Os quatro elementos

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Ar, fogo, água e terra. Eis os quatro elementos. Místicos e repletos de significações. Pensou-se até mesmo que esses elementos eram formadores da matéria, na medida em que eram combinados. No entanto, ponto comum entre as mais diversas interpretações sobre eles é que eram imprescindíveis à vida. Em tempos recentes, carregam também uma faceta da morte e da destruição.

No começo do ano, uma agência de meteorologia previu uma temporada mais intensa de furacões em relação a 2009, devido à diminuição do fenômeno El Niño. Mal saiu a previsão e já ocorreu o primeiro furacão, o Alex, entre o México e o sul do Texas. Pela terra, os terremotos no Haiti e no Chile permanecerão como uma triste lembrança por um bom tempo. A água e fogo resolveram se manifestar também. Não bastasse o Nordeste brasileiro ter enfrentado chuvas torrenciais devastadoras, agora é a vez do Paquistão. Chegou a 1.500 o número de mortos e excede 3 milhões o de desabrigados e afetados pelas inundações. A Rússia vive a pior onda de calor, desde junho, e o fogo anda tomando conta de seu imenso país: há mais de 500 focos de incêndio cobrindo uma área de 170 mil hectares (cerca de 10% do território russo), que já ceifou a vida de 41 pessoas.

Materialmente, estes elementos não se combinaram de maneira positiva. Não obstante, do ponto de vista hermético ou exotérico, acredita-se que os elementos perfazem um ciclo. Ar: mundo das idéias, origem. Fogo: transformação. Água: emoções inconscientes. Terra: manifestação concreta. Portanto: Ar -> Fogo -> Água -> Terra. Em algumas situações da política mundial, é preciso que o ciclo se complete, como o anúncio de Obama do cumprimento da retirada do Iraque, findando uma guerra desnecessária. Noutras, o elemento fogo deve agir imediatamente, de modo a evitar a deflagração de um conflito entre Israel e Líbano, Colômbia e Venezuela, ou a discriminação européia para com os imigrantes, algo erroneamente suposto como nocivo à integração. São coisas que precisamos acreditar vendo, nos dizeres do Sílvio Santos, recuperada no belo post do Ivan (aqui).

Do ar, veio também uma das iniciativas mais belas que o mundo assistiu (aqui): crianças palestinas, numa manifestação pela paz e pela vida, tentaram quebrar o recorde do número de pipas empinadas simultaneamente, perfazendo um total de 7 mil, em Gaza (não tenho a informação se conseguiram):

Da matéria às idéias, os quatro elementos encontram as suas analogias na política internacional. Muitas vezes, perdura a dúvida se boas idéias se materializarão. Mas é bom tê-las. Assim demonstra Galeano na metáfora utopia/horizonte: quanto mais se corre em direção ao horizonte, mais ele se afasta. Porém, ele está lá, como uma referência, e não se pode deixar de caminhar.


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Mancha negra

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Hoje o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos completa três meses. E ainda são imensuráveis as consequências do vazamento de petróleo causado pelo incêndio da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México. Com o vazamento de 60 mil barris por dia, hoje aproximadamente 550 milhões de litros de petróleo já se espalharam pelo Golfo do México (acompanhe a evolução da mancha negra aqui), impactando de forma extremamente nociva ao meio ambiente.

Com relação a esse desastre, as perdas se encontram em vários âmbitos: em termos humanos, onze funcionários que trabalhavam na plataforma morreram e mais de cem foram resgatados; em termos de fauna, milhares de animais marinhos morreram ou estão sofrendo com a contaminação de seu hábitat natural (foto); em termos econômicos, as indústrias de frutos do mar e de turismo foram atingidas diretamente na região; e em termos ambientais, os estragos são tão grandes que se estendem até ecossistemas marinhos distantes da região. Para se ter noção, Obama chegou a comparar o impacto desse desastre aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA…

A British Petroleoum, empresa responsável pela plataforma, já gastou bilhões de dólares para remediar as consequências do vazamento, tendo anunciado ontem a venda de ativos para arcar com esse custo. Contudo, as operações para conter os estragos tem se mostrado difíceis, além de custosas, devido a diversos fatores logísticos, dentre os quais até o mau tempo se enquadra.

Hoje foi anunciado um pacote de mil milhões de dólares por parte de quatro grandes petrolíferas (Exxon, Shell, Chevron e Conoco Philips) para a construção, nos próximos meses, de um novo sistema de contenção de vazamentos de petróleo – com capacidade para conter até 100 mil barris por dia. Medidas que visam evitar um novo desastre com impactos tão negativos como o atual está se mostrando ao mundo inteiro.

