Comendo o pão que o Diabo amassou e arrotando caviar

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Dizem que quem foi rei nunca perde a majestade. Eu diria que quem foi rei nunca quer deixar o castelo…

O G-8 está reunido em uma pequena cidade em Áquila, na Itália, para discutir os resultados da crise econômica, que começa dar pequenas amostras de recuperação, embora ainda haja advertências dos presidentes dos Bancos Centrais sobre a precariedade dos sinais de estabilização econômica.

A dificuldade de encontrar uma solução para os problemas ligados à economia internacional, causada em grande medida, por ações tomadas pelos próprios países desenvolvidos, poderia ser encarada como um indicativo da diminuição da relevância do grupo das sete maiores economias do mundo mais a Rússia.

A insistência do G-8 em continuar com a não adoção de medidas que incrementariam o comércio, como por exemplo, a abertura de mercado, e preferência pela contingência de adoção de novos pacotes financeiros que debilitarão ainda mais suas economias a longo prazo, abrem espaço para a busca de novos caminhos.

Esta poderia ser, sem dúvida, a oportunidade tão esperada para os países emergentes que compõem o G-20, juntamente com os países mais ricos do mundo, de ganhar preponderância no cenário internacional. Entretanto, por uma absoluta questão de conveniência não se cumpre o acordado.

Está claro que os países mais ricos e a Rússia, apesar da pindaíba em que se encontram, não estão nem um pouco dispostos a ceder lugar aos países emergentes, abrindo assim espaço para um novo modelo de governança global. A sustentação desse status quo pressupõe a manutenção do poder, mesmo que só aparentemente.

Por outro lado, é mais do que legitima a reivindicação dos países emergentes de serem mais representativos em organismos multilaterais financeiros. E é ai que mora o perigo. Novos atores com voz no cenário internacional significa novos interesses em jogo, e também, a necessidade de transigência entre as partes envolvidas nas negociações. Entretanto essa não é a atitude reinante.

A cada dia que passa parece ficar mais claro para todos, exceto para os países desenvolvidos, que se não houver cooperação de ambas as partes, não se encontrará uma saída adequada para o contexto de crise atual. Cada uma das partes deve atuar dentro de seu espectro de possibilidades: os mais desenvolvidos devem liderar o processo e fazer concessões de mercado para que os emergentes possam aquecer a economia global.

Parece ter chegado o momento em que se os países ricos não quiserem realmente deixar o castelo, pelo menos deverão admitir alguns novos moradores.

Mas enquanto isso não acontece, vamos por ai distribuindo camisas da seleção brasileira de futebol, porque pelo menos nisso parece que somos imbatíveis… pelo menos por enquanto…



Categorias: Brasil, Economia, Europa


Os novos caminhos para a questão ambiental

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Meio Ambiente
A discussão acerca da temática ambiental ganhou relevância nas últimas décadas; não é mais exeqüível um projeto de desenvolvimento, seja econômico, social ou mesmo cultural, dissociado da análise apurada dos seus respectivos impactos no Meio-Ambiente. Neste sentido, pode-se inferir que o desafio do século XXI estará inevitavelmente subordinado à sustentabilidade. Veja o artigo de Ki-moon.

Em recente artigo na revista Time, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon expressou sua preocupação com relação à política internacional, na qual o mundo parece ser levado de crise a crise. Não é de todo surpreendente, portanto, que uma corrente pessimista gere uma visão sob a qual os problemas mundiais seriam impossíveis de dirimir. Contudo, ancorado na sua experiência diplomática, o sul-coreano avista possíveis caminhos, à medida que os problemas levados a discussão na comunidade internacional sejam tratados como intrinsecamente conectados.

Muitos dos desafios enfrentados, tais como a fome e os conflitos armados, têm ligação com questões ambientais, como o aquecimento global, e por isso enfrentar suas causas poderia ensejar benefícios em outras áreas. De forma expressa, Ban Ki-moon defende que a base em que se deve ancorar a segurança e paz para todas as nações é a segurança econômica e social, baseada em um desenvolvimento sustentável.

