Post do Leitor

Post do Leitor – Victor Uchôa

[O leitor e graduando em Ciências Sociais pela Unicamp, Victor Uchôa, nos brindou com mais um excelente texto. Desta vez sobre os preparativos para a Copa no Brasil e as consequências nacionais. Lembrando que todos podem postar na Página Internacional, basta enviar um texto para [email protected]. Boa leitura!]

Carnaval, futebol e samba

Recentemente, o Brasil viveu um dos momentos de maior destaque internacional em sua história. A vitória na disputa para ser a próxima sede tanto da Copa do Mundo de futebol e das Olimpíadas de 2016, em um espaço de dois anos, fez com o mundo voltasse por um instante o olhar para o país. 

Com exceção do prefeito de Tóquio, que chegou a chamar a vitória do Rio de Janeiro como sede olímpica de “resultado político e obscuro”, a maioria dos países e da mídia internacional recebeu a escolha com certa naturalidade, uma reafirmação da estabilidade econômica e da maturidade alcançada nos últimos anos. 

Aqui no Brasil, como esperado, a euforia com o resultado seguiu a preocupação de que os problemas internos muito conhecidos pela população afetassem os dois eventos. Parte da mídia direcionou o foco de sua cobertura e das suas cobranças a marcha de construção dos estádios e dos prédios esportivos. Ocorre que o Brasil, mesmo bastante criticado, chega à reta final de entrega das obras da Copa dentro do que era previsto, sem dramaticidade. No entanto, o êxito das obras não pode mascaras os diversos fracassos que o país não foi capaz de evitar em todos esses anos de preparação. 

Os problemas iniciais de atraso, que seriam incontornáveis em outros países, aqui não afetaram o cronograma. Porém, um alto preço foi pago. Foi somente graças a flexibilidade jurídica que torna possível um grande aumento nos custos das obras, como também a aceitação de que novas licitações de última hora sejam aprovadas, que o país evitou até aqui o fiasco de não respeitar os prazos estipulados pela FIFA e o COI. O atraso inicial no nosso caso, inclusive, já serve como desculpa a novas manobras desse tipo, que enchem as contas bancárias das empresas responsáveis pelas obras e facilitam desvios de verbas públicas. 

Problemas de infraestrura, como nos transportes públicos, trânsito, qualidade dos aeroportos entre outros, persistem sem solução. Inclusive, propostas de melhoria feitas pelos governos federais e estaduais foram retiradas de pauta ou atrasadas para um momento posterior a esses eventos. A Copa e as Olimpíadas foram defendidas como incentivadoras dessas melhorias, como provas da importância de ser a sede dos dois principais eventos esportivos do mundo. 

Já as questões humanas, da melhoria da qualidade de vida com a realização dos eventos no país ainda são mais duvidosas. Inclusive, mesmo durante a realização da Copa do Mundo e das Olímpiadas, tanto a população quanto os turistas terão de conviver com o medo da criminalidade crescente. A expulsão de parte da população para a construção de algumas obras e a falta de planejamento ao desenvolvimento de áreas carentes nos entornos dos estádios tornam a realidade ainda mais contrastante, e os benefícios de ser sede ainda mais questionável. A falta de certezas aos ganhos da população ao término das Olímpiadas, mesmo após a grande quantidade de investimentos, seria uma tragédia. A vergonha internacional de mostrarmos um Brasil caótico fora dos ginásios esportivos seria a consequência final dos fiascos da preparação brasileira. 

A verdade é que o Brasil tem experiência na realização de grandes eventos, reconhecida pelos maiores especialistas e investidores. Essa afirmação se torna evidente ao observarmos a explosão do número de festivais de música, fóruns internacionais, reuniões de negócios e festas regionais, como o carnaval, todos realizados com êxito. 

A própria escolha para ser sede dos dois maiores eventos do mundo seria uma provar por si só. O problema do país nunca foi o de não conseguir realizar eventos satisfatoriamente. Ele é, e ao que tudo indica continuará sendo, o momento da volta á realidade. O mundo fora do estádio ou do ginásio que teima em continuar a existir. O trânsito caótico, a criminalidade, a falta de transporte publico e aeroportos. Principalmente, a massa de excluídos dos benefícios da grande festa. Aqui, o carnaval ainda não sobrevive ao fim da avenida.


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Post do Leitor

Post do leitor – Diego Antonio Perini Milão

[Hoje a reflexão no blog fica por conta do leitor Diego Antonio Perini Milão, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), graduado em Direito pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) e bolsista CNPq. Neste ótimo texto, a polêmica atual envolvendo o Corinthians é apresentada sob a perspectiva da soberania, em uma interessante análise. Aproveitem a leitura!]