A tragédia suscita ainda a constante discussão acerca da substituição dos combustíveis fósseis na utilização cotidiana. A dependência que a sociedade contemporânea criou em relação ao petróleo (e seus derivados) um dia deverá ser suprida por combustíveis “verdes”, ecologicamente sustentáveis. Muitos ainda defendem a utilização do petróleo e sua importância certamente é inestimável para o desenvolvimento das bases modernas da sociedade em que vivemos, porém o fato é que a discussão sobre energias limpas adquire maior expressão a cada dia, demonstrando a urgência em se adaptar a estrutura da sociedade a novas condições.

Tal como apontam David G. Howell, Kenneth J. Bird e Donald L. Gautier (da Divisão de Geologia de Petróleo do U. S. Geological Survey, Califórnia), “precisamos aproveitar as reservas existentes para um prudente e meticuloso planejamento do futuro, um futuro sem petróleo”. E que não está tão distante assim de nossa realidade.


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3600 segundos às escuras

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1 hora = 60 minutos = 3600 segundos. Neste sábado, das 20h30 às 21h30, este será o período equivalente à “Hora do Planeta”, manifestação contra o aquecimento global. Pode parecer pouco tempo, mas o movimento é exatamente caracterizado por sua importância simbólica em que se destaca a conscientização internacional a respeito da temática do Meio Ambiente.

A iniciativa surgiu durante as discussões do Fórum Social Mundial de Nairóbi no ano de 2007 (mais informações aqui) e, tal como as mudanças climáticas e os desastres ambientais, tem crescido a cada ano desde então. Trata-se de um apelo ambiental mundial de grande expressão coordenado atualmente pela ONG WWF que, este ano, congrega mais de 120 países em prol do mesmo objetivo: apagar as luzes durante os 3600 segundos estipulados.

Milhares de ícones internacionais permaneceram no breu neste intervalo de tempo, dentre os quais podem ser destacados, por exemplo, a Torre Eiffel em Paris, o Palácio de Buckingham em Londres, e o Cristo Redentor no Rio de Janeiro. A mobilização abrange, pois, os três setores da sociedade: governos, empresas e organizações não-governamentais se mostram, cada qual a seu modo, dispostos a colaborar com a iniciativa cuja relevância é consensualmente reconhecida.

A crítica, contudo, encontra-se na superficialidade do chamado “marketing verde” em que a mobilização se torna o centro das atenções sem que sejam promovidas medidas efetivas de combate ao aquecimento global. Não se pode negar o fiasco da Cúpula de Copenhague em 2009, momento no qual a sociedade internacional se viu diante da falta de resoluções por parte dos países envolvidos (Posts anteriores do sobre o assunto podem ser acessados aqui, bem como um ótimo artigo se encontra aqui). E deve-se reconhecer que as expectativas para a continuidade das discussões também não são as mais otimistas…

Entretanto, o impacto de um ato do porte da “Hora do Planeta” não pode ser desconsiderado/deslegitimado. Visualizar a preocupação mundial nesta área demonstra que a busca por meios globais de amenização do aquecimento global deve perdurar, especialmente na medida em que tantos desastres ambientais têm assolado o mundo nos últimos tempos. E perceber que a sociedade civil opta por permanecer, simbolicamente, às escuras por 60 minutos neste sábado, deixa claro que o esforço neste sentido deve crescer a cada dia.


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E agora no Chile…

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Em menos de dois meses, a natureza voltou a mostrar o seu ímpeto devastador no continente americano. Desta vez, a vítima foi o Chile. O tremor que abalou o país no domingo atingiu 8,8 graus na escala Richter e deixou pelo menos 723 mortos – embora a contagem ainda não tenha se encerrado. Curiosidade à parte, embora em menor intensidade (7 graus), o terremoto no Haiti, em janeiro, provocou um número de mortes mais de trezentas vezes maior – por volta de 230 mil. De todo modo, ambos os eventos trouxeram intrigantes reflexões para as relações internacionais.

Primeiramente, reputa-se indispensável deixar de mencionar que a humanidade tem negligenciado a ação da natureza. Neste sentido, mais uma vez recaímos na inércia de Copenhague, reunião tão esperada e na qual somente se adotou um acordo provisório sobre as mudanças climáticas. Negligência que se prolongou, fazendo-se presente na prevenção de ambos os terremotos no continente americano, visto que alguns especialistas chegaram a afirmar podiam ser detectados com antecedência.

Um segundo aspecto seria a discussão que se engendrou em torno da segurança da população. No Haiti, ganhou dimensão o debate sobre o cárater das intervenções de paz das Nações Unidas. O Brasil, que atualmente lidera a MINUSTAH, atua no sentido de promover a segurança para os haitianos e não necessariamente reconstruir país. Mas e agora com esse caos, com a onda de saques, violência, instabilidade governamental e demais calamidades, como proceder? Já no Chile, os saques começaram para valer, até quartel está sendo saqueado. Bachellet ordenou o toque de recolher entre às 18h e 6h, bem como colocou 14.000 soldados nas ruas. No entanto, segundo previsões, parece que o terremoto não afetará a economia chilena. Em países pobres, fala-se em salvar as pessoas, em ricos, o dinheiro.

