Colocações do ministro

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[Post rápido antes de falar da reunião do G-20.]

Hoje estive em uma reunião da Coalizão Empresarial Brasileira e lá esteve também o ministro Carlos Márcio Bicalho Cozendey, diretor do departamento econômico do Ministério das Relações Exteriores, que foi falar sobre a Agenda Brasileira de Negociações Comerciais.

Inevitavelmente, os empresários e representantes de entidades de classe (como a CNI, FIESP, etc), questionaram aquilo que muito critico aqui no blog sobre nossa política externa em matéria comercial (ressalto que as críticas são minhas e não do blog). Achei interessante colocar rapidamente o que o ministro usou como justificativa para o questionamento de que o Brasil tem investido todas as suas fichas em negociações multilaterais (notadamente a Rodada Doha) das quais se sabe que muito pouco resultado se tem.

O ministro afirmou que, em primeiro lugar, o Brasil não tem apostado todas as suas fichas em negociações desse tipo, embora tenha salientado que Doha seja prioridade do governo. Segundo ele, há negociações bilaterais em curso entre o Mercosul (já que o Brasil não pode fechar acordos comerciais sozinho com outros países ou blocos por conta do Tratado do Mercosul) e a União Européia, Turquia, Índia, União Africana, Marrocos, Egito e outros também que o ministro não citou, como o de Israel e Jordânia. No entanto, nenhum deles tem perspectivas de ser fechado (mesmo antes da crise).

Em segundo lugar, o ministro disse que no início do governo, ao definir uma estratégia nesse sentido, o governo notou que a pauta de exportações brasileira era bem diversificada, assim como os países para os quais o Brasil exporta (hoje aproximadamento o que se chama de 20-20 – 20% para os EUA, 20% para a União Européia, 20% para Ásia, 20% para o Mercosul e 20% para o resto do mundo, claro que esses percentuais são aproximados). Por isso, não havia a necessidade de se investir em rodadas bilaterais, que normalmente ocorrem com o objetivo de se conseguir novos parceiros comerciais e diversificar a pauta.

Por fim, houve a afirmação de que as negociações multilaterais envolvem menos custos e mais ganhos, ao contrário das bilaterais.

É isso, pessoal, fica aqui registrada a justificativa de nosso governo para investir tanto em negociações multilaterais.

Eu, pessoalmente, não concordo com os argumentos do ministro, mas espero comentários sobre isso, se houver, para depois me manifestar.

Em caso de curiosidade, veja aqui todos os posts que já fizemos sobre política externa brasileira, alguns tratam de questões comerciais.


Categorias: Brasil


Podcast

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Não tinha como deixar de ser, e o tema deste podcast, desta vez mais curto que o último, foram as declarações do presidente Lula, amplamente criticadas pela imprensa do mundo todo. Assim, acabamos mais ridicularizados e criticados, e o Brasil perde chances de mostrar que é um país que pode ser levado a sério.

Nosso presidente está mais por fora que cotovelo de caminhoneiro…

Clique aqui para ouvir ou acesse pelos links ao lado.

Até mais!

PS.: Esse post coloca a minha opinião pessoal sobre o assunto (Alcir Candido). E, obviamente, é passível de críticas e opiniões divergentes.

A culpa é sempre dos outros

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Segundo Lula, a culpa da crise é dos brancos de olhos azuis. Além disso, o presidente disse que nunca viu um baqueiro negro ou índio.

Sobre isso, sugiro que leiam o primeiro post da Página Internacional, chamado “Cuspindo no Prato que Come” aqui.

Além disso, não deixem de ouvir o comentário de Carlos Alberto Sardenberg na CBN de hoje de manhã aqui.

[desculpem a correria hoje!]


Categorias: Brasil, Economia


Escrevendo certo por linhas tortas

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No início deste ano o Brasil fechou um acordo com a Bolívia para que fossem comprados 24 milhões de metros cúbicos por dia (mcd) de gás natural dos bolivianos.

Foi uma chuva de críticas contra o nosso governo, uma vez que a demanda aqui não estava passando de 19 mcd. O dinheiro podia estar sendo gasto na sáude, na educação, enfim, mas preferimos não contrariar o vizinho.

Pois é. Mas o Brasil é mais malandro. Embora tenha se comprometido formalmente com os bolivianos a comprar 24 mcd, compramos hoje somente 20. Ou seja, está-se dando uma de esperto pra cima deles.

