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Aperto de mao Figueiredo Imagem da semana
A imagem dessa semana na verdade é uma imagem de décadas atrás: trata-se de um dos retratos eternizados à época da ditadura militar no Brasil, cujo início se deu há exatos 50 anos, em 31 de março de 1964.

O golpe que destituiu o presidente reformista Jango e desencadeou 21 anos de repressão certamente não merece “homenagem”, mas de fato deve ser revisitado como parte da memória de um país que não deve permitir novamente uma tal situação de flagrante desrespeito aos direitos humanos.

A imagem da criança de 5 anos negando o aperto de mão do então presidente Figueiredo, o último dos militares no poder, é simbólica (apesar de ter sido desmistificada em alguma medida) e ilustra, talvez ingenuamente, um sentimento de rebeldia que na verdade ecoava em toda uma sociedade descontente com um regime durante o qual a tortura, a censura, os desaparecimentos e as mortes inexplicadas foram recorrentes. Conceitos e imagens de um passado brasileiro que precisa ser relembrado, ainda esclarecido em muitos aspectos, mas nunca repetido.


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Putin anexa Crimeia Imagem da Semana
E a imagem da semana não poderia deixar de ser o registro do momento em que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sancionou a legislação para completar o processo de anexação da península da Crimeia.

Apesar de essa atitude ser absolutamente condenada pelos líderes ocidentais, Putin respalda-se no resultado do referendo realizado no último domingo, 16 de março. Mais de 90% da população, de origem russa, votou favoravelmente à anexação da região à Rússia. Desde 1954 como território ucraniano, a Crimeia, nos termos da legislação russa, agora se encontra sob a responsabilidade de Putin…

Sanções, conflitos e tensão política ainda farão com que o caso se alastre no cenário internacional com repercussão ainda imprevisível. Totalmente previsível, contudo, é o retrato mais uma vez pintado das contradições onusianas em um Conselho de Segurança condicionado ao poder de veto de seus membros permanentes, dentre os quais… a Rússia.


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Ucranianos pró-Rússia comemoram resultado da votação (Fonte: AFP)

A Imagem da Semana não poderia ser outra a não ser sobre o assunto internacional mais comentado nas últimas semanas. A foto simboliza a declaração de independência da Crimeia e o pedido formal de seu Parlamento para que a região seja anexada oficialmente à Rússia.

Ontem, no domingo, aconteceu um referendo em que 96,77% dos crimeanos votaram a favor de sua incorporação aos russos, incluindo até mesmo a dotação do fuso horário de Moscou a partir do próximo dia 30 de março.

Autoridades ucranianas declararam o pleito ilegal e fortemente marcado por contagem irregular de votos. Como era esperado, Estados Unidos e União Europeia já impuseram sanções a algumas autoridades russas e ucranianas, dentre os quais se encontra Viktor Yanukovich, o presidente deposto.

Estamos diante de uma nova Guerra Fria? É muito interessante pensar nessa questão e ver como a grande mídia sempre pondera essa pergunta com o intuito, obviamente, de inquietar seus leitores. O Estado de São Paulo e a Carta Capital, por exemplo, trouxeram esta semana manchetes em que o conflito bipolar é relativamente ressuscitado. Como uma leitura especializada é sempre benéfica, indica-se o texto “Porque não estamos em uma nova Guerra Fria” do site Sem Diplomacia da UNESP com autoria de Roberto Moll, doutorando em Relações Internacionais pelo San Tiago Dantas (UNESP/UNICAMP/PUC-SP). Já antecipando a conclusão do artigo, nele é estipulado que não estamos próximos de um conflito mundial e, caso fosse esse uma realidade, ele seria muito mais parecido com a conjuntura da Primeira Grande Guerra (1914-1918) do que com a própria Guerra Fria.


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Os protestos do que começa a ser chamada de “Revolução Ucraniana” garantem as imagens mais impressionantes e importantes da semana. Tudo que começou graças a insatisfação de críticos e opositores do governo de Yanukovyck e sua reaproximação com a Rússia, toma cada vez mais contornos  de episódio central na história recente do país.