Com efeito, a valoração da problemática ambiental é chave para as Relações Internacionais durante o século XXI, uma vez que tem emergido uma clara percepção de ameaça existencial, a qual deve ser objeto de securitização. A necessidade de um concerto internacional efetivo decorre da própria natureza da ameaça que se apresenta, a qual justifica medidas extraordinárias para controlá-la. A concepção de segurança é abrangente, e o seu objeto não está circunscrito a esfera militar, mas também a garantia a soberania política, combate às ameaças advindas do setor financeiro, a manutenção de identidades culturais coletivas, assim como ameaças de rompimento do equilíbrio do meio-ambiente.

Tal corpo de preocupações é a base para as regulamentações dos Direitos Humanos no pós 2ª Guerra Mundial, tendo como parâmetros Tratados e Convenções Internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966) e a Convenção Americana de Diretos Humanos (1966). O relacionamento dos seres humanos com a biosfera pode ser sustentado de maneira a não arriscar o colapso dos níveis de civilização atual, e de forma a resguardar o legado biológico ao usufruto das próximas gerações.

Muitos tratados e convenções existem, a mera existência pouco significa. Muitos destes são desrespeitados sem maiores constrangimentos. Seria diferente com a questão ambiental? Os países em desenvolvimento querer ancorar seu rápido crescimento nos mesmos princípios que nortearam o dos países ditos desenvolvidos. Vide a China, cresce, mas submete sua população a cidades entre as mais poluídas do planetas. O caminho para as discussões estão abertos, no final do ano ocorre uma nova conferência na Dinamarca. Já carregam o fracasso do encontro em Poznan, no final de 2008. Veja mais aqui.

O Brasil, usando a projeção internacional recente, pode e deve ter papel mais ativo na definição das novas diretrizes para o quanto mudanças climáticas. Isso poderá alçar-nos a uma posição de maior influência junto à comunidade internacional. Nosso principal trunfo: o uso de fontes energéticas renováveis. Nosso principal problema: construção de usinas nucleares e termoelétricas baseadas no carvão, além do incentivo pesado a indústria automobilística contra a crise econômica. Nesse jogo ambiental, todos apontam o “amigo” como responsável, e no final ninguém abre mão de seus próprios interesses. Quer saber mais? Veja aqui.

A economia verde não é somente uma questão de sustentabilidade, mas uma oportunidade de negócio também. A GE (General Electrics), através do CEO Immelt já enxergou um novo nicho de mercado, os produtos “verdes”, ou de baixo impacto no Meio-Ambiente. Os consumidores estão sensíveis a esta temática, e estarão dispostos a pagar mais por menos impacto ambiental.

Novos caminhos para o Meio-Ambiente podem oferecer alternativas à crise econômica também, ou até mesmo, como defendem alguns, a ter evitado, exemplo disso é Friedman: veja aqui.

Já é hora do jogo de empurra-empurra acabar. Enquanto o G-8 se reúne e discute metas para redução de emissões, fica claro que pouco ou nada de concreto deve ser feito, como usualmente. São poucos os indícios que avanços significativos surgirão até Copenhague, mesmo frente às grandes demandas da sociedade civil organizada. Sofrem mesmo os países com menos infra-estrutura para enfrentar desastres naturais, como no caso recente de Cuba, e os que têm a economia baseada em fatores sensíveis a mudanças do clima. O caminho está aberto, cabe agora o Brasil tomar atitudes em políticas públicas que o coloque como líder na temática, e que ajude a construir novos mecanismos para a redução do processo de aquecimento global.


Categorias: Direitos Humanos, Economia, Meio Ambiente


Dito e feito

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Dizem que malandro é o cavalo marinho, que aprendeu a nadar pra não puxar carroça, mas nossos hermanos argentinos estão passando dos limites. Desde o ano passado com o estouro da crise financeira, já é de perder de vista a quantidade de medidas protecionistas que nos afetam diretamente. E mais impressionante ainda é a parcimônia do nosso governo. Esses dias anunciou que vai ajudar a fortalecer as reservas internacionais da Argentina com um mecanismo de troca de moedas (swap) entre 1 e 5 bilhões de dólares.