 

Futebol e o Soberano (não, não estamos falando do São Paulo)

O Sport Clube Corinthians Paulista parece estar cada vez mais “internacional”. Depois da invasão corinthiana no outro lado do planeta e da conquista do título de campeão do mundo, o clube de Itaquera se envolve agora em outra questão de grande relevância global.

Apesar da trágica morte de um jovem torcedor boliviano de quatorze anos provocada por um sinalizador disparado da arquibancada alvinegra, da prisão de doze corinthianos na Bolívia e da dificuldade da imprensa em explicar o motivo pelo qual o garoto de dezessete anos que se entregou como autor do disparo não pode ser extraditado para responder pelo suposto crime (bastaria, ao invés de recorrer a tratados internacionais para tanto, lembrar que a Constituição Federal proíbe a extradição de brasileiros natos), não são esses os fatos, ao menos não diretamente, que constituem o assunto que queremos abordar.

A grande questão está na pena atribuída pela CONMEBOL ao Corinthians, determinando que os jogos do clube na Libertadores ocorressem com os “portões fechados”, e na decisão liminar concedida pela justiça brasileira em favor de seis torcedores, permitindo que esses adentrassem ao estádio e acompanhassem a partida de futebol. Trata-se, assim, de um tema que faz parte do âmago do Direito: no fim das contas, tudo é uma questão de soberania.

Justamente devido ao conflito entre uma decisão da justiça brasileira em respeito ao ordenamento pátrio – baseada no Código de Defesa do Consumidor e no Estatuto do Torcedor – e a determinação de um tribunal (ou juiz isolado) desportivo “supranacional” é que a questão da soberania se coloca. Resta saber qual irá prevalecer. A ameaça de uma nova pena – por parte da CONMENBOL – ao Corinthians justificada pela presença dos referidos torcedores só reforça a problemática.

Seria uma aberração punir o clube por respeitar a lei e uma determinação judicial de seu país (e não, eu não sou corinthiano, nem torço por nenhum time e, pra falar a verdade, nem gosto de futebol). Mas de qualquer forma, se isso acontecer, será uma “bola cheia” para o estudo do Direito Internacional e um cartão amarelo para a soberania brasileira. A soberania do Brasil já foi estraçalhada pela FIFA e por sua Lei Geral da Copa, resta saber se a CONMENBOL sofre da mesma síndrome estadista e, o mais importante, se tem o mesmo “poder”.

Como observa Giorgio Agamben – apesar de um contexto totalmente diferente (mas vou parafrasear mesmo assim, pois o paralelo com o termo lingüístico é mais do que evidente) –, o campo é o lugar por excelência do estado de exceção*. Desse modo, não seria nada espantoso se as leis brasileiras e a soberania nacional fossem suspensas no Pacaembu. E não venham me dizer que a soberania do Brasil estaria mantida mesmo com uma nova pena ao Corinthians imposta pela confederação do futebol sul-americano, argumentando que se trata de um tribunal do órgão que regula o esporte no continente e que a decisão da CONMEBOL prevalece sobre o regulamento jurídico brasileiro e as determinações de seus tribunais. Até onde eu sei (corrijam-me se eu estiver errado), foram apenas os times que assinaram o documento que cria o referido tribunal da CONMEBOL, e não o Brasil, representado pela União, sujeito de direito internacional próprio para assinar tratados e submeter matérias e casos a uma jurisdição internacional. Como exemplifica todo bom professor de Direito Internacional, o Ronaldinho não exerce essa função (o exemplo não poderia ser mais oportuno).

Em uma análise teórica, a soberania brasileira configura-se como um elemento a favor do “bando de loucos”, ou, ao menos, serve para defender os interesses desse. No entanto, a prática costuma se resumir no fato de quem tem mais força para fazer o outro obedecer. Assim, pergunta-se: quem será o efetivo Soberano?

A escolha do juiz da partida nunca foi tão relevante para o resultado do jogo.

*AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua I. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: UFMG, 2007.


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Post do Leitor

Post do Leitor – Victor Uchôa

[O leitor e graduando em Ciências Sociais pela Unicamp, Victor Uchôa, nos brindou com um um excelente texto sobre a política e eleições na Europa. Lembrando a todos que, se quiserem postar na Página Internacional,  basta enviar um texto para [email protected]! Boa leitura!]

As margens da solução

A esperança é a última que morre, afirma o ditado popular sem que ninguém o conteste. Pelo menos até o surgimento da crise econômica europeia. O continente está há meia década mergulhado em problemas sem soluções, tempo suficiente para que fossem feitas as mais diversas análises. Ainda assim, o tema e a crise estão longe de serem esgotados. 