Em terceiro lugar, há algum tempo, a chamada Escola Inglesa das Relações Internacionais definiu três tipos de arranjos entre os países, sendo uma delas a “sociedade humana”, cujas relações se dariam entre humanos, mais do que entre países, e de acordo com o valor da solidariedade. Teria a comunidade mundial formado uma sociedade humana? Ao menos, supõe-se que ambas as catástrofes geraram interações mais solidárias. Todavia, uma solidariedade incerta.

Nos meandros da reconstrução do Haiti, temos acompanhado muita disputa por poder atrás das cortinas de todo solidarismo. No Chile, a situação pode se encaminhar para um desdobramento similar. De prontidão, os Estados Unidos já se dispuseram a prestar ajuda ao seu aliado histórico. O Brasil, aspirante à condição de líder regional, não ficou atrás. Lula visitou o país e anunciou o envio de um hospital de campanha da Marinha. E, acreditem, até a Bolívia se mobilizou, esquecendo a rivalidade com o seu vizinho, que anexou a região de Antofagasta, território que proporcionava a única saída dos bolivianos para o mar. Mais do que uma genuína solidariedade, cria-se também um palco de disputas políticas.

E, por fim, em quarto lugar, caberia o questionamento: apenas em momentos de extrema aflição é que se desenvolve o sentimento de humanidade? Quando ocorre uma catástrofe ambiental, o auxílio vem para salvar vidas; quando ocorre uma guerra, o auxílio vem para espalhar mortes. Em ambos os casos, estamos falando de seres humanos. Sejam por armas ou pela natureza, a disseminação da desgraça é a mesma.


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Crônica de uma morte anunciada

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A Cop 15 foi um fiasco. Mas disso todo mundo já sabia antes mesmo do início da Cúpula. Apesar do emocionante vídeo de abertura da (este aí em cima), o encerramento da Conferência não foi tão lindo assim. Um acordo que não vale nada e que, aliás, nem todos os países aceitaram. Metas? Nem se fala no assunto. O que houve na Dinamarca foi uma gastança de dinheiro, muita conversa fiada e, acordo que é bom, nada.

Os jornais estão cheios de matérias sobre o assunto (aliás, vejam uma matéria legal que foi ao ar no Jornal Hoje clicando aqui), por isso, não vamos nos ater ao acordo em si ou no que rolou por lá.

A pergunta mais importante e que, certamente, muitos já se fizeram é simples: será que nem mesmo o fim do mundo é suficiente para fazer com que os países façam um acordo de redução de emissões de gases que aumentam o efeito estufa?

A resposta é complexa, mas gira em torno de uma questão simples: poder. Nenhum país quer perder o direito de emitir poluentes. Em outras palavras, no modelo econômico que temos hoje, poluição significa desenvolvimento e desenvolvimento, poder. Ainda não há uma matriz energética tão simples e barata como o petróleo, carvão e seus derivados. É muito mais fácil queimar toneladas de carvão para aquecer as caldeiras das siderúrgicas do que desenvolver uma nova tecnologia, por exemplo. Além disso, o mundo já conta com uma infra estrutura adequada para a retirada, refino e distribuição de petróleo.

Cortar emissões significa ter de gastar muito no desenvolvimento de novos modelos, sem que haja garantias de que, um dia, eles serão tão compensatórios como o que temos hoje. E segurança energética é coisa séria.

De uma forma ou de outra, todos têm acesso ao petróleo. Alguém já imaginou, no entanto, num futuro próximo, um mundo que dependa do etanol produzido no Brasil e em países africanos? Alguém em sã consciência ia querer depender de algo oriundo de países tão instáveis?

A questão é que a energia e o desenvolvimento são assuntos sensíveis para qualquer país. Até mesmo para o Brasil. Apesar de o Lula ter pintado a Dilma de verde, nossos projetos de energia são sujos.

Todos sabem do risco que o planeta corre. Todos têm, de algum modo, medo do aquecimento global. Acontece que todos pensam também no curto prazo. A China, por exemplo, que cresce a uma taxa média de 10% ao ano, não pode se dar ao luxo de se comprometer com um corte ‘ousado’ de emissões sem ter de pagar um alto preço por isso. E nem a China nem qualquer outro país está disposto a pagar esse preço.

O fato é que enquanto não houver alternativa sustentável viável do ponto de vista econômico, não haverá acordo nem em Copenhague, nem no Rio de Janeiro, nem na Conchinchina.