Pois é. E a indústria têxtil brasileira é a que mais tem sofrido com isso tudo. Nossa participação na pauta de importações de têxteis da Argentina caiu de 41,9% para 26,4%.

O mais engraçado é que o argumento dos argentinos é que eles precisam proteger a indústria nacional contra a brasileira que é mais competitiva.

Argumento legítimo. É natural que se faça isso e até aceitável em tempos de crise. A OMC mesmo até aceitou as medidas tomadas recentemente pelo Equador que sobretaxou a maior parte dos produtos que entram no país. Além disso, somos superavitários no comércio bilateral.

Só que quando se olha para o caso argentino, se vê que não é isso que ocorre. No mesmo período que nossa participação caiu no setor têxtil por lá, a China (aquela mesmo que faz produtos a preço de banana parecerem caros) aumentou de 15,8% para 31,9%.

E isto tem nome, colegas. Chama-se deslocamento de comércio. O que era pra ser uma medida pra proteger a indústria local, só fez com que houvesse uma troca de parceiro comercial. E vamos combinar, a China provoca muito mais danos em qualquer mercado que o Brasil…

E aí a malandragem vai continuando. Só não consigo entender o porque dessa revolta com o Brasil. Somos um dos principais parceiros comerciais da Argentina, temos acordos de cooperação em quase todas as áreas, inclusive um bloco que pretende ser de livre comércio e circulação de pessoas.

Mais uma vez o cavalo marinho está ameaçado no seu posto de malandro (O Lugo, o Morales e o Chávez já estavam ameaçando o bichinho). Mas a Argentina está abusando, e o Brasil insistindo no tal do risco moral…


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Entre dekasseguis, auxílios e críticas… dá pra comer de pauzinhos?

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Aí vai meu primeiro post como correspondente internacional (mal, pessoal… estava sem internet em casa).

Há pouco mais de um mês no Japão, pude perceber a realidade dos dekasseguis de forma mais clara do que quando via as notícias pela TV, no Brasil. O post pode parecer meio ácido, mas já digo de antemão que não é porque estou trabalhando para o governo japonês que tomei partido do mesmo. Sou brasileira e torço pelo Brasil, mas tem coisas que simplesmente… não dá para concordar.

Antes de mais nada, uma informação básica (até demais). O desemprego não afeta apenas os dekasseguis brasileiros, mas outros estrangeiros e japoneses em geral. (oooh! ¬¬”)
Segundo, se os próprios japoneses estão desempregados, o que dizer dos brasileiros, que mal entendem a língua?

Convenhamos, a maior parte dos brasileiros veio para cá para trabalhar o máximo de horas extras possíveis nos chãos de fábrica, para juntar tanto dinheiro quanto possível no menor espaço de tempo. Algum interesse em aprender a língua? Nenhum. Nem interesse nem força para estudar, depois de jornadas de mais de 10 horas diárias. Se estão sendo demitidos agora e procuram por um outro tipo de emprego, não o conseguem porque a maioria mal consegue se comunicar decentemente. Alguns estão tentando recuperar o tempo perdido, estudando a língua, mas não se pode dizer que o japonês seja algo tão fácil e rápido de se assimilar, razão pela qual há muitas desistências ao longo dos cursos básicos de japonês que surgiram nestes últimos tempos (detalhe: a maioria é voluntária ou a custos baixos, justamente para auxiliar os brasileiros e outros latinos). Outros perceberam que era hora de voltar e assim fizeram. Outros ainda estão tentando alguma coisa, enquanto se inscrevem para o programa de “auxílio-subsitência” do governo…. brasileiro? Não, japonês.