A eleição italiana ocorrida no final de semana foi a mais recente demonstração de como esse momento afeta a confiança da população quanto aos atuais líderes governamentais. Independentemente da vitória apertada da coalização de centro-esquerda, seguida de perto pelo partido conservador de Silvio Berlusconi, o que mais chama atenção é o comportamento do eleitorado quanto à aceitação de partidos até então inexpressivos. Uma coalizão liderada por um humorista alcançou o terceiro lugar e uma forte representação na câmara. 

Desde o início da crise, as eleições em grande parte dos países europeus, com exceção a Grã Bretanha, vêm apresentando uma tendência de crescimento dos pequenos partidos. O caso francês do crescimento do antes secundário partido nacionalista Frente Nacional, liderado pela família Le Pen, é o maior exemplo desse fenômeno. O crescimento das pequenas legendas diante dos anteriormente detentores do poder parece bastante comum. Ainda mais em tempos de crise e piora de qualidade de vida, em que o descontentamento é crescente. Mas se observarmos mais de perto, veremos uma anormalidade. O que não é comum é o posicionamento político desses partidos. 

Nos últimos 20 anos, a política europeia construiu uma forte estabilidade entre as bandeiras defendidas pelos partidos políticos dominantes em cada país. A alternância do poder funcionou mais como revezamento de líderes do que de ideias. Não à toa sempre ouvimos e lemos sobre a vitória de um partido de centro-esquerda, de centro-direita ou de apenas centro. O termo “centro” poderia ser facilmente substituído por “igual ao anterior”. A verdade é que, enquanto governo, foram todos mais ou menos idênticos. Na maioria das vezes a grande divergência entre esses partidos se deu quanto ao alcance das políticas assistencialistas e a dimensão do apoio a políticas liberais, o que definia qual palavra viria à frente do termo “centro”. Isso até a crise. 

A piora econômica não somente desacreditou a população europeia quanto à política. Ela ameaça detonar a convergência de ideias dominantes criada pelos países europeus, e com ela toda a estabilidade. Os partidos que crescem são, na maioria das vezes, os de extrema-direita, marxistas, comunistas ou até mesmo de identidade próxima ao nazismo. Por vezes ocorrem casos menos “ameaçadores”, como foi o italiano, em que a surpresa foi a aceitação da população de promessas populistas. 

A extrema direita foi a que menos amenizou as suas defesas ideológicas para vencer a batalha eleitoral. Ao contrário, as utilizou como trunfo. A afirmação de que as mazelas sofridas pelas nações europeias ocorrem por culpa dos imigrantes, das minorias ou até mesmo de conspirações internacionais contra seus países, como a criação da zona do Euro, são cada vez mais comuns. A Europa ressuscita fantasmas do passado para garantir o futuro. 

O retorno dessas ideologias antes limitadas ao gosto de pequenas minorias sem poder de decisão política abre algumas questões. A convergência de ideias entre os partidos foi por muito tempo contestada como antidemocrática. Até mesmo hoje, quando o sistema financeiro internacional reage mal às pesquisas eleitorais que colocam na liderança partidos fora do estabelecido, há quem enxergue uma imposição de interesses de grupos poderosos sobre a vontade do povo. 

Distante da discussão de que o ressurgimento de certos partidos e ideais segue uma tendência mais plural e democrática de divisão de poder político, uma dúvida mais urgente ainda paira. Com a chegada desses partidos ao poder, teremos mais soluções ao momento difícil da população europeia ou esta será assombrada por outros fantasmas ainda piores? Os partidos fora do centro crescem à custa da esperança do fim da crise. Cabe a eles, pois, a tarefa de fazer com que a população que os elegeu continue acreditando que a esperança é a última que morre.


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Post do Leitor

Post do leitor – William Soares Gonçalves

[O leitor William Soares Gonçalves, da Escola Estadual Profª. Zeicy Apparecida Nogueira Baptista, em Taboão da Serra/SP, participa hoje mais uma vez do blog com um novo post sobre a temática do tráfico. Este assunto já foi apresentado no blog em dois ótimos e recentes posts do leitor (do Victor Uchôa e da Tamiris Batista) e hoje é reforçada em mais essa reflexão. Boa leitura a todos!]

 
 
 
 
 
 
 

A mais pura verdade

Estou mais uma vez escrevendo para o blog, falando um pouco sobre os diversos tipos de tráficos que existem na nossa sociedade nos dias de hoje. Infelizmente esta prática criminosa vem ganhando forças em suas diversas formas de praticidade, o que deixa claro que, quando falamos em tráfico não estamos apenas falando em tráficos de drogas, o qual é bastante noticiado em telejornais.

A prática do tráfico de drogas é, sim, uma das principais que geram “fonte de renda” e também a mais conhecida. O que a maioria das pessoas não sabe é que não existe apenas o tráfico de drogas, mas também os tráficos de pessoas, animais, órgãos, flores, plantas, dentre outros.

