Mais um capítulo

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Pois é, caro Giovanni. Chegamos a mais um capítulo da saga “Aquele que não sossega”. Veja aqui e aqui os outros dois.

Desta vez o bandido da trama – ou mocinho, como queiram – acaba de levar um puxão de orelhas. Isso mesmo, uma vez que a nova declaração do presidente do Conselho de Segurança da ONU não passa disso. Dói um pouco no começo mas depois já se esquece. No caso Do Kim Jong-Il, então, acho que ele nem vai sentir, uma vez que suas orelhas já estão acostumadas.

Hoje, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (olha ele aqui, Ivan) aprovou uma declaração da presidência condenando o teste do satélite turbinado da Coréia do Norte. Pois é, deixei claro que foi uma declaração, e não uma resolução. As resoluções são as decisões “práticas” do órgão, enquanto as declarações do presidente são uma forma diplomática de chamar a atenção e, nas formalidades da diplomacia, dizem muito, mas na prática a gente já sabe.

Nem vou me dar ao trabalho de detalhar aqui o Embaixador Claude Haller, do México, atual presidente, disse. Ninguém esperava que ele fosse endossar o que aconteceu. E não o fez. O fato é que essa declaração foi a única coisa unânime que passou nesse conselho nos últimos dias sobre a Coréia.

Vamos ao cenário (veja aqui como funciona o CS se vc ainda não sabe antes de continuar): Estados Unidos e Japão querem uma resolução mais firme. Os primeiros pelo receio de ter mais gente no mundo com armas nucleares numa região crítica. O Japão, claro, tem medo. Medo porque, em primeiro lugar, os mísseis/satélites que a Coréia costuma testar passam por cima do seu território antes de cair no mar. Isso já é um sinal bem claro. E daí vem o medo de levar outra bomba nuclear na cabeça, já que com certeza se alguém fosse apanhar primeiro por lá seria o Japão. Eles já levaram uma bombinha dessas uma vez e sabem que não é bom.

Por outro lado, China e Rússia querem mais é que a situação pegue fogo. Por quê? Elementar meus caros, deixar a bomba na mão dos Estados Unidos. Eles sabem que a Coréia não vai mexer com eles.

Então, já que uma resolução não passou, vai a declaração mesmo. A única coisa que os EUA e o Japão conseguem no CS, já que a Rússia e a China têm poder de veto.

Enquanto esperamos pelo próximo capítulo desta novela, veja aqui a notícia sobre a declaração.

E se você quiser conhecer os brinquedinhos do meninão lá da Coréia do Norte clique aqui.

Por fim, veja aqui uma notícia da própria ONU sobre a declaração. Caso saia ainda hoje, eu coloco aqui no blog o link para a transcrição das palavras do presidente do CS sobre a Coréia do Norte.


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Nostalgia – Alguém ainda lembra do Conselho de Segurança?

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Andamos vendo diversas ações e declarações do governo brasileiro a respeito da crise financeira e etc, mostrando uma clara intenção de nos tornarmos a voz dos emergentes na luta contra a super-marolinha, dando ao mundo uma “pitadinha de carimbó”. Devemos lembrar que nosso presidente agora é popstar mundial e foi capa da Newsweek a pouco tempo atrás. Mas o foco da inserção política internacional não era na vaga de membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas?


Sim, a conjuntura mundial mudou bastante nesses últimos meses, mas a crise não levou o mundo a paz ou melhorou os conflitos vigentes. Muito menos é razão para o Brasil parar de se posicionar frente as questões mundiais de segurança, algo que costumava fazer e ser ouvido (com declarações muito pertinentes, diga-se de passagem). Tudo isso, obviamente, era feito visando a cadeira permantente no Conselho.

Essa vaga era considerada como garantida, tanto que ouvi pessoalmente de um embaixador no Itamaraty de que a vaga seria nossa até o final de 2007. Esse mesmo embaixador falava da cadeira como certeza, e que só não a tinham conseguido porque a trocaram pela honra de ter o primeiro discurso nas Assembléias Gerais das Nações Unidas.


Hoje vemos mais comentários nesse assunto disso vindo de outros países a respeito do Brasil do que do próprio Brasil. Se estivéssemos no pré-crise, teríamos grandes declarações do Celso Amorim em jornais internacionais a respeito do novo lançamento do nosso ditador do momento, “Kim Jong-il e os mísseis do barulho”. Então não importa mais termos um papel estratégico nas questões de segurança internacional?

Não crianças, não é bem assim. O que importa pro Brasil é simples: dar a impressão aos grandes que ele não é país pequeno. Mas como já disse Rio Branco: “para uma potência real ser reconhecida como potência basta apenas ser uma” (citação livre). Então ainda tá faltando coisa…


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