Há quem diga que Deus escreve certo por linhas tortas, e o Brasil está tentando fazer o mesmo. Escrevendo certo ao comprar o que realmente precisa, ainda mais em tempos de crise, mas nas linhas tortas ao contrariar acordos firmados.

Isso, obviamente, só tem conseqüências ruins. Em primeiro lugar, reforça entre os vizinhos a idéia de que o Brasil só quer se dar bem às custas deles. Isso vai ter as devidas implicações quando precisarmos de apoio para qualquer coisa no âmbito internacional. Eles simplesmente não vão apoiar, como sempre fazem.

Em segundo lugar, como a gente quer que eles (não só a Bolívia) cumpram contratos se o Brasil não cumpre às escondidas?

Por fim, tem uma implicação interna. Pra onde está indo esse dinheiro que o Brasil disse que ia gastar com o gás? Eu não sei quanto a vocês, mas imagino que não está na educação nem na saúde.

O Brasil tem de parar de ter medo de contrariar os outros pra conseguir apoios que não existem e colocar suas posições de forma firme e pública. Assim se tem respeito.

É isso aí, pessoal, Deus escreve certo por linhas tortas porque ele é Deus, nós mortais devemos escrever mesmo certo e bem em cima das pautas.

Veja a notícia toda aqui.


Categorias: Brasil


Podcast

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Finalmente ele saiu! Clique aqui.

Agora, sim, temos nossos podcasts!

Na primeira edição, comentamos a chegada e as conseqüências políticas da Crise para alguns países da América do Sul.

Você, claro, está convidado a baixar e a ouvir, são só 13 mb, não vai matar a conexão de ninguém! E, aqui do lado, está o link direto para ele e, quando houver mais, para os próximos.

E, quem quiser comentar, criticar, corrigir, enfim, fique a vontade comentando aqui.

Estamos recebendo sugestões para a próxima edição em [email protected]

Ouça o comentário de Arnaldo Jabor citado no podcast aqui.

Atualização: veja aqui os principais pontos do pacote de Chávez. O aumento da gasolina não saiu…

Esse tem cara de gente!

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Olá, pessoal. As declarações do Obama para o Irã de fato foram muito impactantes. Renderia um bom post. Mas eu acho que o Marcos Guterman escreveu um post tão bom, chamado ‘O Grande Satã estende a mão’ (veja aqui), que eu me isento de postar sobre isso.

Mas ela estava entre nós hoje, e isso também é muito importante. A bela e elegante presidente da Argentina Cristina Kirchner esteve hoje no Brasil, em uma reunião da FIESP sobre oportunidades de negócios entre Brasil e Argentina.

Os poucos que esperavam que algo importante sobre a recente tensão comercial e a moleza do Brasil para com a Argentina fossem comentados se decepcionaram. Nenhuma novidade, nada do que a gente já não saiba. O Brasil tem pressionado o setor privado a negociar, produto a produto, setor com setor, cotas de exportação com a Argentina, e é isso que vai ocorrer, vamos baixar a cabeça de novo.

O pior é que a contrapartida que o Brasil espera da Argentina diz respeito ao desvio do comércio. Isso é muito simples. Nós deixamos de vender para lá e eles começam a comprar de outros países, como a China, que tem custos muito menores. Ou seja, o que era para proteger a indústria local acaba piorando ainda mais a situação, uma vez que o comércio se desvia beneficiando outro que nem da região é. E parece que a Argentina não quer barrar a entrada de produtos chineses…

Mas, pra variar, quem chamou mesmo a atenção foi nosso presidente. Talvez abalado pela queda em sua popularidade, ele resolveu ‘improvisar’.

Isso aqui não é um convento de freiras, são duas nações soberanas (sobre as tensões comerciais entre Brasil e Argentina. O que ele tem contra as freiras?)

Agora os EUA têm um presidente com cara de gente (sobre o fato de os Estados Unidos terem um presidente do povo, que fala como a gente, etc.) – Sem comentários.

Concorda que agora eles têm um presidente que tem cara de gente? E os outros, cara de que tinham?


Categorias: Américas, Brasil, Oriente Médio e Mundo Islâmico


Raposa Serra do Sangue

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O STF aprovou hoje a demarcação contínua da Raposa Serra do Sol. O problema é que a reserva está em uma área de fronteira. Não entrarei no mérito da decisão em termos da ‘dívida histórica’ que temos com os índios. Vou apenas comentar tendo em vista as questões internacionais.

