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O que Cristina Kirchner, a Política Externa Brasileira, a Estação Espacial Internacional e um livro de George Bush têm em comum? Bem, eles eram tema de nosso blog há um ano!

No final de Outubro, postagem da Bianca comentava como Cristina Kirchner tinha uma missão árdua pela frente – com a recente morte de seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner (que por sinal completou um ano no último dia 27), a presidente argentina deveria mostrar a que veio e “construir a identidade própria de seu governo”. Aparentemente, um ano depois, ela conseguiu – não apenas desenvolveu um estilo bastante midiático e popular, como leva o país a uma onde de recuperação econômica e conseguiu se reeleger para mais quatro anos (completando 12 anos ininterruptos de “kirchnerismo”).

Em seguida, um post da Andrea abordava a questão da política externa brasileira no contexto das eleições presidenciais de então. O grande debate era sobre os rumos que nossa política tomaria a depender do candidato que fosse eleito, e como o tema fora tratado em campanha – via de regra, de modo superficial. Ainda é muito cedo para avaliar de maneira mais profunda o atual governo nessa área, contudo, o primeiro ano de governo Dilma parece demonstrar certa mudança com relação ao anterior. O tratamento de temas como Direitos Humanos parece diferenciado, e muito mais que um país emergente em busca de novos aliados e oportunidades, agora o Brasil parece ter se estabelecido quanto a um papel de destaque (já se fala em figurar entre as seis maiores economias do mundo dentro de 15 anos por causa da crise econômica europeia, ultrapassando até mesmo a Alemanha) e enfrenta o desafio de manter essa dinâmica.

No dia 1º, este que vos escreve comentou sobre a comemoração dos dez anos da Estação Espacial Internacional, e como essa empreitada é um esforço internacional de cooperação muito bem-vindo. Um ano depois, as coisas não andam tão bem – nesse meio tempo as cápsulas russas que enviariam suprimentos sofreram com problemas no lançamento e as “entregas” estão atrasadas, e já se fala em planos de emergência para abandonar a estação e deixá-la no “piloto automático” por falta de suprimento pros astronautas. Enquanto isso, os EUA parecem cada vez menos inclinados a fazer missões espaciais, o programa do ônibus espacial foi encerrado definitivamente, e o programa espacial chinês continua evoluindo a todo vapor. Ao mesmo tempo, a agência espacial européia e a Rússia buscam prorrogar o período de atividade da ISS (para além de 2015), o que vem em boa hora. Agora que a humanidade chegou a 7 bilhões de habitantes, talvez seja a hora de considerar seriamente a possibilidade de mandar pessoas pro espaço (literalmente) em um futuro próximo, e estudos como os da ISS são fundamentais para isso…

No dia segunte, o Giovanni fazia uma brincadeira com o halloween e festas juninas para tratar de um assunto sério, o envio de pacotes-bomba para embaixadas e representações em países europeus. Aparentemente, foram motivados pela crise econômica e social, não tiveram vítimas graves. Mas hoje os países da UE enfrentam situação bem pior, com uma bomba ainda mais destrutiva em suas mãos, que é a crise econômica cujo remédio é amargo e vai trazer insatisfação ainda maior, com protestos crescentes e uma crise institucional que põe em risco a própria sobrevivência do bloco.

Por fim, no dia 3, o Raphael comentava do lançamento do livro de George Bush explicando (e justificando…) suas traquinagens ao longo de 8 anos de Casa Branca. O tema era muito mais sobre persuasão e como exercer outras formas de poder, indiretas, mas não menos efetivas. E o tema não seria menos atual – basta tomar o caso da Wikileaks. Aquele site amado por muitos, temido por tantos outros, que estava desvelando segredos e escândalos internacionais, dos mais divertidos aos mais aterradores, vai muito provavelmente encerrar suas atividades por tempo indeterminado pelo simples fato de que não consegue se manter. A falta de fundos foi imposta por um bloqueio sistemático de operadoras de cartões e outras empresas a suas fontes de financiamento. Somado às suspeitas acusações contra seu criador que renderam um processo judicial na Suécia, vê-se que existem formas muito sutis – mas não menos efetivas – de exercer poder e enfrentar “ameaças” aos Estados (além de abrir um precedente terrível contra a liberdade de circulação de informação…).