100 anos depois da vinda dos japoneses ao Brasil, seus descendentes e cônjuges voltam à terra do sol nascente para fazer fortuna e retornar ao país. O que mudou de lá pra cá? Quase nada. As pessoas emigram ao outro lado do mundo para prosperar e voltar para casa. A diferença é simples: os japoneses acabaram ficando pelo Brasil e se integraram bem à sociedade, pagando os seus impostos, falando português e tudo o mais, ao passo que no caso brasileiro, além do desinteresse em se integrar à sociedade, língua e costumes locais, estão onerando os cofres públicos japoneses pois precisam de auxílio do governo para sobreviver no Japão ou ir embora de vez. Ah, e muitos ainda estavam reclamando, como o ministro Carlos Lupi. Faz sentido?

Além dos auxílios financeiros e empréstimos fornecidos, há vários outros órgãos criados pelo Japão para busca de emprego, estudos e profissionalização, bem como para moradias mais econômicas e afins. Diariamente eu traduzo vários panfletos e informativos para facilitar a vida do brasileiro no Japão, desde eventos e informes em geral (ultimamente muita coisa sobre a gripe suína) às organizações de auxílio ao desempregado, oportunidades de bolsas, moradia, etc. Essas são apenas algumas das ações do governo para tentar integrar e informar os imigrantes que não querem/conseguem fazê-lo.

Não estou tomando o partido do governo japonês, mas sejamos realistas: a questão dos imigrantes – legais ou ilegais – tem se tornado um constante problema em vários países do chamado 1o. mundo. O Brasil sempre foi tido como a terra das oportunidades, aberto aos imigrantes de todas as partes do mundo e com todas as possibilidades de se desenvolver. Mas e se o Brasil estivesse entre os países desenvolvidos e enfrentasse os mesmos problemas do enorme fluxo de imigrantes provenientes de países mais pobres, que medidas estaria adotando? Se uma onda de desemprego como a atual afetasse os seus nacionais e os imigrantes, será que o chamado “calor brasileiro” prevaleceria sobre as questões políticas e étnicas e ele estaria dando o apoio necessário aos imigrantes – que, aliás, até agora não quiseram ser assimilados? Será que o governo brasileiro iria tão longe? Chegaria a contratar imigrantes nos tempos de crise para auxiliar na integração à sociedade brasileira e o melhor fluxo de informações aos mesmos? Gostaria de ser otimista neste aspecto, mas infelizmente duvido muito que algo do tipo fosse feito.

Se o movimento dekassegui surgiu em meados da década de 80 e continua até hoje foi porque o Brasil não ofereceu nem consegue oferecer ainda oportunidades de trabalho suficientes aos seus cidadãos. Imagine se toda a colônia brasileira no Japão voltasse ao Brasil, de uma só vez? Não será isso que o nosso caro ministro teme?

Bom, assim como um apostador deve saber a hora de parar, os que depositaram as fichas no Japão devem ter em mente que vieram temporariamente para cá e devem, em algum momento, voltar ao Brasil (a não ser que já vieram com planos de se fixar permanentemente no Japão, que são casos raros). Devem saber a hora de parar para sair por cima. E com as próprias pernas.

Mas será que realmente estão economizando, fazendo uma poupança? O estardalhaço provocado por conta da medida adotada pelo governo japonês (aquela que proibia o retorno dos brasileiros ao Japão por tempo indeterminado, uma vez requerido o auxílio do governo de 300.000 ienes para retornar ao Brasil) é totalmente infundada. Se estavam aqui para trabalhar, economizar e voltar, porque não voltar quando não conseguem mais arranjar emprego? Por que insistir no que não está mais dando certo? Se estavam economizando, por que não tem dinheiro nem para voltar? Por que reclamar do auxílio se nem mesmo é capaz de voltar para casa por si (a proibição de volta é só para quem pedir o tal auxílio)? E, mesmo assim, diante das inúmeras reclamações, o governo flexibilizou a proibição de volta para 3 anos. Quem sabe assim, quando voltarem ao Japão da próxima vez (se realmente voltarem), tragam consigo um curso de educação financeira na bagagem.