Tudo bem que há um certo zum-zum-zum. A fronteira é com a Guiana e a Venezuela, não há risco imediato de que por ali entrem tropas que ameacem seriamente a soberania nacional. O problema é o precedente que isso abre. Além do mais, há outro problema maior, que é a atuação de ONGs com ‘más intenções’ junto aos índios, os problemas de exploração ilegal de minérios, enfim, isso é inegável.

O fato é que, uma vez demarcada, a reserva ficará impenetrável para quem não foi índio. Eu quero só ver se alguém vai entrar por lá sem provocar um conflito. Mas o nosso judiciário é muito mais esperto e já previu isso. Colocou entre as 19 condições da demarcação a de que a União, o exército, enfim, poderão entrar na reserva. Podíamos fazer um teste: levar o Gilmar Mendes com o texto da decisão lá na semana que vem e ver se ele entra…

E eles ainda criaram outro problema: os arrozeiros não vão deixar o local tão facilmente, mesmo o STF tendo ordenado a saída IMEDIATA. Há índios trabalhando nas fazendas ainda. Enfim, o clima está criado para mais um conflito. E fronteira ruim é fronteira conflituosa.

Não importa se a fronteira tem índio, branco ou quem quer que seja, desde que esteja povoada por brasileiros (e com a expulsão dos arrozeiros isso se complica, uma vez que os índios não são suficientes para ocupar a região) e em paz. E isso pelo jeito está longe de acontecer por lá.


Categorias: Brasil


Uma dupla do barulho

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[Pessoal, novamente não vai ser neste fim de semana que nosso podcast vai sair. O site mypodcast.com, que serviria de servidor para nós, está em manutenção há duas semanas. Então, vai ficar pra semana que vem…]

Como todos sabem, o Lula esteve com o Obama ontem. Pra não ficar chovendo no molhado, vamos comentar alguns pontos relevantes:

“O presidente Obama e eu estamos convencidos (ele gosta dessa de convencidos…) de que essa crise pode ser resolvida com decisões políticas no próximo G-20″ (Lula)

E aí? o que acharam? Eu, sinceramente, acho que faz um pouco de sentido. Na teoria, o fórum que reune as 20 maiores economias do mundo hoje pode, sim, fazer alguma coisa. Mas na prática a gente sabe que as coisas são muito diferentes. Há muitas divergências quanto a como essa crise deve ser resolvida, e isso, obviamente, tem conseqüências sobre qualquer decisão de um órgão multilateral.

Isso já pode ser visto na abordagem que se deu à crise na reunião de ministros do G-20, que ocorreu ontem também. Os EUA defenderam a intervenção maior do Estado (há oito meses isso seria um absurdo…); os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) já disseram que não vão mais dar dinheiro pro FMI. E a decisão final qual foi? Os países devem dar mais aportes de dinheiro ao Fundo Monetário Internacional. Por aí já se vê…

Além disso, o Brasil quer primeiro reformar o FMI pra depois colocar dinheiro. O Sardenberg usou uma figura importante pra ilustrar isso: “não adianta pedir pro doente na UTI parar de fumar”. Eu concordo. O FMI tem de responder logo. Se eles não se entendem nem do jeito que está, imagine quanto tempo levaria para uma reforma….

Biocombustíveis

Mais uma vez, o etanol foi tema das conversas. Gente, não adianta querer reclamar, os EUA não vão abrir as fronteiras comerciais para o etanol, ainda mais agora em um momento de crise. Eles já estão investindo pesado em fazer o combustível deles. E a razão disso é muito simples: alguém realmente acha que os EUA vão querer se tornar dependentes em energia de um país subdesenvolvido? Segurança energética é coisa séria, e eles já sofrem na mão da Venezuela e não vão tomar qualquer decisão que os possa colocar em uma posição vulnerável, por menor que seja, com relação a um país como o Brasil.

Protecionismo e Doha

Mais uma vez o Brasil insiste na Furada de Doha. Eu já disse isso uma vez: até o mendigo da rua sabia que essa rodada não ia dar em nada. Durante o governo Lula, nosso país não fechou nenhum acordo comercial com quem quer que seja, e isso é grave. O que o Lula ouviu do Obama foi isso, que as medidas que eles estão tomando não contrariarão nenhum acordo internacional. Se o Brasil tivesse algum não teria do que reclamar.

Isso não significa aceitar qualquer coisa que eles quisessem, mas o Brasil se fechou para toda e qualquer forma de diálogo, só aceitava Doha. E o pior, ainda insiste nisso, nosso ministro Amorim já disse que até o fim do ano a rodada vai se encerrar. Pode ser que esteja certo, mas pra mim mostra a total falta de estratégia comercial do Itamaraty.

