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Um ano se passou desde a morte de um dos nomes mais comentados na última década: Osama Bin Laden. A polêmica envolvendo a morte do, até então, “homem mais procurado do mundo” dominou as postagens do blog há um ano. [(Re)Veja os posts aqui, aqui e aqui.] 

As incertezas em relação ao modo como o terrorista foi capturado/assassinado/sepultado ainda geraram polêmica por vários dias, mas já se desenhava a certeza de que Osama seria um trunfo importante para (o seu quase xará) Obama. Aqui estamos nós, um ano depois, em meio ao furor das eleições norte-americanas. E as previsões se confirmam, é claro. 

As decisões de Obama envolvendo Bin Laden estão sendo fortemente “publicizadas” no sentido de demonstrar o perfil de um líder destemido, pronto a correr riscos pelo bem e pela prosperidade dos Estados Unidos. [Veja aqui vídeo recente da campanha de Obama protagonizado por Bill Clinton exatamente sobre o “caso Bin Laden”.] 

Fato, contudo, é que a morte de Bin Laden foi a única conquista “a não ser adulterada por políticas partidárias e a ser comemorada por praticamente todos os americanos, de todas as inclinações políticas” durante a gestão Obama. O caminho eleitoral ainda é longo até novembro, quando acontecem efetivamente as eleições norte-americanas. E com certeza referências de um ano atrás não vão faltar em meio aos acalorados debates entre os candidatos. 

Curiosamente, há um ano tivemos ainda no blog uma postagem de temática bastante similar ao post dessa semana sobre a União Europeia. Vários são os questionamentos sobre o futuro da integração europeia diante de seus desafios contemporâneos. 

Enquanto, no ano passado, o Giovanni finalizava seu post com uma reflexão mais cética, sugerindo que a mesma diferença que conduziu à união poderia levar à sua desagregação, este ano o Cairo desenvolveu em seu texto vários elementos importantes em relação ao bloco de forma mais otimista – sem deixar, contudo, de também reconhecer as dificuldades ainda enfrentadas pela União para se consolidar dia após dia em um complexo cenário de crise econômica. Trata-se de uma temática com certeza inesgotável e sobre a qual certamente ainda leremos muitos posts na Página Internacional… 

Conforme o tempo passa, vemos uma série de permanências e mudanças que delineiam cotidianamente as Relações Internacionais. Seguimos, então, postando e relembrando! 


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E vamos relembrando as postagens que marcaram o início de abril de 2011. O tema quente da época era a questão da “Primavera Árabe”, que já esfriava, com a questão dos refugiados tunisianos “invadindo” a Europa. O tema definitivamente virou algo de menos impacto hoje, um ano depois – ao menos, o impacto na mídia ocidental, já que na maioria dos países em que houve agitação continua a haver incerteza (como na própria Tunísia) ou mesmo uma situação de violência persistente, como na Síria. Este é um país que se relacionaria bem com outra postagem, sobre as intervenções ditas “humanitárias” e seus interesses ocultos que se amparam na moral das armas e na promessa de lucros. Ora, a Síria é o caso exemplar de como interesses escusos fazem com que não haja uma intervenção. E se houvesse, seria uma solução mesmo? Em um primeiro momento cessaria a matança de civis, mas depois haveria condições para essa mudança se sustentar? Se sucederia um caos similar ao da Líbia? Dá o que pensar… 

Falando em Síria, um dos que blindam o regime de Damasco na ONU é a China – e esse país era tema de postagem também, afinal, iria ocorrer a primeira viagem oficial de Dilma ao Império do Meio, e havia muito o que comentar sobre a crescente relação econômica com o Brasil. Muito pouco mudou hoje – a China já é nosso maior parceiro comercial, e apesar de lutar ao lado do Brasil em alguns fronts políticos, como buscar mais representatividade no FMI, e mesmo na economia há progresso com acordos de investimentos e coisas do tipo, mas ainda há rusgas quando se fala em guerra cambial e nas medidas protecionistas brasileiras. Por enquanto estamos no estágio do “amigos, amigos, negócios à parte”, mas uma hora essa bomba vai estourar. 