O tráfico de pessoas é um assunto muito sério, e que tem alcançado maior repercussão com a exibição atual de uma novela que retrata principalmente este drama (leia mais aqui e aqui). Muitas das pessoas traficadas trabalham como “escravas”, sofrendo exploração – muitas vezes sexual para as mulheres – e demonstrando a gravidade da situação. Estas pessoas, muitas vezes levadas para o exterior, são frequentemente indivíduos que não possuem condições financeiras adequadas e recebem falsas ofertas de empregos para o exterior. Lá chegando, descobrem que o sonho pode virar o pesadelo…

Nesse tipo de tráfico fica a dica: se receber uma proposta de emprego para o exterior, tenha cuidado se precavendo e se prevenindo para evitar armadilhas. Já sobre o tráfico de drogas, devemos nos conscientizar que esse caminho gera muitas desilusões e problemas sociais. Se tiver suspeita de tráficos de animais, órgãos, pessoas dentre outros, denuncie para que os envolvidos sejam responsabilizados.

Links úteis:

 

[1] Disque-Denúncia – Tráfico de Pessoas;

 

[2] Disque-Denúncia – Tráfico de Mulheres;

 

[3] Disque-Denúncia – Tráfico de Animais Silvestres. 


Categorias: Brasil, Post do leitor


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Post do Leitor – Victor Uchôa

[O leitor e graduando em Ciências Sociais, Victor Uchôa, nos brindou com mais um excelente texto sobre fraudes no meio científico. Dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos emuitas outras produções falsas são o tema desse excelente post. Lembrando a todos que é possível postar na Página Internacional! Basta enviar um texto para [email protected]! Boa leitura!]

O Preço da Ciência

A renúncia da ministra da educação alemã, Annete Schavan, foi o capítulo final de mais uma história envolvendo política e fraudes em pesquisas. A denúncia de plágio de uma figura do alto escalão do governo alemão pegou de surpresa a comunidade científica internacional. Mas a verdade é que os escândalos envolvendo essa comunidade estão se tornando cada vez menos chocantes, dada à quantidade de casos descobertos. 

No Brasil, país um tanto famoso pelo tipo de comportamento a que carinhosamente apelidamos de “jeitinho”, as fraudes científicas e curriculares para a obtenção de vantagens são bastante comuns. No passado recente, até mesmo a então provável futura presidente da República, Dilma Roussef, teve de admitir erros em seu histórico acadêmico, que apontava dois títulos de pós-graduação nunca adquiridos. O currículo do atual ministro da educação, Aloísio Mercadante, sofreu do mesmo engano. Em outro escândalo ainda maior, grande parte da alta cúpula da USP esteve envolvida em denúncias de plágio, alteração de dados, de notas e de todo o possível. 

Problemas com fraudes científicas muitas vezes são mais prejudiciais do que os casos que levam alguma obtenção de vantagem pessoal. Afinal, pesquisas por muitas vezes definem políticas públicas, leis e posicionamentos de grupos de poder, a respeito de diversos temas. As pesquisas sobre o aquecimento global são um grande exemplo. Determinados resultados de pesquisadores, depois de alterados, aumentaram o status do problema de negativo a catastrófico, com verdadeiras projeções apocalípticas para a humanidade em um curto período de tempo. Com isso, doações a grupos envolvidos no tema dispararam, o que fez crescer a descrença nas boas intenções de algumas ONGs e no crédito de alguns cientistas que davam embasamento aos seus discursos. 

Evidentemente, não só entre os ecologistas se escondem os pesquisadores que abraçam as ideias e o dinheiro de determinados grupos enquanto apresentam seus resultados. Talvez esteja na exploração dos campos de areia betuminosa, no Canadá, o caso de enganação científica mais nociva ao planeta atualmente. Com a apresentação de relatórios nebulosos e a omissão de alguns dados, alguns cientistas tiveram papel determinante na vitória das empresas interessadas na exploração da matéria-prima, a despeito da catástrofe ecológica que essa ação pode acarretar. A areia betuminosa, segundo alguns resultados científicos, consegue ser cerca de três vezes mais tóxica e nociva ao meio ambiente do que qualquer outro tipo de produto para combustíveis. 

A utilização política da ciência, inclusive com mentiras, não é nenhuma novidade do século XXI. A Medicina e a Anatomia já foram utilizadas para a comprovação da superioridade de raças, a defesa da eugenia e do papel da mulher como apenas reprodutora e mantenedora do lar, entre outros absurdos. Realizava-se a medição do crânio, algumas partes do corpo, inventavam tantas outras observações, e ali estava a prova. A antropologia é outra ciência de um passado para ser esquecido. O seu nascimento serviu exclusivamente a legitimação de que os europeus dominassem povos primitivos, segundo alguns pensadores “incapazes de cuidarem de si próprios”. 