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As não tão novas discussões climáticas: últimas da COP-15

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Entre devaneios, alucinações e mesas de negociações seguem as reuniões para o acordo do clima, em Copenhague. As conversas, no entanto, vão muito além das plenárias da COP-15. Aliás, o rascunho de um possível acordo já está pronto (ou quase pronto). Enquanto nas sessões oficiais cada país faz transparecer sua posição diplomática em relação as negociações do clima, as reuniões paralelas entre as delegações são responsáveis pela construção do acordo. É justamente aqui que surge nosso maior problema, até o momento. Nem todos os países são convidados para discussões essencias para a consubstanciação do acordo, o que acarreta uma fonte quase inesgotável para novos questionamentos e descontamentos.


O rascunho de resolução para a COP-15 é um emblema dessa situação. Consegue desagradar mais do que agradar, ou seja, justamente o contrário que uma boa resolução em uma conferência internacional que se preze. O texto da proposta faz menção a metas obrigatórias tanto para países desenvolvidos como para os em desenvolvimento, para os primeiros a redução de emissões deveria atingir 80%. Começa então o descontamento. Os africanos se sentiram excluídos dos pontos-chave, expressando seu desacordo com relação ao procedimento adotado. Fez-se menção, inclusive, a um risco de não mais se atingir um acordo. Por outro lado, Tuvalu – uma pequena ilha localizada no sul da Oceania – quer um acordo mais ambicioso que o Protocolo de Kyoto, aquele mesmo pouco respeitado, garantindo existir a ameaça a sobrevivência. Neste sentido, somente um acordo com valor legal serveria como uma efetiva garantia aos países com vulnerabilidades climáticas. Tal demanda está longe da realidade da COP-15.

Separo um espaço especial para comentar a posição dos países industrializados. Obviamente, estes também não se sentem plenamente contemplados pelo esboço de documento final da conferência. Os países europeus afirmam que os EUA pouco contribuem, colocando em dúvida o compromisso dos americanos com a questão. A proposta de redução de 3-4 % das emissões de dióxido de carbono, de fato, soa como deboche, ainda mais considerando que os americanos são os maiores emissores de gases em nossa atmosfera. Nada indica que os americanos melhorarão sua proposta. Por outro lado, o representante americano na negociação diz que o documento apresentado não funcionou nos termos que foi conduzido. Diz e não diz ao mesmo tempo.

O IPCC, a voz da comunidade científica na COP-15, diverge também do projeto de resolução. Na sua visão, o acordo proposto seria insuficiente. Para o painel é necessário o compromisso para a redução das emissões entre 25% e 40%, como forma de garantir que o aumento da temperatura média global não ultrapasse os 2°C. Bom, se nem o acordo em pauta, controverso já na sua concepção, serviria, o que pode esperar Tuvalu?

Os EUA, que defenderam com seu próprio sangue a segurança global – nas palavras do agraciado com o Nobel da Paz de 2009, Obama – deveriam ter um comprometimento imensamente maior junto aos foros internacionais. Mas, pelo contrário, os americanos fazem questão de atravancar os acordos nos mais diversos âmbitos (comercial, ambiental, nuclear). O discurso na plenária – em referência a excepcionalidade americana a que faz menção Obama – diverge fundamentalmente de sua posição dos bastidores.

Os americanos não aderiram ao Protocolo de Kyoto, ao Tribunal Penal Internacional, dificultam as negociações na OMC, enfim. A missão do negociador americano sempre é cumprida, a meu ver, evitar que seja construídos consensos. É a utilização dos ideários democráticos para fins tortuosos. Parece funcionar: quanto mais democrática é a organização internacional, menos ela parece funcionar. Eu vi uma vez a representante dos EUA junto a OMC chorar na entrevista coletiva após o fracasso de uma das rodadas de negociação da OMC. Tanta emoção não amoleceu os seus posicionamentos. No caso do clima, nem emoção o representante americano parece demonstrar.

O texto até o momento pode conduzir o leitor a uma visão equivocada. Os EUA não são os vilões dessa vez. Pelo menos, não os únicos. A cisão é muito mais profunda e nada traz de novo. Os países hoje desenvolvidos utilizaram os recursos naturais ao seu bel-prazer com fins de alcançar o desenvolvimento econômico. Os países em desenvolvimento (separados aqui dos países pobres) acreditam ter o mesmo direito, desenvolver-se a despeito do meio-ambiente. As negociações se centrado nessa cisão, a mais sensível para um acordo abrangente. No final das contas, pouco importa a opinião dos países menos expressivos – por mais cruel que isso possa soar. Os tempos são outros, os países em desenvolvimento exigem prerrogativas das quais nunca vão gozar. As concepções de “Futuro Comum”, “Desenvolvimento Sustentável” e “Aquecimento Global” não existiam no horizonte dos condutores do hoje países desenvolvidos. Assim, querer ancorar o desenvolvimento em concepções antiquadas não poderia funcionar. Falta então dividir a conta.