Por fim, uma postagem sobre as eleições do Peru – e a falta de perspectiva acerca dos candidatos favoritos, cujas opções seriam como escolher entre “uma doença terminal e AIDS”. Pairava uma certa incerteza contra o futuro vencedor, Ollanta Humala, um ex-militar golpista. No fim das contas ele fez um discurso “paz e amor” à la Lula e hoje goza de uma aprovação bastante expressiva (apesar de ainda ser alta a taxa de reprovação e haver um certo escândalo por conta de favorecimento a seu irmão preso). Esse é um que precisa abrir o olho pra manter o país estável após anos de estabilidade com Alan Garcia. 

É isso aí pessoal, postando e relembrando!


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Desta vez, faremos um pouco diferente do usual. Olharemos não só para o que comentávamos em 2011, mas também passaremos brevemente por 2010.

Começamos pelo ano passado, quando recebemos uma contribuição da leitora Ana Elisa, na qual se discutia a política externa brasileira e a busca por maior protagonismo internacional. Se por um lado o Brasil tentava incursionar pelo Oriente Médio, tanto nas negociações de paz como através da aproximação com o Irã, por outro deixava as relações com países vizinhos em um quadro secundário. Para a leitora, a postura de nossa política exterior deveria ser repensada, focando-se em nossos parceiros mais evidentes.

Logo em seqüência, Ivan trouxe para debate um tema pouco (ou nada) tratado. Uma discussão a portas fechadas sobre a criação de um organismo internacional, nos moldes da OMC, com o objetivo de combater a pirataria em medicamentos, produção industrial, propriedade intelectual, entre outros. A principal crítica levantada pelo colaborador era a maneira que foi escolhida para condução da discussão: portas fechadas, apesar o evidente interesse público. O risco envolvido de invasão de privacidade fazia premente um maior envolvimento de todos na questão. Neste caso, no entanto, a morosidade nas discussões internacionais emperrava uma resolução rápida destas negociações. O texto final do acordo foi elaborado em maio do ano passado, sendo assinado por alguns países já em outubro.

Para finalizar, voltamos um pouco mais no tempo. No dia 22 de março de 2010, em artigo escrito por Álvaro, tratávamos da aprovação do Congresso norte-americano da prometida reforma da saúde no país. É a tal “Obamacare”, tão atacada e criticada pelos candidatos republicanos à presidência. Assim, ficava marcado um dos passos finais para a instauração de um novo sistema de saúde efetivamente público, com preços bem mais baixos que os do setor privado. Idealmente a saúde deixava de ser estritamente um negócio, passando a ser um serviço público que abrangia a maioria dos cidadãos do país. Este tema está sendo revisitado nas primárias do partido republicano, novos capítulos ainda virão.

Seguimos postando e relembrando! 


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E cá estamos, um ano depois, relembrando os textos e assuntos que foram postados no blog e que eram pauta na mídia nacional e internacional. Seguimos com nosso exercício de memórias! Há um ano, a “Primavera Árabe” ocupava as manchetes e era tema recorrente no blog.

Tanto a Bianca quanto o Luiz Felipe postaram textos que abordavam a mesma questão, mas de maneiras muito distintas. Primeiramente, no dia 23, no texto “Pão e Circo”, questionou-se a forma que alguns dos ditadores e monarcas tentavam driblar as demandas da população oferecendo garantias que notadamente trariam benefícios sociais, mas cujos conteúdos não se relacionavam com aquilo o povo buscava. Arábia Saudita e Bahrein, eram claros exemplos nos quais oferecia-se algumas benesses aqui enquanto reprimia-se e massacrava-se acolá.

Já o Luiz Felipe nos apresentou um texto que embora abordasse também a “Primavera Árabe”, tinha um foco bem diferente (confira aqui). Se, até aquele momento, o bafafá todo no Oriente Médio tinha algum vencedor, esse, com certeza, estaria na América Latina. Ou melhor, seria uma figura muito bem conhecida por nós cuja imagem é facilmente ligada a complicações e discursos inflamados: Hugo Chávez. Bom, o post nos mostra como as revoltas árabes estavam causando que os preços do petróleo alavancassem e, a Venezuela, por ser a grande produtora de petróleo que é, buscava aproveitar-se dessa maré de sorte. Apesar de o país encontrar-se em períodos de elevada inflação, crises energéticas e recessão econômica, a alta do petróleo aparecia como uma interessante margem de manobra que poderia ser aproveitada para driblar o discurso dos opositores.

