muito comentadas neste ano: Obama, nos EUA, e Chávez, na Venezuela. O líder norte-americano precisará negociar com os republicanos a saída do “abismo fiscal”; o líder venezuelano deverá garantir a continuidade de seu projeto bolivariano. As Olimpíadas, por sua vez, consagraram nomes e criaram lendas, além de protagonizarem um novo embate pela hegemonia esportiva: EUA x China. E a grande descoberta científica de 2012, o Bóson de Higgs, a chamada “partícula de Deus”, ampliará os horizontes do conhecimento da humanidade, permitindo-a compreender a estrutura fundamental da matéria e, consequentemente, o funcionamento do universo. 

O melhor exemplo para começar uma nova era, se assim acreditarmos, vem de uma menina paquistanesa de 15 anos. Malala Yousafzai é uma estudante ativista que começou a escrever em um blog para a BBC, contando acerca da vida sob o governo do Talibã no vale do Swat, no Paquistão, e lutando pelo direito de meninas frequentarem as escolas. A coragem e a perseverança quase lhe custaram a vida. No dia 9 de outubro, após constantes ameaças de morte, o Talibã resolveu atacar e uma bala ficou alojada na cabeça da jovem. Felizmente, ela sobreviveu. 

Há, portanto, esperança. As memórias póstumas de 2012, mais do que trazer a descrença, convidam à reflexão, que é essencial a ação. Diferente de Brás Cubas, não queremos morrer com o legado de nossa miséria, e sim transmitir o legado de nossas histórias, individuais ou coletivas. Um feliz Ano Novo a todos!


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104 anos de um sopro eterno

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Se a vida é um sopro, fato é que algumas pessoas têm o poder de deixar marcas infindáveis, seja pela genialidade de suas obras, pela importância de suas ações ou pela simplicidade em sua grandeza. E a personalidade que nos deixou ontem certamente fez com que esse sopro de vida centenária se tornasse eterno.

Oscar Niemeyer, o “pai” de Brasília, um arquiteto que deixou sua marca registrada na idealização e construção do coração político do país, além de conferir beleza e funcionalidade a tantas outras cidades brasileiras – o complexo da Pampulha, em Belo Horizonte; o Parque do Ibirapuera e o Memorial da América Latina, em São Paulo; e o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, são apenas algumas das grandes obras de seu legado no Brasil. Pelo mundo afora, seu nome também consta na autoria de grandes projetos, tais como a sede da ONU em Nova York ou a Sede do Partido Comunista Francês em Paris, por exemplo. [Confira a lista de suas obras e projetos pelo mundo aqui.]

Acreditando politicamente no comunismo durante toda sua vida, o que lhe rendeu anos de exílio em tempos passados, suas obras buscaram sempre contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, rompendo com as convenções por meio de suas curvas e de sua originalidade.

Conferir dinamismo ao concreto – elementos à primeira vista absolutamente paradoxais – foi o que consagrou este carioca como mestre, sendo celebrado pela admiração de cada indivíduo que se depara com suas obras, assim como pelos tantos prêmios internacionais recebidos, em que se destaque o Pritzker (1988), maior reconhecimento no mundo da arquitetura.

Sem Niemeyer, um dos precursores da arquitetura moderna, hoje o mundo amanheceu mais triste, rendendo-lhe elogios póstumos através dos mais diversos meios de comunicação internacionais. Lamentar a morte de Niemeyer é inevitável, mas mais vale festejar o que foi sua vida, um exemplo de genialidade já imortalizado em cada uma de suas obras e realizações.

 “A vida é importante; a Arquitetura não é. 

Até é bom saber das coisas da cultura, da 

pintura, da arte. Mas não é essencial. 

Essencial é o bom comportamento 

do homem diante da vida.” 

Oscar Niemeyer

 


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Post Especial: homenagem a Eric Hobsbawm

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Hoje é um dia muito especial – e triste – para os estudiosos de História e Relações Internacionais. Estava eu me preparado para atacar mais uma vez os problemas econômicos do velho mundo quando caiu uma bomba na página do noticiário, com a morte do longevo historiador Eric J. Hobsbawm, aos 95 anos. 

Hobsbawm é uma figura conhecida por quase todo mundo que já tenha passado pela academia, não apenas em História ou Relações Internacionais, mas pelas áreas de Humanas em geral, de Ciência Política a Sociologia. Era um pouco do que podemos chamar de um homem “internacional”: nascido no Egito sob dominação inglesa, de família judia, morou na Áustria e na Alemanha, se mudando para a Inglaterra logo que Hitler chegou ao poder. Marxista apaixonado (e, apesar de decepcionado com o rumo do “socialismo real”, ainda esperançoso de um futuro melhor com base nesse ideário), Hobsbawm trabalhava com o método clássico, partindo do ponto da relação de classes com os meios de produção para engendrar seus estudos. 

Ele era aquele tipo de pensador “completo”, que tinha uma opinião bastante crítica da sociedade atual e que poderia falar com propriedade sobre praticamente qualquer assunto. Sua fama internacional é devida justamente ao conjunto de quatro obras sobre a história da Europa dos séculos XIX e XX (a coleção “das Eras”: A Era das Revoluções, A Era do Capital, A Era dos Impérios e A Era dos Extremos) que, inadvertidamente, acaba sendo um compêndio estupendo da história mundial nesse período, e que poucos autores se propuseram a trabalhar de modo tão competente. 

Mas, para a área de Relações Internacionais, provavelmente sua principal contribuição tenha sido com a obra “Nações e Nacionalismo desde 1780”, em que aborda o fenômeno da construção do Estado nacional, e sua relação com a construção da identidade nacional, como algo orquestrado por elites específicas dominando certos meios políticos e tecnológicos para obter o apoio das demais classes nesse “projeto”. Mais do que criticar o modo como ocorreu esse processo, Hobsbawm mostra como ele evoluiu em cada contexto histórico, e se trata de uma discussão pertinente até os dias de hoje. 

Hobsbawm era humano, e desse modo não estava livre de ter suas falhas. A critica mais comum a ele desse lado do equador é que, para um especialista em Europa, ele tratava muito pouco de América Latina, ignorando um dos principais elementos do passado colonial das potências europeias; quando o fazia, era de modo superficial ou contestável (ele é um dos que credita, por exemplo, a Guerra do Paraguai ao imperialismo inglês). Além da sempre presente crítica ao materialismo histórico, mas deixo essa briga pros historiadores. 

Talvez a principal contribuição de Hobsbawm tenha sido sua tenacidade. Mesmo aos 95 anos, ele ainda era um defensor fugaz de suas idéias, e que participava não apenas da vida acadêmica, mas se preocupava com a vida política de seu país. Um pouco disso é perceptível em sua última obra, uma coleção de ensaios chamada “Como mudar o mundo”, de 2010, em que fala do histórico das lutas sociais e do marxismo. Ao seu modo, Hobsbawm era um historiador que buscava, mais do que desenvolver suas idéias no ambiente “asséptico” das universidades, mudar o mundo. Pensar no futuro, olhando para o passado – de um modo simples até, mas apaixonado. Esse é o legado que deixa para as gerações futuras, em suas obras agora imortalizadas.


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