Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência…

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Normalmente se retratam santos, como no caso acima o São Benedito (que é o da direita, não custa ressaltar), com auréolas.

Acho que não preciso detalhar muito o que símbolo da presidência dos Estados Unidos está fazendo aí atrás da Cabeça do Obama no dia em que ele detalhou seu pacote trilionário (que animou muito os mercados, diga-se de passagem). Essa é daquelas fotos raras que simbolizam tudo, do tipo que vale por mais de mil palavras.

Espera-se de Obama o mesmo que se espera dos santos…

Bom, não vou me ater muito ao pacote do Obama, quem deseja mais detalhes, ouça o comentário do Carlos Alberto Sardenberg na CBN de hoje de manhã aqui.

E veja aqui também o post em que citamos o artigo de J. R. Guzzo chamado ‘Não adianta rezar a Santo Obama.

*A foto saiu na capa do jornal Valor Econômico de hoje e, também não custa ressaltar, foi um lance pego por um fotógrafo sem que, acredito eu, tenha sido intencional por parte da Casa Branca.

E não se esqueça dos podcasts, link aí do lado!


Categorias: Economia, Estados Unidos


Podcast

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Finalmente ele saiu! Clique aqui.

Agora, sim, temos nossos podcasts!

Na primeira edição, comentamos a chegada e as conseqüências políticas da Crise para alguns países da América do Sul.

Você, claro, está convidado a baixar e a ouvir, são só 13 mb, não vai matar a conexão de ninguém! E, aqui do lado, está o link direto para ele e, quando houver mais, para os próximos.

E, quem quiser comentar, criticar, corrigir, enfim, fique a vontade comentando aqui.

Estamos recebendo sugestões para a próxima edição em [email protected]

Ouça o comentário de Arnaldo Jabor citado no podcast aqui.

Atualização: veja aqui os principais pontos do pacote de Chávez. O aumento da gasolina não saiu…

Negócio do momento!

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Pessoal, que Renda Fixa que nada!

Muito menos frete de barco ou avião na Venezuela!

O negócio do momento é quebrar uma seguradora nos EUA!

(Não entendeu? Clique aqui e aqui. Ouça também o comentário da Miriam Leitão sobre isso aqui)

PS.: Esse nervosinho aí em cima é o secretário do tesouro dos Estados Unidos, porque será a braveza?


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Levanta o topete, bate no peito e diz que tem moral…

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[Olá, pessoal. Por favor, comentem! Quem quiser fazer um post: envie um e-mail para [email protected] E, se você gostou da Página Internacional, ajude a divulgar!]

A Exame dessa semana trouxe um artigo do J. R. Guzzo (quem quiser ler clique aqui), chamado: “Não adianta rezar a Santo Obama”.

Como sempre, esse cara é demais, escreve muito bem, e o próprio título do seu artigo já denuncia o que ele escreve. Não adianta ficar esperando que o pacotão do Obama resolva todos os problemas da economia. Uma frase me chamou a atenção: “Aconteceu apenas o que acontece quando se espera um milagre: o milagre não veio”.

De fato, quem esperava que o Obama, com uma canetada, resolvesse tudo, no mínimo, lascou-se. A coisa lá tá preta, e não vai se resolver assim tão logo.

Os EUA tem dois problemas hoje. O primeiro é o déficit orçamentário. Em palavras simples, o governo tem gastado muito mais do arrecada. E o novo orçamento do Obama vai aumentar esse rombo pra 12% do orçamento no ano que vem. Na CBN nesta sexta, o economista Carlos Auberto Sardenberg falou do assunto. Segundo ele, o normal é um país ter um déficit de 3 -4 % do PIB, e qualquer outro país do mundo já estaria quebrado com o rombo que os EUA têm.