Outro texto digno de nota, postado durante essa semana, foi escrito pelo Giovanni (clique aqui para conferir). Abordar a temática do desenvolvimento nacional é algo sempre muito atual e que, mesmo um ano depois, traz interessantes questionamentos. Ele nos coloca reflexões sobre em que vias o Brasil tem andado quando o assunto é desenvolvimento e para onde esse caminho poderá nos levar, opondo os ganhos e previsões positivas no campo econômico aos índices nada instigantes do lado social.

Um ano depois vemos como há temáticas que permanecem muito atuais enquanto outras, como a Primavera Árabe, tem, supostamente, perdido o seu encanto de novidade e o seu brilho de outrora. Todavia, também vemos que as lutas e mudanças são um processo bem mais lento do que se imagina e com consequências para partes que seria difícil vislumbrar.

É isso aí, pessoal, postando e relembrando!


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Há um ano, o assunto mais comentado no blog (e na mídia em geral) era a ascensão da “Primavera Árabe”, especialmente na Tunísia e no Egito. O dia 11 de fevereiro se tornou um marco internacional com a queda de Mubarak, responsável por décadas de ditadura egípcia, e com o sucesso dos movimentos populares de contestação no país. Um ar de esperança dominava o ambiente internacional e amplas eram as expectativas de renovação.

Neste ano que se passou, contudo, a euforia tem cedido lugar à frustração dos cidadãos, na medida em que a queda de Mubarak não proporcionou também a (esperada) queda dos dois pilares de seu regime: a forte repressão do Estado e o sistema econômico injusto, segundo uma professora de Ciências Políticas na Universidade Americana do Cairo. A data foi comemorada esse ano como um “aniversário sem revolução”, enquanto a forte corrupção e os conflitos políticos assolam o país em meio à (já não tão eufórica) esperança popular por mudanças.

Um ano atrás, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) também lançava seu conhecido relatório Food Outlook, no qual uma grave crise alimentar era anunciada para 2011. De fato, as (tristes) expectativas se cumpriram e o último ano foi marcado por uma situação alarmante no Chifre da África, especialmente na Somália. Devido às secas prolongadas, a crise de fome tem afetado mais de 11 milhões de pessoas nessa região, desafiando as iniciativas das Organizações Internacionais e Não-Governamentais. No início deste mês, foi anunciado pela ONU o fim do “estado de fome” na Somália, mas um terço da população ainda necessita de ajuda urgente e contínua da comunidade internacional.

Enquanto em 2011 nesta época comentávamos ainda sobre as expectativas em relação ao encontro diplomático de Dilma Rousseff com Barack Obama e o reforço das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, há poucos dias comentamos aqui no blog sobre outra viagem diplomática da presidente. Neste ano de 2012, a presidente foi a Cuba, demonstrando a diversificação diplomática do governo e o reforço para a construção de uma agenda cada vez mais multilateral. Novo ano, novas perspectivas?

Por fim, um último importante fato comparativo entre 2011 e 2012 merece atenção: o Conselho de Segurança da ONU e seu polêmico e persistente sistema de veto. Há um ano, os Estados Unidos assumiram seu apoio a Israel e vetaram – contra o posicionamento geral – o projeto de resolução que condenava a política israelense de construção de assentamentos nos territórios palestinos ocupados. Neste ano, mais uma vez o veto foi utilizado em situação polêmica – e também contra o posicionamento geral, especialmente estadunidense – só que desta vez por China e Rússia. Aliadas da Síria, estas potências demonstraram-se, por sua vez, contrárias à resolução que indicava a necessidade de renúncia de Bashar al-Assad.

Ambos os vetos foram justificados como “ingerência nos afazeres internos”, mas ambas as situações demonstram claramente que este argumento só é acionado quando se encontra em consonância com os interesses envolvidos. Situação previsível, apesar de demonstrar uma das mais claras fraquezas de nosso sistema internacional contemporâneo. Passa ano, entra ano e, afinal, existem coisas que parecem não mudar nunca…


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Há um ano tanto o blog quanto o mundo andavam bem agitados. O início de 2011 foi marcado por conflitos, tensões e algumas mudanças, que variaram muito, desde revoltas populares nos países árabes – a nossa já bem conhecida “Primavera Árabe” – até atentados contra aeroportos e o início do governo da primeira Presidenta do Brasil. Bom, vamos revisitar um pouco daquilo que foi tratado.