Os custos estimados para a adoção de medidas de controle do clima são de 200 bilhões de dólares. A União Européia aceita disponibilizar 30 bilhões de euros, até 2012, para adaptação a secas e ao aumento do nível do mar, de promoção do uso de energias renováveis e de a adoção de medidas para o combate ao desmatamento nos países pobres. Exige como contrapartida o dimuição do desmatamento no Brasil e a redução de emissões na China e Índia. Esse parece ser o maior avanço até o momento.

É incrível como é tão fácil juntar trilhões para resgatar instituições financeiras e tão difícil juntar bilhões para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A valoração segue a mesma. O representante do Brasil das negociações, Sérgio Guerra, resumiu tudo: “Sem dinheiro, nenhum acordo”. Aqui está o “x” da questão: dinheiro. Quem paga a conta? Existem países que não poderão arcar com o ônus das mudanças climáticas, que os acolhe?

Surgiu outro devaneio. Para o investidor George Soros o FMI deveria pagar a conta. Que lindo! Justo a organização que funciona por cotas de investimento; e por isso segue a lógica quem paga mais, manda mais, pode ser a nossa procurada solução. O maior cotista do fundo são os EUA. Tudo feito então. Logo o país que por sua excepcionalidade foge dos controles das negociações internacionais e que é berço do pensamento eco-cético. Só falta querer cobrar juros dos países pobres depois. O FMI não é a solução para nossos problemas, a meu ver.

Nos próximos dias chegam os representantes políticos. O avanço necessário nas matérias técnicas não foram bem sucedidos. As perspectivas não são as melhores para as discussões políticas. Somente quando a tormenta bate as nossas portas é que abrimos nossos olhos para a realidade. Talvez a tormenta chegue e seja tarde de mais para evitar suas consequências.


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Entre a lança de Ares e o escudo de Atena

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Mais de 2 mil após o fim da civilização grega, muitas vozes e lembranças dos gregos perduram nas odisséias de nossa era. Uma era de epopéias confusas, de cujos versos se retiraram a inspiração guerreira e orgulhosa e de heróis feitos de façanhas sem proeza. Na dança das gerações, o tempo, como uma imagem móvel da eternidade dos deuses, traz de volta à arena política contemporânea a violência imprevisível da lança de Ares contra a sábia justeza do escudo de sua meia-irmã, Atenas. Divididos entre a força e a sabedoria, os líderes mundiais e as suas respectivas nações enfrentam grandes desafios globais e particulares para escreverem o mito a ser narrado no futuro. Enumeremos três situações.

Que tal partirmos da iniciada Cúpula de Copenhague, do nosso tão preconizado futuro comum? Talvez, proteger as gerações futuras, contendo os danos antrópicos praticamente irreversíveis ao meio ambiente, já tenha deixado de ser sábio. A COP-15 está morrendo em seu nascedouro. Entretanto, do fracasso é preciso se encontrar o sucesso: produzir um novo Protocolo de Kyoto é completamente desnecessário, o ideal é abandonar a idéia da redução das emissões de gás carbônico e investir no desenvolvimento de alternativas energéticas, conforme um artigo recentemente publicado no Der Spiegel (aqui). Tamanha dimensão da persistência no erro da redução que atualmente um investimento de 53 bilhões de euros conteria o aquecimento global por apenas uma hora. Ares reina resoluto sobre o meio ambiente e guia o imaginário político egoístico de muitas lideranças mundiais; a China, por exemplo, descobriu uma maneira muito interessante de resolver a problemática ambiental: erguer muralhas. À José Simão, “É mole? É mole, mas sobe!”.

No Irã, Ares e Atena travam uma batalha épica. Todos sabem que o povo iraniano (ou irado, não é?!) está nas ruas desde junho, sobretudo, graças a inúmeros protestos encabeçados por estudantes. Se antes os motivos para o descontentamento eram os suspeitos resultados das eleições presidenciais, agora a educação se transformou no campo de batalha. De um lado, a intensa sede pelo conhecimento laico, de outro, a repressão (intelectual e física) sob o amparo do fundamentalismo religioso. Ora, para Khamenei, as ciências humanas são “instrumentos coloniais do Ocidente para conquistar mentes muçulmanas”. Novamente, o povo tem a chance de decidir nas ruas o destino do país, passando da revolta para a revolução. Novamente, as autoridades iranianas abandonam a misericórdia para com os manifestantes. O escudo para o povo, a lança para as autoridades.

Mal faz uma semana que o novo plano estratégico dos Estados Unidos para o Afeganistão foi aprovado e já podemos encontrar algumas repercussões. O general McChrystal quer a vitória por meio dessa estratégia; o Taleban quer apenas sobreviver, segundo Haji Abdullah, um líder local do grupo. Evidentemente, estamos no terreno das incongruências: ambos querem a lança de Ares e o escudo de Atena, algo bastante ambicioso. Os Estados Unidos primeiro ataca com a lança, extremamente convictos da capacidade de defesa de seu escudo, já os talebans defendem-se com o escudo e lançam ataques intermitentes contra os estrangeiros. Na ponta da lança norte-americana, brilha a democracia e os direitos humanos e o escudo é encouraçado pela posição de liderança mundial; na lança taleban cintila o heroísmo da soberania e o escudo é revestido pela simpatia popular. Os norte-americanos guerreiam confiantes e incertos (quanto tempo durará a guerra?) e os talebans voam como uma fênix da resistência em território afegão.