O aumento das denúncias de fraude assusta. Ainda mais em tempos em que o alcance da ciência e da tecnologia é tamanho, que ações de ambas podem influenciar decisivamente aspectos a vida na Terra, para o bem ou para o mal. O prejuízo de fraudes em pesquisas que servem ao interesse de grupos egoístas pode ser muito maior do que a alteração de quem vai permanecer ministrando cursos em sala de aula, ou que vai obter um cargo na direção da instituição, quem irá trabalhar em um ministério ou ser o próprio ministro.


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Post do Leitor

Post do Leitor – Victor Uchôa

[O leitor Victor Uchôa, graduando em Ciências Sociais pela Unicamp, nos brindou com um excelente texto sobre a cruel, porém real, realidade do tráfico internacional de pessoas. Lembrando a todos que  quiserem ter seus posts aqui no blog que basta enviar um e-mail para [email protected]. Boa leitura!]


Humanos de segunda classe

A atual novela “Salve Jorge” trouxe à tona pela primeira vez ao grande público o problema do tráfico de pessoas no Brasil. Assim, o assunto se transformou em uma espécie de moda das discussões cotidianas. Entretanto, a necessidade de adequação da trama ao gosto do público fez com que ela fosse ineficaz em demonstrar a dimensão do problema, tanto em quantidade de pessoas exploradas, quanto as reais condições em que vivem. Esse crime é tratado pela ONU como o mais hediondo praticado pela humanidade. 

Em nosso país são movimentados aproximadamente 32 bilhões de dólares ao ano com essa atividade, sendo o mais rentável dos crimes, superando em muito o tráfico de drogas. No mundo, é o terceiro negócio que envolve maior movimentação financeira, também chegando a envolver cerca de 2,4 milhões de pessoas exploradas por ano. Mesmo assim, o assunto seguiu longe dos noticiários nacionais, que deram maior atenção a praticamente todos os outros tipos de ações criminosas, a despeito da dimensão desse problema. Essa falta de interesse da imprensa é facilmente explicável. 

O trafico internacional de pessoas envolve basicamente a exploração de crianças e mulheres, que são forçadas por meio da violência e da fraude a se mudarem de seus países, na esperança de uma oportunidade. Diferentemente das personagens principais da ficção, a falta de direitos e de cidadania é iniciada na própria terra natal. Muitos dos refugiados e imigrantes de países periféricos não possuem a documentação que garante os direitos civis em seus próprios países. A exclusão tem rosto de dupla cidadania. No caso brasileiro, a maioria dos casos ocorre com mulheres, negras e de baixa renda, o que é comumente reconhecido na sociologia como uma espécie de santíssima trindade da vulnerabilidade. 

A insignificância dos explorados explica uma questão que pode surgir. Como uma teia criminosa tão ampla e tão óbvia se mantém com certa tranquilidade, permanecendo ilesa a justiça dos países e dos holofotes da mídia? A resposta é simples. Refugiados e imigrantes pobres de países periféricos são facilmente tratados como pessoas sem importância, tanto pelas autoridades dos países em que foram retirados, quanto dos que se tornaram seu destino final. Eles praticamente não existem. Assim, a grande maioria dos casos é completamente desconhecida, não tratados pela imprensa, enquanto os casos noticiados são as raridades que fogem a regra de exploração dos seres humanos em piores condições possíveis. O número de casos expostos é bastante reduzido. O tráfico de pessoas consegue ser o mais rentável dos crimes, enquanto tem rosto de problema pouco prolifero. 

O sucesso na exploração de pessoas em péssimas condições econômicas e jurídicas não tem como seu único exemplo o tráfico de pessoas. O mesmo pode ser visto no Brasil em um caso que em muito se parece a esses crimes, como os bolivianos que participam de trabalhos análogos a escravidão em fábricas de tecidos, ou com a prostituição infantil, que em sua maioria envolve crianças em situação de extrema pobreza. Recentemente, nosso próprio STF livrou uma dezena de acusados de estuprarem uma criança de 12 anos, por esta supostamente se prostituir. A justiça brasileira pode achar plausível que uma pessoa nessa idade possa tomar decisões autônomas de sua vida, e que a relação sexual com um adulto seja feita com consentimento. 

Claro, desde que essa criança seja parte das pessoas sem rosto ou dignidade. Pesquisas financiadas pelo escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) atestaram que um dos principais motivos para a facilidade da manutenção desses esquemas criminosos é da falta de importância dada ao tema pela sociedade civil. Afinal, grande parte da população acredita que foram essas mulheres culpadas pelo seu mal, ora por ganância, ora por pura vontade de servir como prostitutas. 