Na semana do dia 25/01, tivemos uma sequência de textos bem interessantes. Primeiro, o Álvaro apontava a decisão da nossa presidenta Dilma de postergar ainda mais a decisão sobre a compra dos caças para a FAB (clique aqui para relembrar). De projeto FX para FX-2 e de decisão de comprar os caças franceses para “reavaliação de todas as propostas”. Esse foi o pé em que a coisa toda estava logo no início de 2011. Vale a pena retomar porque mesmo um ano depois, esse tal pé não caminhou muito.

O segundo texto dessa semana foi publicado pelo Giovanni e tratava das diversas crises que agitavam o início de 2011. A primeira delas foi a queda de Ben-Ali, ditador tunisiano, o primeiro ditador caído da “Primavera Árabe”. No mesmo momento, a população do Egito já se organizava na praça Tahir pedindo a saída de Hosni Mubarak. Outra interessante crise ocorrida foi a de uma bomba que explodiu dentro do aeroporto russo de Domedovo, causando grandes discussões sobre os separatistas da região do Cáucaso. Todos esses temas foram muito bem abordados por ele nesse interessante texto (clique aqui para conferir).

Um terceiro texto que revelava outra tensão de 2011, de minha autoria, tratava da crise política na Costa do Marfim (clique aqui para conferir). O então presidente, Laurent Gbagbo, não queria ceder o cargo para seu sucessor democraticamente eleito Alassane Ouattara. Alguns meses após esse texto, em abril de 2011, a crise culminou na captura de Gbago por forças milicianas, com apoio de forças francesas (essa dúvida sobre se a atuação francesa foi direta ou não gerou até um pequeno bafafá internacional). Já em dezembro do ano passado o ex-presidente marfinense foi levado para o Tribunal Penal Internacional acusado de crimes contra a humanidade, realizados durante esse período de crise.

Bom, há um ano o mundo andava bem agitado. Presidenta no Brasil, tensões e conflitos no mundo árabe e atentados terroristas na Rússia. Algumas dessas questões podemos ver os desdobramentos, enquanto para outras, a ausência de um “resultado concreto” revela a permanência desses temas na agenda dos países. É isso aí, pessoal, postando e relembrando!


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E vamos que vamos, à nossa reflexão rotineira sobre o passado em que vemos como o mundo mudou (ou não…) ao longo de um ano.

Há exatamente um ano, o tema era o conceito de responsabilidade social e como isso estava sendo incorporado à filosofia de empresas. Iia inclusive contra o senso comum (de que seria aplicada de modo seletivo, apenas quando era conveniente), já que o momento de crise demonstrava justamente o contrário, em que a manutenção dessas políticas implicava em sustentabilidade em longo prazo. É bem interessante ver como nos últimos anos tantas empresas começaram a adotar slogans e marketing se vinculando ao lado “do bem”, responsável. De repente, é como se todos, de bancos a empresas de salgadinhos, começassem a se importar com impacto ambiental e social de sua atividade. Não digo que não seja legítimo, mas será que não estamos chegando a um ponto em que isso está se tornando uma mera estratégia de promoção de imagem, que acaba esvaziando o sentido original? Quais desses que alegam isso estão realmente preocupados com a situação e implantando projetos que valham a pena…?

No dia 17, o tema era o recorrente drama das tragédias causadas pela fúria da natureza, e como isso tinha seus impactos de acordo com o desenvolvimento de cada região afetada. Claro que 2011 foi um ano particularmente ruim nesse departamento, e ao longo do ano todo, mas parece que a natureza deu uma aliviada nesse começo de 2012. Fora o que acontece no Brasil nas últimas semanas, com as chuvas e tudo mais, não estamos tão mal (apesar do fato de ser um drama anunciado, e de como nos escandalizamos com o desvio e mau uso de recursos que podia evitar muito disso…). Ainda assim, não temos muito o que comemorar um ano depois, já que permanece a tragédia da ignorância humana. Tivemos essa semana mesmo a quase tragédia da queda de uma sonda russa inutilizada que estava deixando a mídia em polvorosa (mas já caiu no mar), além de muitos outros desastres humanitários como a fome sem fim na Somália, ou a fratura do Sudão. Isso sem contar o esfarelamento do que entendemos como Estado na Síria. Ou a tragédia das negociações (ou a falta delas…) com o Irã. E esses, todos causados pela razão humana, são muito piores que qualquer enchente ou terremoto, por que têm a capacidade de se espalhar assim como seus efeitos…