Enfim, post longo, mas com assuntos instigantes, e mostra como a atualidade ainda reflete de maneira profunda eventos não tão distantes. Afinal, é pra isso que temos essa seção – e vamos que vamos, postando e relembrando…


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O 30 de setembro de 2010

Um ano depois dos lamentáveis eventos no Equador, pouco foi esclarecido. A versão oficial segue sustentando que houve uma tentativa de golpe de Estado. De concreto, cabe destacar os processos judiciais contra três figuras importantes da revolta: César Carrión (acusado de tentar assassinar Rafael Correa), Fidel Araújo (suposto organizador do movimento) e Rolando Tapia (acusado de atentar contra a segurança interna do Estado). Por outro lado, as famílias das 10 pessoas mortas naquele dia ainda esperam a finalização do processo e a responsabilização dos culpados.

Curiosamente, poucos dias antes da sublevação policial, havia publicado um post contando um pouco da recente história equatoriana, marcada pela instabilidade e por bases democráticas pouco consolidadas. Correa foi justamente o presidente que conseguiu quebrar este ciclo, construindo uma forte coalizão que consubstanciou seu projeto de revolução popular. Como em outros movimentos que dizem defender os direitos dos que mais precisam, enfrentou resistências de diversos setores. Há os que amam o presidente e há os que o odeiam, poucos são indiferentes. Sua forma de governar desperta conflitos e seu projeto cidadão não é unânime.

Ainda que sob controle, a instabilidade voltou por um dia, relembrando os equatorianos de tempos mais sombrios. Tudo começou com a aprovação de um projeto que incidia sobre alguns direitos dos servidores públicos. Por alguns bônus cortados, teria iniciado a movimentação de setores dos policiais e militares, que culminou na sublevação do 30 de setembro. Aí reside a principal fonte da discórdia entre analistas. Teria sido uma revolta corporativista contra a nova lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente? Ou, foi um movimento, ensejado por forças políticas somadas a um grupo de policiais e militares, que tentou tomar o poder à força?

Apesar de não esclarecido, o dia ficará marcado por mudanças importantes. Correa saiu fortalecido, apoiado pela UNASUL e por movimentos populares, viu sua retórica ganhar um importante aporte. De fato, agora ele podia apontar uma ameaça tangível para defender que a democracia ainda está em jogo no Equador e, mais que isso, que existem forças tentando voltar ao passado. Assim, pôde fortalecer sua cruzada contra a mídia, denunciar setores retrógrados dentro da oposição e consolidar a revolução cidadã, para a qual parece não existir mais volta. Caso volte a ocorrer algo similar, o Correa deixou claro “Daqui saio como presidente ou cadáver, mas jamais abriremos mão de nossos princípios”.

Resta saber se esta é uma referência à auto-proclamada revolução cidadã ou ao projeto de poder iniciado em 2008 com a nova constituição do país. Afinal, o que são princípios mesmo?


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Há um ano, as coisas andavam agitadas na Página Internacional. Entre as principais análises feitas no momento, estava o anúncio do cessar-fogo permanente do grupo separatista basco ETA. Apesar de oficialmente ter deixado a luta armada pra trás (e não ter dado muitas confirmações disso, fora declarações esporádicas), isso não significa que o grupo esteja desmobilizado. Houve até indícios de que membros do ETA treinaram colegas das FARC – mostra de uma atividade que ainda deixa a Espanha e boa parte da Europa com um pé atrás até hoje.

Outro ponto levantado era a questão da imigração. Em um post que relatava problemas recentes na França e no México, o tema principal era a própria escolha e dificuldades da imigração. Não poderia ser mais atual, especialmente quando consideramos o quadro de tensões entre Europa e norte da África. A escalada de conflitos internos na onda de revoltas mediterrâneas se soma-se aos problemas econômicos europeus, criando um quadro nada convidativo aos imigrantes. A revisão das políticas de imigração e problemas na Itália e França são apenas a ponta de um iceberg muito perigoso.

Agora, se houve uma situação que se degradou bastante, foi a de Israel. Há um ano, se comentava a volta dos EUA como mediadores do interminável processo de paz entre Israel e palestinos, e como isso afetava os interesses iranianos na região. Teria continuado mais do mesmo hoje em dia, se não tivesse havido dois problemas, a questão da flotilha turca de ajuda a Gaza e a revolta no Egito. A primeira azedou completamente as relações entre dois aliados de décadas; o relatório da ONU sobre o desastrado ataque à flotilha livrou a cara de Israel, mas ainda assim a Turquia exige uma retratação que nunca vai vir. O efeito mais drástico disso se deu na semana passada, com a expulsão do embaixador israelense da capital turca, Ancara. Já a segunda questão, com a queda de Hosni Mubarak, fez Israel perder um dos poucos aliados que tinha em países árabes e resultou em problemas com terroristas atravessando território egípcio para atacar Israel pelo sul, ao que respondem com ações armadas que já afetam o Egito. Se com a onda de revoltas, pode-se dizer que no Oriente Médio ficou “cada um por si”, do Irã ao Marrocos, Israel fica mais fragilizado que os demais, ao colecionar novas inimizades e deixar de receber paulatinamente o apoio dos (política e economicamente) desgastados EUA.