Do lado japonês, não posso negar que há um certo sentimento da presença brasileira como problemática. Evitemos generalizações, mas convenhamos, uma fruta podre estraga todas as outras na cesta e, nesses tempos de recessão, houve casos isolados de condutas deturpadas, por assim dizer, que acabaram por construir uma imagem negativa do brasileiro. Nem todos os brasileiros agiram/agem de má fé e perturbam a pacata vida japonesa, mas os que assim o fizeram/fazem, acabam por dificultar um pouco a vida para outros que vêm depois.

Outro dia fui chamada a traduzir um diálogo de cobrança de multa para um brasileiro que quebrou parte das barras de proteção de um trecho da rodovia. Já é a segunda vez que vão cobrar pelo não pagamento. O indivíduo alega não ter dinheiro para pagar o conserto pois está desempregado. Bom, a quantia é ínfima, ele ainda tem o carro com o qual causou o acidente e ainda está vivendo no Japão. O que dizer sobre isso…?

É nessas horas que sinto um pouco de tristeza ao ver que estamos tão mal representados (sem generalizações) aqui e que isso acaba por aprofundar mais ainda a desconfiança por parte dos japoneses. É, o jeitinho brasileiro não funciona por aqui. Ele só piora as coisas. A nossa imagem, no caso.

Por fim, ao ministro Lupin eu diria que se ele criasse frentes de trabalho suficientes no Brasil, talvez nossos compatriotas não estariam “construindo e dando a nossa mão-de-obra” ao Japão, mas ao Brasil. Ademais, se ele acredita que nossos nacionais estão sendo explorados nos chão de fábrica ao invés de trabalharem em posições mais altas, ele deveria entrar em contato com o Ministério da Educação para melhorar a nossa qualidade de ensino… Mas aí já são outros quinhentos, e como o post já está imenso, é melhor parar por aqui.


Categorias: Ásia e Oceania, Brasil, Economia


Alguém lembra da ONU?

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FMI, Banco Mundial, OMC, etc. As organizações financeiras estão tendo papel fundamental na luta contra a marolinha, mas… e a ONU? 

Qual foi a última declaração relevante da ONU sobre a crise?

Porque ninguém lembra de nenhuma? Porque mesmo a Organização das Nações Unidas tendo o Ecofin, ECOSOC, a UNCTAD e  mais alguns organismos e comitês (caramba, vai ter tanto comitê assim na Câmara) pra discutir questões economicas e/ou financeiras, nenhum realmente importa. Já que, tirando a UNCTAD (comércio e desenvolvimento), esses organismos tem suas propostas cobertas por outros organismos internacionais de maior relevância. Sendo que esses, como a OMC, tem um caráter mais incisivo e mandatório com grande impacto na mídia, enquanto a ONU tem “apenas” um caráter recomendatório (os Estados não são obrigados a seguir suas resoluções e documentos). 

Pra piorar, os fórums e grupos como G20, G8, etc., tomaram de assalto o papel das Nações Unidas de órgão de resolução de problemas, relegando a ela um simples caráter de palanque de políticas externas. São distantes os dias em que a Assembléia Geral criou Israel ou até mesmo quando ajudou a terminar o conflito no Chipre. Sem contar as diversas ações pequenas realizadas pelo globo que ajudaram muitas pessoas, mesmo que sendo poucas de cada vez.

Eu acredito na ONU e que ela pode ter um papel fundamental na melhora das condições de vida no mundo. Tanto que existem diversos cases de sucesso de suas missões, que na minha opinião superam as falhas desastrosas que comprometam sua visibilidade (olá, Missão da Somália). Mas já que os governos continuam a tratar com descaso as missões de paz e as resoluções do Conselho de Segurança, começo a mudar de idéia…


Categorias: Economia, Organizações Internacionais, Polêmica


O que deu no G-20?

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Pois é, pessoal. E veio a tal reunião. E junto com ela algumas medidas interessantes. Vejamos as principais medidas (Quem quiser ver o joint-communiqué na íntegra veja aqui em inglês no site oficial). Detalhe, como em todas as reuniões desse tipo, isto tudo que foi aceito é no máximo um protocolo de intenções. Ou seja, não significa que os países necessariamente farão isso. O próximo passo agora é que os governos tomem ações práticas no âmbito interno a fim de consolidar suas intenções.