Por fim, no dia 18, um post do leitor comentava sobre o tema das redes sociais e a personalidade controvertida de Mark Zuckerberg, criador do Facebook da rede mais famosa (e rentável) da atualidade. Um ano depois, talvez a lição que fique sobre o tema, além de Mark estar bem mais endinheirado, seja a mesma da postagem sobre responsabilidade social – nesse intervalo, cresceram a popularidade e a importância dadas a esse tipo de rede, como um local de divertimento, socialização, e por que não, de negócios; ainda assim, será que esse tipo de rede tem essa importância toda? Seu potencial de inserção é plenamente utilizado? Ou é uma integração “ilusória”? Até que ponto o que se passa lá dentro é algo realmente construtivo? Ou a participação em massa em protestos e reclamações se esvazia por ser um ambiente virtual?

Enfim, é isso aí pessoal, postando e relembrando!


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Para o primeiro texto de nossa coluna de 2012, nada melhor do que retomar as discussões marcantes que a Página Internacional realizava logo no início de 2011. Expectativas sobre o governo Dilma e sobre o futuro da zona do Euro, o plebiscito que levaria à divisão do Sudão e a “talebanização” da faixa de Gaza eram os temas abordados na primeira semana de 2011 no blog.

No primeiro texto do ano (confiram aqui), de autoria do Luiz Felipe, nos é apresentada a grande expectativa em torno do governo Dilma e a dificuldade de se preenchê-la. Não uma expectativa de ruptura, de muito novo, mas de continuidade e com um estilo próprio. Essa dúvida, ainda hoje, nos é apresentada diariamente. Da famosa “faxina” de ministros com posturas inadequadas até a adoção de posições um pouco diferentes na política externa, um ano depois, Dilma parece ainda viver o dilema dos indicados pela continuidade. Já tem demonstrado um estilo próprio e parece não compartilhar da noção política de confiança de seu antecessor, mas, ainda é preciso mais tempo e, nesse ponto, um ano depois, a pergunta central do post se mostra muito atual.

A adesão da Estônia à União Europeia, como colocou o Álvaro (clique aqui para conferir), era um dos poucos sorrisos que os países europeus, após três anos de crise, conseguiam esboçar no início de 2011. Quem diria que, no início de 2012, as tentativas de represar e ignorar a crise iria formar a enchente que derrubaria os líderes gregos, italianos, portugueses, espanhóis e desencadearia nos milhões de indignados pelo continente?

Enquanto isso, na África, a Bianca nos brinda com um excelente texto sobre o plebiscito que levaria à emancipação do mais novo Estado da ONU, o Sudão do Sul (confiram aqui!). Comparando a atuação das grandes potências do século XIX a audácia dos homens descrita no mito bíblico da Torre de Babel, o texto nos leva mais a fundo na realidade do país.

Na mesma semana, Giovanni levanta uma interessante crítica a uma notícia recorrente à época sobre a possível “talebanização” de Gaza, significando que como o Taleban no Afeganistão, o Hamas estaria tomando caminho semelhante ao se tornar a organização política dominante no país de maneira quase imperceptível aos olhos de todos (clique aqui para relembrar).

Esses eram os temas abordados na primeira semana do ano passado pelo blog. Além desses textos, também demos seguimento a nossa coluna, Conversando com a Teoria, abordando um estudo de caso do liberalismo.

Como já é usual, observamos temas caducando e outros ganhando cada vez mais prosseguimento. A crise Europeia como o tema do momento, o futuro do governo Dilma como uma dúvida recorrente e as incertezas sob o domínio da faixa de Gaza como questionamento permanente.

É isso aí, pessoal, postando, discutindo e relembrando!