Pois é, pessoal. Acontece que uma parte desse buraco ocorria nas contas correntes dos EUA. Ou seja, a grosso modo, eles importavam muito mais produtos do que exportavam. E foi exatamente isso que ajudou a puxar o crescimento do países que criaram um modelo chamado export-led. Ou seja, se industrializaram pensando em exportar. É óbvio que não vou me aprofundar muito nisso, mas os principais países dessa lista são Japão, Alemanha e China. Opa, mas essas não são as maiores economias do mundo depois dos EUA? São, sim, e aí reside o problema.

Com o Great Crash, como Roger Alpert chama a crise na edição de Jan/Fev da Foreign Affairs, esses países serão duramente afetados, uma vez que orientaram suas economias para a exportação, sobretudo para os EUA, que com eles mantinham um déficit. Agora a situação mudou. O Brasil, nesse rolo todo, obviamente se lasca também, porque vinha aproveitando a bonança do comércio internacional exportando commodities agrícolas e minerais para esses países todos.

O segundo problema a que eu me refiro é a taxa de poupança dos EUA. Ela está muito baixa, isso porque o governo, através da política que agora acabou, incentivava o consumo e o crédito farto. Por isso, a grosso modo, ao invés de poupar as pessoas se individavam.

Esses problemas parecem que não se resolverão tão cedo. A poupança não vai aumentar agora porque a tendência é que falte dinheiro. Além disso, o pouco dinheiro deve ser usado para o consumo básico. A questão do déficit, o orçamento do Obama já diz tudo, está aumentando. Com relação ao déficit em contas correntes (importa mais que exporta), por razões óbvias já está diminuindo. Assim, as perspectivas de melhora são pequenas, e não há Santo Obama que dê jeito nisso.

Mudando um pouquinho, mas ainda no mesmo tema, vocês devem estar acompanhando também a choradeira do Brasil reclamando do protecionismo dos EUA. Pois é, de fato eles estão sendo protecionistas, mas acho engraçado o governo que diz que o protecionismo deve diminuir, esses tempos tenha tentado voltar as defuntas licenças prévias de exportação… Elas só não ressucitaram porque a pressão foi enorme.

Agora vai ter a reunião do G-20 na Inglaterra e o Brasil já começou a querer levantar o topete de novo. Lula disse essa semana que o Brasil é o único país do mundo com moral pra lidar com a crise e que vai deixar isso claro na reunião do G-20. Por favor, né?! Não vou me delongar sobre isso, mas, por exemplo, o nosso senado até agora não se reuniu seriamente uma vez, não votou nenhuma medida anti-crise e o povo lá está brigando mesmo por conta da direção das Comissões. Sobre o executivo, há mais lero-lero do que ação prática. Autorizaram empresas com faturamento de até 600 mil reais a usarem o dinheiro do fundo para exportação mas não aumentaram a receita do fundo, aí fica difícil, né? Essa semana saiu outro indicador que mostra que o governo não cumpriu com o meta do superávit primário. Ou seja, está gastando mais do que deveria, mais do que está planejado, e não é com medidas anti-crise, não. Gasta com pessoal, com viagem de prefeito, enfim. Enquanto o Brasil estava bem economicamente e arrecando muito com impostos, isso não era problema, vamos ver agora. Isso é ter moral? Nem aqui nem na China.

Aliás, o Brasil está levantando o topete mesmo, o Amorim quis até indicar alguém para ser representante do comércio dos EUA… Além do mais está ameaçando os EUA de entrar na OMC. Por favor, né. Depois de torrar milhões de dólares com um processo na OMC por causa do algodão, que o Brasil ganhou, até hoje não teve coragem de aplicar o direito anti-dumping contra os EUA. Agora quer ameaçar? O Brasil teve muito tempo durante o governo Lula pra fechar um acordo comercial com os EUA (não estou falando da ALCA), como muitos países fizeram, inclusive o Uruguai, contrariando as regras do Mercosul. Mas não fechou nada nem com os EUA nem com nenhum outro país apostando na rodada Doha que até o mendigo da rua sabia que não ia dar em nada. Os EUA vão respeitar todos os acordos comerciais na Buy American… E a gente não tem nada com eles. A única coisa é o SGP (Sistema Geral de Preferências), que é unilateral e isenta alguns produtos de tarifa de exportação, mas ele vence esse ano e estão querendo tirar o Brasil.