Primeiro as medidas mais óbvias:

1. Os países concordaram em ter mais regulação no sistema financeiro: Todas as instituições devem ser reguladas. Bom, depois de tudo que aconteceu, era o mínimo que se esperava.

2. Endurecimento nas regras para pagamentos de executivos: A AIG abusou mesmo no pagamento dos bônus. E não só ela. Agora vamos esperar se saem mesmo leis mais duras que regulem o pagamento de executivos. Se bem que eles sempre arrumam um jeito de enrolar as leis…

3. Agências de classificação de risco: Pois é. Essas foram outras que abusaram. Dias antes da quebra de grandes bancos, eles estavam classificados com grau AAA+, o mais alto dado pelas agências de risco. Elas são responsáveis por ‘afirmar’ que uma instituição (seja empresa, país, etc) está sólido o suficiente para cumprir seus compromissos.

E não fizeram isso bem, por uma razão simples: interesse. É óbvio que uma classificação de baixo risco incentiva as pessoas a investirem na instituição ‘confiável’. E isso já diz tudo, muita vezes, a empresa a ser avaliada era cliente da agência, ou tinha negócios com ela, enfim…

Agora será criado um código internacional (não sei bem como isso vai funcionar) para evitar conflitos de interesses.

4. Bancos: Parece que agora perceberam que os bancos devem ter reservas para enfrentar crises. Após se recuperarem, isso vai ser cobrado desta vez. Por enquanto, receberão ajuda dos governos para não quebrar.

5. Comércio: Rejeitaram-se medidas protecionistas e será criado um fundo de US$ 250 bi para financiar o comércio internacional (altamente dependente de financiamentos). Foi fechado um acordo também para destravar o quanto antes a Rodada Doha (duvido muito, se for concluída mesmo, será um grande lero-lero).

6. Reunião: Nova reunião ainda este ano para avaliar o andamento das medidas.

Agora as medidas práticas interessantes:

1. FMI: O pessoal quer colocar US$ 1,1 tri a mais no FMI para ajudar os países com crédito. A gente já tinha cantado essa bola aqui, uma vez que esse acordo estava sendo costurado antes da reunião.

2. Estímulos Fiscais: Mais US$ 5 tri em estímulos fiscais até 2010. Além disso, recursos de venda de ouro ao FMI deverão render um dinheirinho para ajudar os países mais pobres.

(Para esse resumão usei um gráfico do Estadão disponível aqui)

Quer mais ainda??? Ouça aqui uma entrevista com um enviado à reunião de Londres (Vale a pena!)

Tem também o comentário do Carlos Alberto Sardenberg aqui e da Miriam Leitão aqui.

Veja aqui também o site oficial da Cúpula, tem coisas interessantes.

Taí a cobertura da Página Internacional! Mais comentários no nosso podcast do fim de semana (como a questão dos paraísos fiscais, das novas medidas de escolha dos diretores do FMI e Banco Mundial e a nova comissão para evitar crises).

Aguardo feedback de vocês!


Categorias: Economia


Os emergentes queriam voz, agora têm

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Pois é, pessoal. Amanhã começa a tal reunião do G-20, tão falada e aclamada.

Sobre a reunião em si, não vale a pena comentar muito, já há muito sendo falado sobre isso. Mas é claro que não poderíamos deixar de tratar desse assunto aqui no blog.

Em primeiro lugar, não adianta esperar muito dessa reunião. Nos bastidores, e o ministro Mantega já até falou sobre isso, costura-se um acordo para colocar US$ 1 tri na economia mundial (aliás, como se tem falado em trilhões esses tempos, né? Clique aqui e veja esse artigo legal no site na Gazeta Mercantil). Veja aqui a notícia completa sobre isso.

Peraí? Mas eles vão colocar 1 trilhão e não se pode esperar muito? Sim, uma vez que não deverá haver nenhum acordo amplo que traga alguma mudança significativa ao atual sistema de modo a evitar novas crises. Como já postamos aqui quando do encontro do Lula com o Obama (veja aqui), há muitas divergências no entendimento de como enfrentar a crise, e isso impedirá um acordo.