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Em dezembro de 2011, o blog estava a todo vapor, e não era pra menos. Estava em curso a inédita operação de ocupação do morro do Alemão, e discutíamos a funcionalidade dessa operação militar. Uma postagem bastante crítica discutia, mais do que a presença do exército nas ruas, a própria função dessa Força, e como no Brasil está havendo gradualmente uma “desvirtuação” de sua função original. Por falta de uso ou acomodamento, o fato é que esse é um processo bastante atrativo para os governos estaduais (que se livram do custo de operação policial e em caso de fracasso podem jogar a culpa toda no exército). E isso prossegue, com os exemplos mais famosos, a ocupação do Alemão completando um ano, e a recente da Rocinha a perder de vista. Isso me faz me perguntar: em vez de usar o exército, por que não equipar melhor a polícia? Afinal, a justificativa é que o exército é melhor preparado (em termos de aparato) para essa situação de “combate”, uma vantagem contra os criminosos que geralmente a polícia não consegue ter. Não seria mais barato, por exemplo, em vez de colocar o exército lá, dar tanques para a PM? (E nem me venham dizer que é loucura, a SWAT dos EUA tem…). Piadas à parte, continuamos com as tropas enfrentando bandidos e tapando buraco de estrada em vez de patrulhar a fronteira.

Dias depois, comentávamos a questão da confiança entre os países, com o exemplo do caso (então recente) da Wikileaks, falando de transparência e outros temas relativos à diplomacia. Um ano depois, o que temos? A Wikileaks faliu e seu dono está enjaulado, mas o estrago parece perdurar – mesmo na Europa, onde tudo era perfeito, a crise de confiança faz com que ninguém queira arcar com o peso da integração e salvar a Zona do Euro. Não vamos dizer que a crise européia é culpa da Wikileaks, claro, mas percebe-se que há algo de diferente no ar no ambiente de negociação internacional, e isso mudou no último ano…

Por fim, um último post tratava das possíveis diferenças entre os perfis diplomáticos dos governos Lula (então em seu final) e Dilma (uma grande expectativa). Após um ano, ainda é bem difícil traçar um perfil definitivo sobre o atual governo, mas percebem-se grandes diferenças em alguns temas com relação ao anterior. Me parece que a diplomacia de Lula era bem mais “espetaculosa”, enquanto a de Dilma é mais discreta. Talvez isso se dê por conta do perfil dos ministros da pasta em cada gestão: com Celso Amorim, o Itamaraty era bem mais ativo, em sua busca incessante (e até mesmo obsessiva?) pela vaga no Conselho de Segurança da ONU, enquanto o atual, de Antonio Patriota, é bem mais pragmático e articulador. Ou, nas palavras de um conhecido, Amorim é o cara que atirava pra todos os lados com uma metralhadora, enquanto Patriota parece ser um atirador com um rifle de precisão. Exageros à parte, parece descrever bem a situação… Aliás, é interessante ver como, na atual gestão do Ministério da Defesa, Amorim parece bem mais comedido que em seus tempos de chanceler.

É isso aí pessoal, postando e relembrando.


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Nosso tema em 2010 era o processo eleitoral na Nicarágua. O esperado se confirmou recentemente, Daniel Ortega ganhou com ampla maioria, apesar das discussões levantadas. Confirma-se, novamente, a tendência regional de manutenção no poder de líderes fortes. Exemplos não faltam. Muitas vezes as instituições ficam em segundo plano.

Pois bem, falávamos das perspectivas democráticas na América Latina. Nossos líderes tendem a buscar projetar uma imagem de salvadores da pátria, dizem ter paixão e desprendimento infindáveis pelo bem da nação. Não é isso? Neste sentido, passar o poder para outro político pode colocar tudo a perder.

Agora, no entanto, voltamos nossa atenção para outra região. A Grécia e a Itália ganharam novos líderes. Hoje é a vez da Espanha. O favorito é Mariano Rajoy, representante da oposição, impulsionado pela baixa popularidade do primeiro-ministro Zapatero. Diante de situações econômicas e sociais críticas, os novos governos enfrentarão imensos desafios.

A ironia reside justamente no fato de que os governantes europeus terão que personalizar o aplicado na América Latina. Afinal, só salvadores da pátria para aceitarem encarar os desafios em países como Grécia, Espanha e Itália. A difícil realidade não deve vir acompanhada por maior compreensão popular frente dificuldades, muito pelo contrário. Como já vimos em outras situações, propor e implementar a tal austeridade é legal mesmo na casa dos outros.

Obs: A apuração dos votos na Espanha não terminou, contudo o candidato da situação já reconheceu a vitória de Rajoy. O vencedor acaba de discursar e agradecer o trabalho de seus seguidores, diretamente da sede de seu partido.


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