Se as coisas parecem ter piorado, resta a expectativa de que daqui a um ano possamos relatar eventos mais positivos. Mas por enquanto, é isso aí pessoal, postando e relembrando.


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Hoje vamos fazer uma edição especial do nosso já muito conhecido exercício de memórias. Dessa vez, vamos olhar para um evento que marcou tanto o ano passado que a mídia e o governo do Chile à época vieram a chamar de um divisor de águas na história chilena: o acidente dos 33 mineiros chilenos. Não se deu exatamente um ano depois do resgate, mas no ano passado a essa altura, a mídia nos bombardeava com notícias sobre o paradeiro dos mineiros e os planos do governo para retirá-los da mina (para o post escrito sobre o tema, clique aqui).

Já discutimos por aqui se muitos eventos que a mídia ou governos veiculam como marcos ou rupturas representam de fato mudanças (clique aqui para o texto). Agora, o caso dos 33 mineiros foi de fato um marco na história chilena?

Bom, se estamos falando de um marco no qual pessoas seriam para sempre lembradas como heróis e a partir do qua a forma da população ver o governo seria diferente, a resposta pende bastante para o não. Aquilo que serviu como catalisador da unidade nacional e catapultou a popularidade do presidente Sebastián Piñera, hoje já é pouco lembrado no país.

Os mineiros passaram, para muitos, de heróis nacionais para aproveitadores nacionais. Os altos cachês por entrevistas e os processos realizados contra o Estado chileno por negligência têm provocado a revolta contra aqueles que antes eram vistos como os arautos do orgulho da nação chilena. Há também o lado dos próprios “33 do Atacama”. Insatisfeitos, esquecidos pelo governo, em estado pós-traumático e sem prospecção de melhoria de vida, eles são mais lembrados fora do país do que dentro dele.

O fato é que nem mesmo Piñera conseguiu aproveitar muito o sucesso da operação de resgate. Hoje, graças aos protestos por educação universitária gratuita, o presidente tem enfrentado a maior crise de seu governo e sua popularidade voltou a cair. Observa-se que eventos capazes de mudar o curso de determinada história são difíceis de ocorrer. Mesmo aqueles que parecem trazer inflexões grandes para um país, com a mesma velocidade com que rapidamente dominam os meios de comunicações, caem no esquecimento.

O Chile continua dependendo grandemente do cobre. Mineiros continuam com direitos trabalhistas e condições de trabalho precárias (tanto que outros mineiros envolvidos no caso somente receberam indenizações mais de um ano depois). Piñera continua com a popularidade baixa. É, pelo visto algumas coisas precisam de muitos mais do que um ano para mudar e nem sempre serão a mídia e o governo aqueles que ditarão o que é de fato um divisor de águas. É isso aí pessoal, postando, questionando, comparando e relembrando.


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Há um ano o blog tratava de alguns assuntos que mantém sua atualizade mesmo hoje. Parece chavão, mas deve ser uma das provas de como a evolução do processo internacional é lenta e gadual…

No dia 9 de agosto, comentávamos sobre os 65 anos das bombas atômicas lançadas sobre o Japão na II Guerra Mundial. O final do texto falava um pouco desse pesadelo nuclear ainda ser uma ameaça real e até mesmo absurda no mundo de hoje. Ironia do destino, ou um presságio funesto, no ano seguinte o Japão se vê assolado novamente por esse terror, claro que por razões bem diferentes, mas que ainda assim mostra como a energia nuclear pode ser um tema controverso e que desperta debates apaixonados. Num momento, é a salvação da lavoura com o “fim” do petróleo, e até ambientalistas dão o braço a torcer; noutro, é desculpa pra radicais fazerem bombas atômicas ou uma ameaça latente nos reatores nucleares mal-administados…

No dia 10, comentávamos sobre as relações entre Colômbia e Venezuela. Com a saída de cena do combativo Uribe, havia a expectativa da reconciliação de seus líderes Chavez e Santos, encarada como um “espetáculo”, quase que planejada. Dito e feito: os países estão em bons termos novamente, e o espetáculo continua, agora com o tratamento médico de Chavez. Sua luta aguerrida e otimista contra o câncer acaba sendo uma mostra de tenacidade que tem tudo pra aumentar muito sua popularidade (já está confiante para as eleições de 2012), principalmente nesse contexto de crise em que a Venezuela se encontra.