O que mais me chamou a atenção mesmo, e aqui a diferença na nossa abordagem, foram os protestos em Londres. Antigamente, os protestos eram nas reuniões do G-8. Se essa crise trouxe algo que possa ser visto como bom, foi o fim, pelo menos por enquanto, de uma cúpula minúscula que decidia por todo mundo.

E isso pode ser visto pelas declarações dos presidentes sobre a reunião de amanhã. Nunca se esperou tanto dos países emergentes e hoje (ou amanhã, no caso) eles têm a chance de mostrar que podem fazer algo. Por isso os protestos, até os manifestantes já perceperam que o papel dos emergentes para o capitalismo (contra o qual eles protestam) é mais importante hoje.

Agora esperemos pela reunião! Enquanto a reunião não começa, veja aqui o perfil econômico dos países do G-20. Vale a pena.


Categorias: Economia


Podcast

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Não tinha como deixar de ser, e o tema deste podcast, desta vez mais curto que o último, foram as declarações do presidente Lula, amplamente criticadas pela imprensa do mundo todo. Assim, acabamos mais ridicularizados e criticados, e o Brasil perde chances de mostrar que é um país que pode ser levado a sério.

Nosso presidente está mais por fora que cotovelo de caminhoneiro…

Clique aqui para ouvir ou acesse pelos links ao lado.

Até mais!

PS.: Esse post coloca a minha opinião pessoal sobre o assunto (Alcir Candido). E, obviamente, é passível de críticas e opiniões divergentes.

A culpa é sempre dos outros

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Segundo Lula, a culpa da crise é dos brancos de olhos azuis. Além disso, o presidente disse que nunca viu um baqueiro negro ou índio.

Sobre isso, sugiro que leiam o primeiro post da Página Internacional, chamado “Cuspindo no Prato que Come” aqui.

Além disso, não deixem de ouvir o comentário de Carlos Alberto Sardenberg na CBN de hoje de manhã aqui.

[desculpem a correria hoje!]


Categorias: Brasil, Economia


Quem quer dinheiro?

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A ONU anunciou que quer 1 trilhão de dólares do G-20 para combater a crise internacional. Segundo Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas, o mundo precisa de pelo menos US$ 900 bi para financiamentos aos países em desenvolvimento, uma vez que esse é o valor que, segundo dados do Banco Mundial, deverá deixar de ser ofertado a esses países.

Ainda hoje o presidente Lula junto o primeiro ministro Gordon Brown, do Reino Unido, anunciou que querem criar um fundo de US$ 100 bi para apoio às exportações.

Sinceramente, eu não acho que se deva deixar os bancos quebrarem, as exportações despencarem por falta de financiamentos, enfim. Não se pode jogar pro buraco o sistema financeiro internacional assim tão facilmente, as conseqüências para o mundo seriam catastróficas.

No entanto, é engraçado que agora todo mundo tenha dinheiro pra criar fundos, ajudar bancos, pagar bônus de executivos, enfim (veja um post legal aqui). Há um ano, se alguém ousasse pedir US$ 100 bi que fossem para um projeto assistencial de grande impacto na África certamente seria rechaçado…

Aliás, no ano passado, ainda em tempos de bonança, o que a Casa Branca mandou pra África foi uma quantia de menos de 4 bi de dólares. BEM menos do que os trilhares de dólares já investidos pelos EUA no salvamento de instituições financeiras e empresas ineficientes. E essa pequena ajuda já causa um impacto tremendo no continente, tanto que a popularidade do presidente Bush lá ainda é alta. Veja um post nosso comentando o assunto aqui.

Tem coisas que não se entende com tanta facilidade. No período de maior crescimento da economia mundial não se tinha dinheiro. Agora, durante a maior crise dos últimos 70 anos (como se gosta de falar), aparece dinheiro de todo lugar. Ele não deveria estar sumindo agora?


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