Outra ideia comum é a de que tais pessoas estejam em melhores condições sofrendo exploração do que anteriormente, vivendo como miseráveis em seus países. Uma tragédia justifica a outra. A falta de direitos outorgada por viverem em um país como imigrantes ilegais é por fim legitimada pelo discurso de criminalização da vítima, ato bastante comum no Brasil, sobretudo quando os crimes são sexuais e contra mulheres. Não à toa o nosso país é campeão mundial em pessoas exploradas. E Assim, o ato mais hediondo do mundo e o terceiro mais rentável fecha sua área de proteção graças à falta de interesse da sociedade dos países envolvidos sobre quem são tais explorados. Afinal, quem daria grande importância aos males de humanos de segunda classe?


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Post do leitor – William Soares Gonçalves

[Neste dia de Natal, a reflexão da Página Internacional fica por conta do nosso leitor William Soares Gonçalves, aluno da Escola Estadual Profª. Zeicy Apparecida Nogueira Baptista, em Taboão da Serra/SP. Seu novo texto é sobre a Amazônia, assunto tão importante para o Brasil e para o mundo. Boa leitura e um ótimo Natal a todos!]

Vamos cuidar do que é nosso 

A Amazônia, sem sombra de dúvidas, é um dos maiores berços ecológicos – se não for o maior – do mundo. Por essa questão, ela também é muito visada por pessoas que querem ganhar dinheiro a partir da diversidade ecológica ali presente. O desmatamento, o tráfico ilegal de animais, as construções de estradas também ilegais… tudo isso contribui para o futuro fim da nossa Amazônia.

Apesar de ter citado que a Amazônia é um berço ecológico, ela pode ser também uma mina de ouro quando cai nas mãos erradas. Funciona mais ou menos assim, por exemplo: o empresário quer uma arara azul para deixar de enfeite na sala de sua casa. Sabendo que se trata de um animal raro, ele contrata uma quadrilha especializada em tráfico de animais, que faz o serviço para ele.

Isso na verdade é um jogo mafioso entre quem rouba e quem compra, alimentando ainda mais esse mercado negro e ilegal. Contudo, em toda essa história, quem leva a pior é a floresta que perde mais ainda o que já está em falta. Talvez se não houvesse quem alimentasse esse crime contra a natureza, nossa floresta não estaria na situação que está…

Mas não é só o trafico de animais que prejudica a Amazônia. De 1901 a 2000, a área desmatada amazônica para a prática da pecuária de grandes fazendas é seis vezes maior que o território de Portugal. Isso a partir de dados de 12 anos atrás, imaginem então como deve estar a situação atualmente. [Leia mais aqui.]

O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, uma das causas que impulsionam esse desmatamento. Com o aumento da demanda de exportação para outros países, a consequência é também o aumento do plantio, levando à necessidade de novas áreas para este plantio. E como terreno na Amazônia não falta, os grandes produtores partem para o desflorestamento em certas regiões para a prática do plantio da soja.

Outras atividades que prejudicam também a floresta são a extração de petróleo e a mineração que, além de destruírem o verde, poluem também o solo, o ar e as águas. A construção de estradas ilegais também contribui para facilitar o transporte de madeira ilegal e o transporte de gado.

Na realidade, todos nós devemos respeitar nossa natureza assim como a nossa Amazônia, tão importante para o mundo e especialmente para o Brasil. O Ibama e os governantes devem estipular leis mais severas para aqueles que fazem mal ao que é nosso. Então fica o aviso: devemos cuidar do que é nosso ou a floresta – que, para nós brasileiros, é sinônimo de orgulho – irá acabar. 


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Post do leitor – Bruno Theodoro Luciano

[Pessoal, mais uma vez apresentamos um post do leitor. Desta vez a colaboração é de Bruno Theodoro Luciano, graduado e mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Em uma interessante análise, ele fala como determinados países europeus observam a crise do Euro e, consequentemente, o próprio desenvolvimento da integração regional. Caso queira contribuir com a Página Internacional também, envie seu texto para [email protected]. Aproveitem a leitura!]

Respostas à crise europeia: mais ou menos integração? 

As reações dos países e dos grupos sociais europeus, em decorrência dos efeitos da crise econômica que tem assolado o continente nos últimos anos, têm apresentado naturezas das mais diversas. Enquanto países governados por grupos euro-céticos e setores populares afetados diretamente pelas medidas de austeridades vêm adotando uma percepção negativa quanto às atitudes e instituições supranacionais, os países líderes do bloco têm assumido uma posição favorável à ampliação das competências europeias, tal qual a construção de uma união fiscal, como instrumento de solução para a crise da zona do euro. 

A insatisfação popular em relação aos altos níveis de desemprego e às medidas de austeridade tomadas pelos governos dos países mediterrâneos, como Portugal e Espanha, tomou proporções transnacionais, com a organização de paralisações conjuntas dos trabalhadores desses países. As greves e manifestações nesses Estados representam dura crítica à política de cortes de gastos e de redução de salários dos governos ibéricos em busca de maior equilíbrio nas contas públicas. 