(Vejam também aqui um interessante artigo de Friedman sobre a campanha norte-americana no Afeganistão.)

Pois é, pessoal, na apoteose contemporânea da política mundial, Ares e Atena, deuses atemporais do passado, se apresentam como figuras indispensáveis. E, interessantemente, uma acompanha a outra, afinal são semi-irmãs. Os recursos à violência e à sabedoria, ora como os extremos, ora como os meios, são empregados recorrentemente nas relações internacionais, fazendo ecoar uma antiga lição de Maquiavel no espectro das lideranças mundiais: é preciso ser, simultaneamente, raposa para reconhecer as armadilhas e leão para assustar os lobos. A lança, o escudo ou os dois: uma escolha perene.


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Climate Gate: o IPCC sob suspeita

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Aquecimento Global: Mito ou realidade científica?


Faltam dois dias para o começo da COP-15, em Copenhague. Do dia 7 ao dia 18 de dezembro, inúmeros representantes dos Estados tentarão alcançar um acordo abrangente para o clima, em substituição ao combalido Protocolo de Kyoto.

Neste contexto, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) – ganhador do Nobel da Paz em 2007 – é uma das instuições de maior prestígio na temática ambiental. O IPCC é composto por cientistas e delegados de 130 países, parte do sistema das Nações Unidas (ONU). Anualmente, o órgão divulga relatórios sobre o aquecimento global. Estes estudos tem sido um dos principais subsídios para a formulação e negociação de políticas para mitigar os efeitos advindos das alterações no clima.

Desde sua fundação, em 1988, os cientistas do IPCC tomam como principal hipótese o nexo causal entre à ação humana e a mudança climática, em especial devido a emissão de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano. Não há ainda comprovação desta hipótese. Contudo, os estudos publicados e analisados possibilitaram o órgão a qualificá-la como muito provável (66% de certeza, de acordo com o relatório d0 IPCC de 2001). Assim, tornou-se quase que consensual a conclusão de que a ação humana é provavelmente a principal responsável pelo aquecimento global das últimas décadas, trazendo como consequências a elevação da temperatura dos oceanos, a alteração das corrente marítimas, eventos climáticos extremos, variações no padrão dos ventos, entre outras.

Sua imagem de credor da hipótese consensual corrente para as mudanças climáticas sofreu uma arranhão com a divulgação do que passou a ser denominado como “Climate Gate”. Um grupo de hackers divulgou uma série de e-mail trocados entre cientistas (também membros do IPCC) de um prestigiado Centro de Pesquisa do Clima, localizado na Universidade de East Anglia (Reino Unido). Nestas correspondências, surgiram indícios de manipulação ou supressão dados concernentes aos modelos aplicados a pesquisa e construção de cenários em mudanças climáticas. O período investigado é de 13 anos, o que coloca sob suspeita a veracidade dos relatórios e pesquisas divulgados sobre as mudanças climáticas.

Houve revolta da comunidade cientítica. Segundo Juan de Marianna, professor da Universidade Rey Juan Carlos:

“É um caso claro de corrupção científica. A opinião pública foi enganada, o que não implica que não haja aquecimento e que outros cientistas sérios possam ter razão. Mas cai a versão mais alarmista da mudança climática, a que oculta que nos últimos 11 anos não houve crescimento e a do gráfico do taco de hóquei”, referindo-se ao famoso esquema que mostra um drástico aumento da temperatura atual em relação aos últimos séculos, o que lhe dá a forma de taco de hóquei” [UOL – Notícias Internacionais]

Por outro lado, outros cientistas sairam em defesa dos acusados, como Jens Hesselbjerg Christensen:

“Os e-mails mostram conversas muito pessoais, como as que poderíamos ter, talvez de forma mais prudente, em um bar. É normal que os colegas falem mal de outros. Assim é a vida”, escreve em uma mensagem eletrônica” [UOL – Notícias Internacionais]

Independente do contexto e da intenção das mensagens, o fato é que o “Climate Gate” pode ser um grande entrave as negociações em Copenhague, uma vez que fornece novos subsídios para os eco-cétidos negarem a ligação entre a atividade humana e o aquecimento global. Os cientistas britânicos, mesmo que talvez inocentemente, podem ter colocado muito a perder. Nenhum âmbito de atuação profissional está livre de condutas anti-éticas, o IPCC, infelizmente, é parte da desta lógica.