A Ucrânia foi um dos principais países afetados pela política russa durante o regime Soviético. Momento que marcou a política e a sociedade do país, dividida em torno de defensores do passado e da proximidade com o país de Putin, e de defensores de uma nova fase, com o país flertando aproximação ao bloco da União Europeia e do ocidente. Quando a vontade do segundo grupo pareceu frustrada por decisões de Yanukovych, as ruas se tornaram lugar de protestos e cenário de guerra, com cenas impressionantes de ruas destruídas, estátuas postas ao chão, civis marchando como soldados.

Os desdobramentos apontam para a queda do atual líder do governo, o que faz surgir algumas dúvidas sobre o futuro do país: uns defendem que a vitória da oposição é o inicio de um novo momento democrático, em que a Ucrânia encontrará seu caminho distante da Rússia e de seu passado comunista. Outros afirmam que há interesses de grupos nazistas e fascistas infiltrados na oposição do país, o que deve minar ainda mais as oportunidades de democracia e liberdade do povo. O certo é que as ruas do país são mais um capítulo do inicio efervescente do século XXI, cheio de revoltas, reviravoltas e instabilidade de governos diversos nos quatro cantos da Terra. Ficam os votos para que essa população encontre rapidamente a melhor saída para a batalha política diante de tantos interesses diversos, poupando a sua população dos dias que vivem atualmente e que formam tantas imagens belas e tristes, de um povo em luta.


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A imagem da semana no blog é, na verdade, a “Foto do ano de 2013″, eleita no âmbito do mais importante concurso internacional de fotografias, o “World Press Photo”. Intitulada “Signal”, a foto de John Stanmeyer, dos Estados Unidos, conquistou o prêmio não apenas pela qualidade e originalidade da imagem em seus contrastes de luz e sombras, mas notadamente pela mensagem que traz.

Datada de fevereiro de 2013, a imagem retrata um grupo de emigrantes africanos na costa do Djibouti com seus telefones celulares em punho buscando sinal de rede para se comunicarem com seus familiares. Considerado um local de passagem, o pequeno país Djibouti se encontra no caminho daqueles que, emigrando principalmente da Somália, da Etiópia e da Eritréia, buscam melhores condições de vida no Oriente Médio ou na Europa.

O comentário de Jillian Edelstein, um dos membros do júri que premiou a imagem, resume uma reflexão interessante: “É uma fotografia que está ligada a tantas outras histórias – abre discussões sobre tecnologia, globalização, migração, pobreza, desespero, alienação, humanidade”.

A perspicácia do fotógrafo em registrar uma cena tão cheia de significado traz à tona uma série de temas discutidos diariamente em tantas esferas diferentes, mas que estão intrinsecamente relacionados na contemporaneidade. Neste caso, e em tantos outros, vemos que, de fato, uma imagem vale mais do que mil palavras…


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Hoje começou uma série de reuniões de alto escalão entre Coreia do Sul e Coreia do Norte realizada na cidade de fronteira chamada Panmunjom. É a primeira desse nível a ocorrer desde 2007 e, pelo que parece, um dos principais temas a serem discutidos é a questão do programa para reunir famílias separadas em virtude da Guerra da Coreia (1950-1953).

Provavelmente, o norte pedirá ao sul a revisão e até mesmo o cancelamento dos exercícios militares programados para ocorrer do final deste mês até abril. Tais manobras contam com a parceria dos Estados Unidos e todo o discurso diplomático dizendo que os testes com bombardeiros não têm caráter provocativo já está na boca dos líderes e porta-vozes.

Colocar um ponto final nas ameaças de ambos os lados parece impossível, mas tomara que resolvam a questão da separação das famílias. Após a guerra, foi estipulada uma Zona Desmilitarizada da Coreia (ZDC) que proíbe o trânsito de pessoas entre os dois países.


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A Imagem da Semana de hoje é muito mais simbólica historicamente do que impactante em si. Trata-se de uma foto em que a recém presidente eleita do Chile, Michelle Bachelet, planta uma árvore em homenagem à morte do ex-presidente Eduardo Frei Montalva, o mesmo homem responsável pela derrota de Salvador Allende nas eleições de 1964. 

O episódio, certamente um dos maiores exemplos de intervenção do governo do EUA sobre a política na América Latina, só pôde ocorrer graças a uma contribuição das agências americanas com estratégias e o financiamento da propaganda política pela vitória de Montalva.   