Em países de tradições euro-céticas, como o Reino Unido, a primeira resposta quanto às conseqüências da crise é um apelo por menos integração, por afastamento do país das decisões conjuntas dos Estados que atualmente utilizam o euro como moeda oficial. A crise europeia não deixa de ser uma oportunidade para os partidos contrários ao aumento de integração, como o Partido Conservador, demandarem uma reavaliação da postura britânica como membro do bloco europeu. Uma saída britânica da UE, no entanto, é impensável na atualidade, já que 50% do comércio desse país é feito com seus parceiros europeus

Em recente discurso no Parlamento Europeu, a primeira-ministra alemã Angela Merkel ressaltou a necessidade futura de federalização da integração europeia, como forma de se alcançar uma solução para a crise no velho continente. O aprofundamento da Europa, para a líder alemã, torna-se condição essencial para resolução da crise dentro dos países da zona do euro, mesmo que traga a necessidade de uma nova revisão dos Tratados Europeus em vigor. 

Enquanto determinados grupos e partidos entendem que a crise dos países da zona do euro é decorrente da alta ambição na constituição de uma moeda europeia comum, outros setores veem a culpa da crise, na realidade, na falta de ambição em tornar a moeda europeia mais forte, sem o respaldo de uma união fiscal e política. Ou seja, as respostas quanto a um mesmo problema podem ser totalmente contrárias, com base na ideologia e na visão que determinados grupos possuem acerca da integração. Do mesmo modo que é difícil encontrar representantes de partidos de tradição euro-cética favoráveis à manutenção da moeda europeia na atual conjuntura, é impossível visualizar representantes das instituições europeias apoiando o fim da zona do euro. 

Os rumos da integração europeia estão nas mãos dos grupos que estiverem no poder de Estados-chave para a Europa, ou seja, Alemanha e França. Enquanto a liderança política desses países for favorável à manutenção ou ao aprofundamento do bloco, não há razões para se pensar em um mundo sem uma Europa unida.


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Post do Leitor – Fernanda Ferreira Chan

[Hoje temos uma postagem especial, de autoria de Fernanda Ferreira Chan, graduanda em Relações Internacionais pela Faculdade Anglo-Americano, de Foz do Iguaçu-PR, e membro do Grupo de Pesquisa em Organizações Internacionais. O Grupo é coordenado pelo nosso colega, prof. Ms. Danillo Alarcon, mestre em Relações Internacionais pela UnB, que nos indicou essa interessante leitura sobre a questão do orçamento da OEA. Lembramos que caso se interesse em ter um texto publicado pelo blog, basta entrar em contato com a equipe pelo e-mail: [email protected]. Boa leitura!

A OEA e seu papel em tempos de crise

Fundada em 1948 com a assinatura da Carta da OEA em Bogotá na Colômbia, e colocada em vigor em dezembro de 1951, a OEA trabalha na busca de “uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, intensificar sua colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência”, tal qual o 1º artigo de sua Carta postula. Apesar de congregar 35 Estados independentes das Américas, como Estados Unidos, Brasil, Argentina, Chile, entre outros, a OEA atualmente passa por problemas financeiros, e isso sem sombra de dúvida balança sua atuação a favor da democracia, direitos humanos, segurança e desenvolvimento, pilares de sua criação. 

No dia 15 de novembro deste ano a OEA aprovou um orçamento reduzido para 2013; o deste ano foi de 85 milhões, e no ano que vem será de 83,9 milhões, valor reconhecido por diversos países como “de emergência”. Países membros veem a verba como insuficiente para honrar todos os encargos da OEA; a embaixadora do Equador, María Isabel Salvador, por exemplo, deixou claro que esse orçamento reduzido é “mais ou menos coerente, em meio a uma crise financeira”. Em meio a essa crise, os 34 membros da OEA reconheceram a necessidade de repensar prioridades e economizar no uso da verba, mas ainda assim restringindo-se aos objetivos básicos do órgão (promoção da democracia, segurança, dos direitos humanos e do desenvolvimento). 

A discussão fica por conta da pergunta: é possível a organização continuar com seus projetos com essa redução? Como o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza menciona: “A grande questão é se isso que é feito, que é importante e necessário, está de acordo com as missões da OEA, ou cabe a outros órgãos”. 

Por exemplo, o site de notícias Opera Mundi publicou no dia 5 de novembro deste ano, uma pesquisa da OEA que indicava que mais de 50 milhões de pessoas não tinham documentos na América Latina, pois 10% dos recém-nascidos não eram registrados. A pesquisa da organização utilizou meios financeiros para chegar a esses dados, inclusive antes dessa pesquisa, a OEA já trabalhava na diminuição dessa porcentagem, através do Programa de Universalização da Identidade Civil nas América (PUICA). 