A metodologia empregada pelo IPCC, de acordo com seu presidente (o indiano Rajendra Pachauri), blinda os relatórios contra procedimentos científicos pouco apropriados, uma vez que cada rascunho passa pela revisão de outros cientistas do órgão. As hipóteses levantadas ao longo das últimas décadas ainda se sustentam, ainda que o caso retome os velhos questionamentos e afirmações de sempre. Pelo jeito, os céticos terão espaço para sustentar que os cientistas querem causar medo na população, que o aquecimento global não está acontecendo e que, por tudo isso, não existe necessidade de adaptar padrões de consumo e matrizes energéticas.

Por mais que tente se justificar, o IPCC entrou em uma grande cilada, no pior momento que seria possível. Mesmo que se comprove como inverídica ou fruto da conspiração dos cétidos, o estrago já está feito.


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Copenhague 2009: entre as paixões externas e os sonhos internos

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Parece o slogan de uma olimpíada ou de uma festividade esportiva de grande monta. Talvez o seja. Uma olimpíada do meio ambiente ou uma grande festividade ambiental, fica a escolha para o leitor, ainda que se trate da iminente Conferência de Copenhague sobre as mudanças climáticas. E quem sai à frente nesta competição: quem mais reduz a emissão de gases poluentes ou quem menos reduz, quem implementa o desenvolvimento sustentável ou quem não o faz, quem adota medidas da chamada “economia verde” e produz tecnologia limpa ou quem permanece arraigado aos antigos padrões de produção? Muitas perguntas para poucas respostas, sabe-se apenas que desde que o homem estendeu seus domínios sobre a natureza, a esta coube apenas lançar ao primeiro a fúria da imprevisibilidade: furacões, tornados, maremotos, tsunamis, vulcões, etc. Os países romperam a harmonia em sua interação com o meio ambiente, venceram-no e agora colhem os ônus dessa vitória ingloriosa: a sobrevivência incerta.


A humanidade e o meio ambiente nasceram um para o outro, para viverem como se fossem um, mas nem sempre a vida é uma profecia auto-realizável. Vieram as organizações político-sociais entre os humanos, sendo o Estado a mais importante delas, e o cumprimento da profecia tornou-se algo distante. Todavia, certamente a desvirtuação cada vez maior desse propósito viria à tona. Entre as décadas de 60 e 70, o meio ambiente entrou em definitivo na agenda global. Não nos compete agora estabelecer todos os marcos históricos da questão ambientalista, apenas nos atentarmos para o fato de que a degradação ambiental extensiva passou a comprometer a sobrevivência das gerações futuras. E o futuro se transformou no presente. De Estocolmo a ainda não concretizada Copenhague, as conferências ambientais buscam soluções aos desafios para a preservação da espécie e da biosfera.

Evidentemente, nem só de sucessos vivem as conferências desse tipo. Porém, não deveriam colecionar tantas frustrações. Depositou-se uma enorme confiança em Copenhague para avançar no combate à degradação do meio ambiente, ao aquecimento global e às mudanças climáticas. O premiê dinamarquês, Lars Rasmussen, chegou inclusive a declarar que não aceitaria outro acordo, senão uma proposta definitiva para a questão ambiental. Mas, ultimamente, os discursos se encerram no ato da fala e pouco produzem ações, tanto que Obama e outros líderes mundiais acreditam no adiamento de um pacto sobre mudanças climáticas. Um acordo com caráter de obrigatoriedade é pouco realizável, visto que não lidaria com as demandas dos países ricos e pobres simultaneamente, ou aquelas específicas entre os países ricos.

Mais uma vez, ricos e pobres digladiam na arena da questão ambiental: até que ponto atender às necessidades ambientais não comprometem o crescimento/desenvolvimento econômico? Está se criando uma nova Doha, uma “Doha Ambiental”, cuja própria sobrevivência da humanidade e do mundo deveria urgir ante as vaidades dos países. Mas, infelizmente, os Estados Unidos simplesmente são a maior economia do mundo, o maior poluidor e o país mais vaidoso: o Congresso norte-americano não está nem um pouco disposto a aprovar uma legislação sobre clima e energia, que estabeleçam metas obrigatórias contra a emissão de gases estufas. O Protocolo de Kyoto não passou de uma quimera e Copenhague tão logo começa no terreno da ilusão. Aliás, um artigo recente prefere outro termo para a capital dinamarquesa: Flopenhague (flop quer dizer “fiasco”, em inglês).