Por fim, no dia 13, falávamos da “síndrome de Dom Quixote”, que nas Relações internacionais parece afetar muitos líderes mundiais, em que atitudes consideradas sem muito juízo na verdade são revestidas de interesses bem específicos. Os eventos recentes no Oriente Médio, em que vemos mandatários enviando suas forças armadas pra enfrentar civis, da Síria à Líbia, mesmo com a condenação internacional, mostram o quanto essa “loucura” parece estar preesente no dia-a-dia internacional.

É isso aí pessoal, postando e relembrando.


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Nas Relações Internacionais, uma coisa puxa a outra. Há (cerca de) um ano, duas postagens da Página Internacional se referiam ao tema do Oriente Médio e seus problemas intermináveis. No dia 6, Giovanni comentava exatamente sobre esse aspecto de déjà vu quando analisamos a questão da paz na região, então pautadas na negociação com os EUA em um misto de ceticismo e esperança. Em seguida, no dia 10, Luis Felipe comentava sobre as negociações e como não frutificaram. A conclusão (como era de se esperar) foi de que o processo de paz na região estava muito longe de se concretizar…

Vamos transpor essa questão para outra região, não menos conturbada? O Afeganistão e seus vizinhos estão em situação igual ou pior à do Oriente Médio, sem vislumbrar uma saída próxima. Com Bin Laden morto, os EUA estão se retirando o mais rápido possível, e deixam o abacaxi dos insurgentes para o próprio governo afegão. E os problemas não se restringem às suas fronteiras.

O mais imediato é o Paquistão. As suspeitas de colaboração interna ao terrorista por lá e o mal-estar que se seguiu à operação dos SEALS está causando muitos problemas no até então maior aliado dos EUA na região. Estes vão cortar um bom naco da ajuda militar que prestavam ao Paquistão, tudo indica que a violência no país aumentou desde que se deu a eliminação do homem mais procurado no mundo, e já se diz que seu sucessor teria dado as caras em regiões isoladas, o que obviamente tende a piorar a questão.

Outro em maus lençóis é o Quirguistão. Com o fim das operações no Afeganistão, existe uma grande probabilidade de que seja fechada a base norte-americana no país (o principal ponto de abastecimento dos EUA para as missões em território afegão), que além de gerar alguns atritos com a Rússia é uma grande fonte de renda para o país, com o aluguel e taxas administrativas. A perda dessa fonte de renda seria por demais danosa a um país ainda imerso no caos da reconstrução após a turbulência política do ano passado, e onde acusações de impunidade e violência são constantes.

A solução de conflitos no Oriente Médio parece um problema sem fim, mas do jeito que as coisas andam não vamos ter um quadro muito diferente nessa região montanhosa da Ásia, nem daqui a um ano, nem um futuro próximo…


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Outra vez nos aventuramos por antigos textos da Página Internacional. Como sempre, exercitamos nossas memórias e tentamos impedir que as histórias dos acontecimentos mais antigos tornem-se contos esquecidos, e que os eventos que as desencadearam percam-se em meio ao bombardeio diário de notícias mais recentes.

O tema do texto postado há exatamente um ano foi o Quirguistão. Nada mais prudente do que relembrarmos um pouco do que o Álvaro escreveu, aproveitarmos a deixa para tratarmos um pouco da história do país e relembrarmos aquilo que já foi dito pelo blog sobre o tema. Bom, no texto “Novos ares, velhos problemas”, nos é apontado que o referendo sobre a adoção de um regime parlamentarista no país teve um resultado a favor do novo regime. Como bem apontou Álvaro, foi a primeira vez que um país que compôs o bloco soviético adotou caminho diferente daquele do tradicional presidencialismo (para mais sobre as eleições de 2010, clique aqui).