Bom, resumindo. A coisa está feia para os EUA, está feia para o mundo e para o Brasil também. Ao invés de fazer alguma coisa o governo só reclama e diz que o Brasil tem moral, o que a gente sabe que não tem.

PS.: As regras do Mercosul impedem que um país do bloco feche um acordo bilateral com outro país. Assim, o Brasil não poderia fechar sozinho um acordo com os EUA, mas poderia ter negociado acordos de preferência tarifária, por exemplo, como vem fazendo ao conceder isenções de impostos para muitos países…


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EUA x UBS e etc.

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[Espero que consiga postar mais frequentemente… De qualquer modo fica aí minha primeira contribuição, estão todos mais do que convidados a comentarem/criticarem!]

Nessa semana aconteceu algo sem precedentes que foi pouco comentado: o UBS terá que quebrar o sigilo de cerca de 300 clientes na Suíça.

 

O UBS é a maior instituição financeira suíça e uma das maiores do mundo, sendo que é a maior em “reserva de dinheiro”, ou seja, guardar dinheiro para os outros sem pedir muitas informações. Além disso, o UBS oferecia um serviço a mais: eles davam consultoria a seus clientes ao oferecer formas de sonegar impostos, conhecida como “solução suíça”.

 

Num momento cujo orçamento destinado a combater a crise ultrapassa 1 trilhão de dólares faz todo sentido buscar quem está deixando de pagar os impostos que irão ajudar a bancar essa ajuda. Qual é a grande questão então?

 

Isso nunca tinha ocorrido antes.

 

Não só foi a primeira vez que o UBS quebrou sigilo (ou seja, quebrou contratos de confidencialidade com seus clientes, a principal razão de seu sucesso) de clientes acusados de sonegação, mas foi a primeira acusação oficial que um governo fez de sonegação fiscal para um banco sediado em outro país. Nem a INTERPOL conseguiu isso (pelo menos publicamente). O alarde na Suíça foi tanto que o CEO (acusado de saber das falcatruas) até então foi demitido e o seu sucessor é o ex-presidente de um banco rival. Sem contar que ano passado houve a maior retirada de dinheiro da história dessas instituições e somado ao fato de que o maior de todos foi “derrotado”, como os menores poderão resistir a semelhantes pressões? . Isso pode ter implicações ainda mais sérias que precisam ser discutidas.

Primeiro que o governo Suiço já está se reunindo para discutir como contornar essa situação, já que sem essas instituições o país entrará em colapso. Mas não é esse o tema aqui.

 

 

Mesmo quando as notícias só olham esse lado, é visível que as repercussões disso ultrapassarão a esfera econômica/fiscal. Podemos estar prestes a presenciar um avanço considerável nas investigações relacionadas a crime organizado, já que os paraísos fiscais (ou Estados com Flexibilizações nas Regulamentações Financeiras como eles gostam de ser chamados) são peça chave para descobrir as origens e destinos dos recursos de acusados.

 

Imaginem como membros de polícias federais, agências de inteligência, reguladoras financeiras e até mesmo outros governos devem estar se sentindo agora, após sucessivas tentativas frustradas de quebra de sigilo (são poucas ou quase nenhumas as que conseguem sucesso) ver o governo norte-americano conseguir essa façanha.

 

Podem até argumentar que é tudo por causa da crise e etc., mas também é mais um caso de falta de poder, em qualquer instância, das instituições citadas acima (assunto amplo demais pra esse post). Mas vamos torcer que esse caso se torne um precedente (perfeitamente válido) que auxilie nas investigações futuras! A única certeza é que vai ter muita gente trocando a Suíça pelo Caribe…


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