Encontro Histórico

Não há como negar. O encontro de Lula e Obama foi histórico. A eleição dos dois teve um peso muito grande para os dois países, e o nosso presidente foi o primeiro a ser recebido por Obama (antes ele tinha recebido dois primeiros-ministros).

É isso pessoal, claro que teríamos muitas coisas mais pra falar, mas preferimos pegar nos pontos mais fortes.

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Categorias: Brasil, Estados Unidos


Velhas discussões

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[Post rápido]

Uma velha discussão tomou conta essa semana da reunião da ONU sobre drogas. Liberar ou não? Política de enfrentamento ou redução de danos?

Minha opinião é clara: As drogas devem ser proibidas. E essa conversa de redução de danos pra mim não passa de lero-lero.

Não vou entrar em questões nacionais, como, por exemplo, a legalização da droga no Brasil. Até porque eu duvido muito que traficante vá recolher ICMS e fazer nota fiscal de suas vendas. Se bandido quisesse fazer isso, não seria bandido…

No plano internacional a questão das drogas está relacionada com a segurança internacional. A exploração da pobreza em países como o Afeganistão é que gera a renda utilizada por grupos terroristas. As drogras também estão ligadas ao tráfico de pessoas e de armas.

Sobre as armas, é com a venda de drogas que grupos extremistas em países da África, Oriente Médio e Ásia Central, entre outros, compram as armas utilizadas para desestabilizar a ordem não só em seu país como também de sua região. Ordem essa normalmente muito precária nesses países.

De onde vem o dinheiro das FARC? Com toda certeza vem dos cartéis de cocaína da Colômbia. O mesmo grupo que se utiliza desse tipo de financiamento também promove seqüestros.

Portanto, não há razão para se pensar em legalizar drogas ou incentivar seu uso com as políticas de redução de danos, distribuindo-se seringas descartáveis, por exemplo.

E antes que alguém se lembre da Holanda, a Suécia resolveu seu problema com as drogas com uma legislação extremamente rígida…

Essa é uma velha discussão, e minha opinião, certamente, é passível de críticas. Se você não concorda, desça a lenha!

Até mais pessoal, está tudo meio corrido e eu tinha preparado um post maior e mais abrangente, mas o navegador travou e eu perdi tudo, por isso fiz esse mais curto. Sobre a reunião da UNASUL, não estou encontrando nada muito interessante, caso alguém tenha, por favor nos envie!


Categorias: Brasil, Polêmica


Levanta o topete, bate no peito e diz que tem moral…

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[Olá, pessoal. Por favor, comentem! Quem quiser fazer um post: envie um e-mail para [email protected] E, se você gostou da Página Internacional, ajude a divulgar!]

A Exame dessa semana trouxe um artigo do J. R. Guzzo (quem quiser ler clique aqui), chamado: “Não adianta rezar a Santo Obama”.

Como sempre, esse cara é demais, escreve muito bem, e o próprio título do seu artigo já denuncia o que ele escreve. Não adianta ficar esperando que o pacotão do Obama resolva todos os problemas da economia. Uma frase me chamou a atenção: “Aconteceu apenas o que acontece quando se espera um milagre: o milagre não veio”.

De fato, quem esperava que o Obama, com uma canetada, resolvesse tudo, no mínimo, lascou-se. A coisa lá tá preta, e não vai se resolver assim tão logo.

Os EUA tem dois problemas hoje. O primeiro é o déficit orçamentário. Em palavras simples, o governo tem gastado muito mais do arrecada. E o novo orçamento do Obama vai aumentar esse rombo pra 12% do orçamento no ano que vem. Na CBN nesta sexta, o economista Carlos Auberto Sardenberg falou do assunto. Segundo ele, o normal é um país ter um déficit de 3 -4 % do PIB, e qualquer outro país do mundo já estaria quebrado com o rombo que os EUA têm.

Pois é, pessoal. Acontece que uma parte desse buraco ocorria nas contas correntes dos EUA. Ou seja, a grosso modo, eles importavam muito mais produtos do que exportavam. E foi exatamente isso que ajudou a puxar o crescimento do países que criaram um modelo chamado export-led. Ou seja, se industrializaram pensando em exportar. É óbvio que não vou me aprofundar muito nisso, mas os principais países dessa lista são Japão, Alemanha e China. Opa, mas essas não são as maiores economias do mundo depois dos EUA? São, sim, e aí reside o problema.