A verdade é que esse país há tempos vive em uma luta constante entre continuidades e rupturas. Proclamada sua independência em 1991, a população é dividida entre a maioria quirguiz (aproximadamente 70%) e uma parcela significativa de uzbeques (cerca de 30%). Se de um lado observam-se tensões entre essas duas camadas populares provenientes da ruptura com o sistema da guerra fria, de outro, o que vemos é a preservação de uma relação diplomática conflituosa no país, entre Rússia e Estados Unidos, remontando os antigos tempos da bipolaridade. Atualmente, tanto os Estados Unidos quanto a Rússia mantém bases militares no país e ambos realizam pressões recíprocas para o fechamento daquelas do outro.

Mas aquilo que colocou o Quirguistão no foco dos noticiários nos últimos anos não foram os problemas que compartilha com muitos outros países do mundo – bases militares estrangeiras, corrupção ou improbidades administrativas diversas –, e sim a reação das organizações da sociedade civil a alguns desses problemas. Para se ter uma ideia, as manifestações populares que ocorreram na última metade de década (uma em 2005 e outra em 2010) tiveram efeitos interessantes sobre a política local, depondo líderes após líderes e chegando, hoje, a um novo regime de governo. E esses efeitos ainda se estendem até esse ano, semeando na mente dos populares mais dúvidas e incertezas.

O Quirguistão ainda se encontra naqueles rincões esquecidos do mundo. Mas, se forem pelos eventos que se desenrolam no país, seja pelas amplas capacidades de mobilização, seja pelo grau de violência utilizado, podemos dizer que o país irá atrairá muito a atenção do mundo e os holofotes da mídia.

Para não me estender muito mais do que isso, gostaria também de apontar algumas referências de textos do blog que tratam diretamente sobre o tema: A primeira seria a aplicação do Realismo em um caso concreto (em nossa coluna conversando com a teoria), escrito pelo Giovanni, e outro, de minha autoria, sobre os eventos da manifestação de 2010.

Bom, é isso aí, pessoal, postando, refletindo e relembrando!

[Mais sobre há uma interessante reportagem da bbc sobre o país, acesse clicando aqui. Para a descrição do país no Factbook da CIA, clique aqui]


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Enquanto um ano se passou na história mundial, no complexo livro das relações internacionais talvez tenha passado nada mais do que alguns grifos que ressaltavam alguns temas. Os destaques aos leitores se foram, mas muitas dessas questões ainda prosseguem, enquanto aguardam um novo grifo de outro leitor em um novo momento.

Agora, no livro das postagens da Página Internacional, há um ano, tínhamos um cenário de crises. Tensões como aquela entre as Coreias ou como aquela velha história do programa nuclear iraniano. Dois temas que foram bem retratados no texto “Dominó Mundial”, de autoria do Álvaro, no qual ele aponta que em ambas questões as divergências entre o tio Sam e o dragão chinês eram evidentes.

Essas diferenças formariam um grande dominó mundial, no qual a oposição em uma questão impediria a negociação em outra. Um ano depois, podemos dizer que essas peças ainda estão delicadamente posicionadas no tabuleiro mundial, com a ressalva de que poderio econômico pode não necessariamente significar influência em todos os âmbitos da política.

Isso porque a China nem chegou a votar contra as novas sansões econômicas contra o Irã aprovadas pelo Conselho de Segurança (lembrando que com duas abstenções: Brasil e Turquia), acatando com a decisão dos cinco gigantes do veto.

Por isso mesmo, relembrar esse texto caberia dentro de muitas discussões interessantes. E essa tal ascensão da China e declínio do poderio americano? De fato podem ser levados em consideração quando tratamos da nova ordem mundial? Será que dá pra dizer que a economia é um ambiente de muitos países hegemônicos enquanto que na esfera da segurança o Tio Sam ainda mantém sua hegemonia? Se sim, como isso seria?

De fato, podem-se levantar muitas questões. E dentre todas essas dúvidas, alguém que antes era manchete torna-se mero coadjuvante nas notícias quando a primavera árabe desabrocha. E o Irã? Apesar de pouco se falar de programa nuclear, Ahmadnejad ainda é tema de muitas notícias já que anda em uma relação conflituosa com os líderes religiosos do país, os aiatolás. Enquanto se equilibra na corda bamba, o presidente iraniano agradece ao novo foco da imprensa internacional e das declarações de Obama.