Essas faltas de registro ocorrem significativamente em países como Peru, Equador, Costa Rica, Honduras, Guatemala e Colômbia, países estes que são mais vulneráveis financeiramente, deixando claro que o fator pobreza está paralelamente ligado ao não registro civil. Como se sabe, o registro civil não só garante a existência do individuo no país, como dá acesso a serviços, direitos, inclusive da participação civil, politica, e econômica do país. O PUICA utiliza uma serie de estratégias para atingir a universalidade dos registros, como o fornecimento de certidões de nascimento em hospitais, reconstrução de documentos perdidos ou destruídos, campanhas móveis de registro e conscientização em zonas vulneráveis e fronteiriças, análises de subregistro e cooperação regional e internacional, além de agir na segurança dos dados. Essas estratégias precisam totalmente de suporte financeiro, as equipes da OEA que trabalham neste projeto, precisam manter seus orçamentos, para que não haja uma interrupção dessas ações que asseguram o reconhecimento do direito da identidade civil das pessoas. 

É possível que essa redução para 2013 anunciada semana passada, vá afetar milhões de recém-nascidos latino-americanos, estes não vão ter mais o suporte completo fornecido até o ano de 2012 através do programa PUICA. Se com um determinado orçamento ela criou e fez a manutenção desses projetos, esse orçamento se possível não deve ser alterado, mas com base na crise financeira atual, a OEA não fez nada mais que o coerente, afinal não fez uma redução brusca assim acredito, então talvez consiga repensar seus meios de ação, sem alterar seus princípios a favor da democracia, direitos humanos, segurança e desenvolvimento.


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Post do Leitor

Post do leitor – William Soares Gonçalves

[O nosso leitor William Soares Gonçalves, aluno do final do ciclo do Ensino Fundamental na Escola Estadual Profª. Zeicy Apparecida Nogueira Baptista, em Taboão da Serra/SP, enviou mais um interessante texto para a Página Internacional. Sua nova análise trata dos investimentos que estão sendo feitos para a Copa do Mundo de 2014. Tema complexo que, ao mesmo tempo em que envolve uma destacada dimensão internacional de prestígio perante os demais países, gera questionamentos inevitáveis quando são analisados os elevados gastos internos… Ótima leitura a todos! E aproveitamos para lembrar que para ter seu texto publicado no blog, basta entrar em contato com a equipe pelo e-mail: [email protected]]

A beleza custa caro 

A Copa do Mundo é, sem dúvida, um dos eventos esportivos mais bonitos e importantes do mundo, bem como uma grande fonte de renda para seu país-sede. A Copa do Mundo de 2014 irá acontecer no nosso querido Brasil, e é a partir disso que surge o tema deste texto.

Primeiramente, faço uma pergunta: o Brasil está mesmo preparado para sediar um evento de tamanha importância e que envolve praticamente o mundo inteiro? Fomos escolhidos para sediar a Copa no ano de 2007 e ainda falta muita coisa para ser feita. Isso inclui a melhoria da infraestrutura do país em aeroportos; meios de locomoção, tais como as estradas; e principalmente a melhoria da segurança para as pessoas que vierem assistir aos jogos.

Mas, infelizmente, o que mais preocupa não é só o bem-estar das pessoas que assistirão aos jogos, mas sim os gastos absurdos feitos nos investimentos para as construções e reformas de estádios. Não dá pra entender como são feitos tantos investimentos assim em um país em que ainda há tanta gente passando fome, morando nas ruas, com precariedade na segurança, na educação e em tantas outras coisas que merecem atenção especial das autoridades.

Quando o “Itaquerão”, a arena corinthiana, estiver pronto, os investimentos feitos ultrapassarão a quantia de meio bilhão de reais – eu digo meio bilhão! O pior de tudo é que 70% dessa quantia é patrocinada pela prefeitura de São Paulo, ou seja, esse dinheiro sai do bolso do trabalhador que acorda 5 horas da manhã para trabalhar e pagar seus impostos. Ao invés de ver esse dinheiro investido em áreas que lhe beneficiem como cidadão, não, o dinheiro dele e de muitos outros está sendo investido em construção de estádios…

E não apenas o Itaquerão está levando dinheiro público, mas sim uma média de 14 estádios pelo país. Nossa presidenta Dilma Rousseff fala de um investimento para a Copa do Mundo no valor de 33 bilhões de reais (!). Talvez fosse muito melhor se esse valor fosse investido diretamente na educação, na saúde, no transporte e em outras áreas que beneficiem os cidadãos. Todo esse investimento em estádios de futebol pode ser questionado, sabendo que tantas pessoas ainda passam fome e morrem em hospitais no nosso país… 


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