Com a posse, Montalva foi o primeiro política chileno a apresentar um projeto desenvolvimentista baseado em empréstimos internacionais, privatizações e apoio à livre iniciativa, exatamente o oposto ao projeto socialista de Allende. O ex-presidente era ainda muito influente durante a ditadura militar chilena, até mesmo quando o líder socialista morreu na cadeia. 

Mas o que tudo isso tem a ver com Bachelet? A presidente atual é uma política de origem socialista, do mesmo partido criado por Allende. A sua homenagem a Montalva é um ato simbólico da convergência das ideias políticas e dos partidos que vêm ocorrendo bastante no Chile. Uma socialista de origem planta uma árvore em lembrança ao antigo rival, algo pequeno diante da política inicial da presidente, que é basicamente a manutenção dos governos anteriores, todos eles baseados no que foi iniciado por Montalva e aperfeiçoado por Pinochet. 

O Chile é o maior exemplo de política neoliberal “de sucesso” no continente, e também exemplo da falta de novas ideias aos socialistas, da falta de alternativas de governo. Nesse cenário, é mais provável que hajam menos embates ideológicos e maior estabilidade entre governos de partidos diferentes. Em muitos casos, até mesmo o perdão histórico de disputas sanguinárias, como foi durante a ditadura chilena o combate entre socialistas e militares.

Bachelet é até aqui, seja nas homenagens ou durante a formulação das políticas de seu governo, o maior exemplo de que deixou-se de lado a política de oposição, e no continente há uma tendência de convergência ideológica, com exceção dos países governados por líderes ainda da “velha esquerda”, como o caso de Venezuela e Equador.


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E a última semana foi marcada por uma situação tão triste no cenário brasileiro que pode ser retratada não por uma foto, mas por uma charge que, ironicamente, apresenta vários elementos contraditórios de um contexto de crise estrutural no sistema político e prisional brasileiro.

Com um título irônico em referência a uma das grandes belezas naturais do país, vemos o luxo da família Sarney, histórica detentora de poder no Maranhão, se contrapor a uma situação de clara violação de direitos humanos nos presídios do estado. A situação crítica vem de longa data, mas alcançou repercussão nacional e internacional após casos de verdadeira barbárie nos últimos dias, cenas impensáveis – e que deveriam ser inconcebíveis – em um país como o Brasil. 


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Fonte: g1.globo.com

Já que terminou o período de festas de Natal e Ano Novo, vale retomar uma bela imagem que ocorreu no último Réveillon. Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, bateu o recorde com a maior queima de fogos durante as comemorações. Ao todo foi utilizado meio milhão de fogos de artifícios nas famosas ilhas artificiais de Palm Jumeirah e The World. 

Tudo foi acompanhado de perto por fiscais do Guinness. Dubai é uma “cidade show” e virou um cartão-postal internacional. Obteve recentemente a vitória na disputa para hospedar a EXPO 2020, considerada o terceiro maior evento mundial em termos econômicos. Por curiosidade, em 2009 conseguiu quebrar outro recorde com a edificação do Burj Khalifa, o maior arranha-céu construído pelo homem. No total, são 828 metros de altura! Mais e mais propaganda para os turistas se impressionarem. 

O espetáculo pirotécnico que durou cerca de seis minutos pode ser observado em vídeo aqui.


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Fonte: Notícias/Terra

Temos nesta semana aqui na Página Internacional uma imagem “presidenciável”. Trata-se de foto divulgada hoje pelo atual senador Fernando Collor em sua página no Facebook. Nela, além do dito cujo, estão a atual presidente Dilma Rousseff e os “ex” José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. 

A foto foi tirada dentro do avião presidencial durante viagem à África do Sul para as homenagens e o funeral de Nelson Mandela, falecido no último dia 05 de dezembro. 

Com exceção de Dilma, que está com feição de intelectual e magistrada, todos apresentam seus colarinhos brancos. FHC, com um sorrisinho neoliberal, Lula “abraçando” Sarney – este com ar de quem não aguenta mais a política brasileira – e Collor, que ainda tenta esquecer 1992, registram um bom apanhado de quase trinta anos de presidencialismo brasileiro.