E no final das contas, no livro das relações internacionais, o Irã agradece a falta de atenção, a China fortalece-se como potência econômica, os Estados Unidos experimentam limitações hegemônicas; enquanto o dominó mundial ainda é instável e espera um simples sopro para desabar em mais crises…


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Há um ano, o cenário internacional não se encontrava tão agitado como neste momento de 2011, em que nos vemos cercados de polêmicas diversas, tais como a morte de Bin Laden, a prisão do chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) por abuso sexual e a declaração de prisão de Kadafi, o ditador líbio, por parte do Tribunal Penal Internacional acusado de crimes contra a humanidade. Relembremos alguns fatos, pois.

Por falar em FMI, há um ano a Grécia estava recebendo um pacote financeiro de ajuda internacional por conta de suas dificuldades internas ainda em conseqüência da crise mundial. Este ano, Portugal é que está vivendo situação muito similar, tendo sido aprovado ontem um plano de resgate para o país a partir de recursos do FMI em conjunto com a União Européia. Passam os anos, mas a União Européia permanece com suas grandes desigualdades, sendo que o receio é que a “crise grega” do ano passado possa “contagiar”, de alguma forma, o conjunto da Zona do Euro.

Também é válido destacar que, neste período do ano passado, Obama estava entre “dengos e afagos” com o presidente afegão Hamid Karzai na Casa Branca. E eis que, aproximadamente um ano depois, Obama se vangloria internacionalmente por ter eliminado o inimigo número um dos Estados Unidos da América, Osama Bin Laden, em terras paquistanesas, depois de anos durante os quais todos acreditavam que ele estivesse no Afeganistão. Contudo, a polêmica gira em torno dos meios utilizados para “promover justiça”… até que ponto os fins podem efetivamente justificar os meios?

Há um ano outro fato interessante é que Lula estava no Irã em meio a (tentativas de) negociações com Ahmadinejad. O mesmo Ahmadinejad que está hoje enfrentando tremendas dificuldades internas devido a afrontas ao líder religioso supremo do país.

Será que daqui a um ano os comentários serão diferentes a respeito destes acontecimentos? De fato, existem coisas que só o tempo poderá nos dizer. Enquanto isso, vamos postando e relembrando…


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Dia 22 de abril. Nesse ano, momento para se comemorar a Páscoa, tempo de celebrar memórias religiosas. Ao mesmo tempo, só por curiosidade o dia da Força Aérea Brasileira, do Planeta Terra e também do Descobrimento do Brasil. Se é um dia de tantas lembranças, por que não usá-lo também para lembrar textos e questões memoráveis que tratávamos há um ano? O famoso exercício de memórias da Página Internacional será o tema de hoje.

Comecemos pelo post que se deu há exatamente um ano. Um texto de minha autoria (clique aqui para ler) que discutiu o ultimato do famoso caso das Papeleiras, entre Uruguai e Argentina. Sim, aquela polêmica ocasião de um contencioso entre os dois países quando da instalação de indústrias papeleiras do lado uruguaio do rio Uruguai iniciada no ano de 2003. Discuti a decisão da Corte Internacional de Justiça que condenava a ação uruguaia, mas não o obrigava a desativar as indústrias. Ambos governos declararam-se satisfeitos e pouco se ouviu sobre a questão desde então.

Na mesma semana, o Kita discutiu a história da Polônia (clique aqui para conferir). O texto veio no contexto do acidente de avião que causou o falecimento do então presidente polonês, Kaczynski e de sua comitiva. Foram retomados momentos marcantes da história polonesa mostrando que esse povo não teria a necessidade de criar mártires ou fantasiar contos de identidade nacional já que sua história já foi sofrida o suficiente para demonstrar a determinação dos poloneses.

O Giovanni também tratou, em seu post, de uma questão interessante que pode ser discutida até hoje, um suposto paradoxo do governo de Obama. À época, ao passo que o governo recebia avaliações negativas de desconfiança no plano interno, no plano externo, era visto como portador de possíveis mudanças, ou seja, possuía uma visão positiva. Esse paradoxo materializou-se no final do ano de 2010 pela perda de maioria no congresso. Há aqueles que dizem que Obama será um novo Jimmy Carter, um outsider na política estadunidense que não terá forças para se reeleger. Seria esse outro presidente de um mandato só? Mandato que pode ter sido minado ao final do ano de 2010. Agora com o anuncio de sua campanha de reeleição, o presidente estadunidense ainda terá que trabalhar muito para manter-se no governo.

Esses foram alguns dos temas tratados no blog há ano. E é isso aí, pessoal, lembrar é sempre bom para refletirmos sobre algumas questões atuais. Que continuemos postando e relembrando!


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