De acordo com o Secretário-Geral da Convenção da Organização das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC, sigla em inglês), Yvo de Boer, Copenhague precisaria atender pelo menos a quatro tópicos: 1) a quantidade de gases que os países industrializados devem reduzir; 2) quanto os maiores países em desenvolvimento, como China e Índia, devem reduzir; 3) como será a ajuda financeira aos países em desenvolvimento quanto às reduções; e 4) como esse dinheiro será angariado. Sinceramente, a mim não me parece tão difícil definir tais questões, pois sabemos que a redução dos índices de emissão de gases poluentes em 8% com relação a 1990 não foi possível, já existe um fundo da ONU para o meio ambiente e o IPCC apresentou um relatório sobre as mudanças climáticas em 2007 (confiram o relatório aqui). Além disso, há uma crescente mobilização da população civil em torno da questão ambiental, como explicitado pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (vejam o artigo aqui). É impressionante como não se pode tratar de apenas quatro questões com respostas praticamente visíveis…

E o Brasil? Pois é, o Brasil resolveu adotar uma postura pró-ativa com relação ao meio ambiente. O índice de desmatamento da região amazônica registrou a menor taxa – prevendo a redução deste em 80% até 2020 – e o país lançou a ambiciosa meta de reduzir a emissão de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020. Interessantemente, o discurso de Lula trata da questão ambiental sem desatrelá-la da socioeconômica, “a luta contra a mudança climática é imperativa, mas deve ser compatível com um crescimento econômico duradouro e com a erradicação da pobreza”, bem como reflete sobre a criação de um fundo ambiental financiado pelos lucros do petróleo e do pré-sal. Mais interessante ainda é o posicionamento dos possíveis presidenciáveis para o próximo ano. Bom, a Marina Silva tem sido convocada para inúmeros eventos para falar sobre os problemas ambientais; a Dilma Roussef foi quem anunciou a proposta de redução das emissões brasileiras de gases poluentes; e até o José Serra entrou na brincadeira, sancionando logo no começo da semana passada a Política Estadual de Mudanças Climáticas, prevendo a redução de gases de efeito estufa em 20% até 2020.

Paixões e sonhos entremeiam a questão ambiental, suscitando uma profunda discussão sobre as necessidades reais do meio ambiente e a maquiagem política que as mesmas engendram, provocando o deslocamento dos fins para os meios. Isto é dizer, atuar em prol do meio ambiente deve ser consonante com interesses implícitos: boa relação com o congresso, marketing, eleições e, sobretudo, porque virou “moda” e todo mundo agora segue, mesmo que utilize a mais sedutora retórica. O progresso das nações é hoje mesmo uma marcha irreversível sobre o meio ambiente, marcado pela destruição e rompimento da milenar simbiose entre os humanos e a natureza.


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Eles chamam de vida, nós de poluição: o caso australiano

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Aproveitando o artigo de Antônio na sexta-feira, continuo o debate acerca das mudanças climáticas aqui na Página Internacional.

Tomando como premissa a existência do fenômeno das mudanças climáticas, assim como a sua ligação intrínseca com as atividades desenvolvidas pela humanidade nas últimas décadas, fica evidente a necessidade de estabilizar os níveis mundiais de CO2.

Neste sentido, a Austrália, pode-se dizer, forma uma espécie de vanguarda. Representando, ao contrário do que se poderia imaginar, um movimento político (que chegou a ser defendido como científico) não à frente de seu tempo, mas contra as evidências tangíveis. Os australianos, a partir da visão impregnada nas esferas de poder – até o governo anterior, na verdade, consolidou-se como o sexto país mais poluente em dióxido de carbono por habitante.

O governo atual tinha em mente um plano ambicioso de comércio de carbono, o qual levaria a uma redução em torno de 5% das emissões de gases do efeito estufa do país, isso nos próximos 10 anos. A proposta é parte importante do plano governamental para o meio-ambiente, especialmente tendo em vista a realização da conferência da ONU, em Copenhague, em dezembro. Porém, o Senado australiano rejeitou o plano, por 42 votos a 30. As justificativas? Bons, empresários temem que a legislação afete o setor carvoeiro australiano e que o esquema de troca de carbono termine por afetar a recuperação econômica do país, especialmente em relação ao emprego.

Relembrar é viver. A Austrália ratificou o protocolo de Kyoto somente em 2007. Na sua labuta contra as evidências científicas das mudanças climáticas, a Austrália teve no governo Bush um fiel aliado. No auge dessa ideologia pró-carbono, até uma campanha foi lançada “They call it pollution. We call it life” (Eles chamam isso de poluição. Nós chamamos de vida). Seria cômico se não fosse trágico.

O plano em relação ao comércio de carbono é somente um início. O governo de Kevin Rudd, primeiro-ministro da Austrália, tem um trabalho difícil. De um lado a pressão internacional; União Européia já apresentou seu plano, e o Brasil também pode apresentar um grande compromisso em dezembro. Já passa da hora, de países como a Austrália, China e África do Sul deixem de produzir energia através do carvão. Para os australianos, isso significa vencer os fortes lobbies do setor energético. Copenhague será o último encontro antes da necessidade de renovar o acordo climático: a Austrália terá que encontrar seu novo caminho.


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