Com o Great Crash, como Roger Alpert chama a crise na edição de Jan/Fev da Foreign Affairs, esses países serão duramente afetados, uma vez que orientaram suas economias para a exportação, sobretudo para os EUA, que com eles mantinham um déficit. Agora a situação mudou. O Brasil, nesse rolo todo, obviamente se lasca também, porque vinha aproveitando a bonança do comércio internacional exportando commodities agrícolas e minerais para esses países todos.

O segundo problema a que eu me refiro é a taxa de poupança dos EUA. Ela está muito baixa, isso porque o governo, através da política que agora acabou, incentivava o consumo e o crédito farto. Por isso, a grosso modo, ao invés de poupar as pessoas se individavam.

Esses problemas parecem que não se resolverão tão cedo. A poupança não vai aumentar agora porque a tendência é que falte dinheiro. Além disso, o pouco dinheiro deve ser usado para o consumo básico. A questão do déficit, o orçamento do Obama já diz tudo, está aumentando. Com relação ao déficit em contas correntes (importa mais que exporta), por razões óbvias já está diminuindo. Assim, as perspectivas de melhora são pequenas, e não há Santo Obama que dê jeito nisso.

Mudando um pouquinho, mas ainda no mesmo tema, vocês devem estar acompanhando também a choradeira do Brasil reclamando do protecionismo dos EUA. Pois é, de fato eles estão sendo protecionistas, mas acho engraçado o governo que diz que o protecionismo deve diminuir, esses tempos tenha tentado voltar as defuntas licenças prévias de exportação… Elas só não ressucitaram porque a pressão foi enorme.

Agora vai ter a reunião do G-20 na Inglaterra e o Brasil já começou a querer levantar o topete de novo. Lula disse essa semana que o Brasil é o único país do mundo com moral pra lidar com a crise e que vai deixar isso claro na reunião do G-20. Por favor, né?! Não vou me delongar sobre isso, mas, por exemplo, o nosso senado até agora não se reuniu seriamente uma vez, não votou nenhuma medida anti-crise e o povo lá está brigando mesmo por conta da direção das Comissões. Sobre o executivo, há mais lero-lero do que ação prática. Autorizaram empresas com faturamento de até 600 mil reais a usarem o dinheiro do fundo para exportação mas não aumentaram a receita do fundo, aí fica difícil, né? Essa semana saiu outro indicador que mostra que o governo não cumpriu com o meta do superávit primário. Ou seja, está gastando mais do que deveria, mais do que está planejado, e não é com medidas anti-crise, não. Gasta com pessoal, com viagem de prefeito, enfim. Enquanto o Brasil estava bem economicamente e arrecando muito com impostos, isso não era problema, vamos ver agora. Isso é ter moral? Nem aqui nem na China.

Aliás, o Brasil está levantando o topete mesmo, o Amorim quis até indicar alguém para ser representante do comércio dos EUA… Além do mais está ameaçando os EUA de entrar na OMC. Por favor, né. Depois de torrar milhões de dólares com um processo na OMC por causa do algodão, que o Brasil ganhou, até hoje não teve coragem de aplicar o direito anti-dumping contra os EUA. Agora quer ameaçar? O Brasil teve muito tempo durante o governo Lula pra fechar um acordo comercial com os EUA (não estou falando da ALCA), como muitos países fizeram, inclusive o Uruguai, contrariando as regras do Mercosul. Mas não fechou nada nem com os EUA nem com nenhum outro país apostando na rodada Doha que até o mendigo da rua sabia que não ia dar em nada. Os EUA vão respeitar todos os acordos comerciais na Buy American… E a gente não tem nada com eles. A única coisa é o SGP (Sistema Geral de Preferências), que é unilateral e isenta alguns produtos de tarifa de exportação, mas ele vence esse ano e estão querendo tirar o Brasil.

Bom, resumindo. A coisa está feia para os EUA, está feia para o mundo e para o Brasil também. Ao invés de fazer alguma coisa o governo só reclama e diz que o Brasil tem moral, o que a gente sabe que não tem.

PS.: As regras do Mercosul impedem que um país do bloco feche um acordo bilateral com outro país. Assim, o Brasil não poderia fechar sozinho um acordo com os EUA, mas poderia ter negociado acordos de preferência tarifária, por exemplo, como vem fazendo ao conceder isenções de impostos para muitos países…


Categorias: Ásia e Oceania, Brasil, Economia, Estados Unidos