Agora entendi!

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[Pessoal, mais uma vez por problemas técnicos estou postando para outro colaborador do blog, desta vez, o Ivan Boscariol]

Clique aqui e aqui antes de ler este post!

Agora está tudo mais claro. Todas minhas dúvidas sobre o porque da aceitação da Venezuela foram esclarecidas!

Discordo da Adriana ao por em dúvida se a Venezuela é ou não democrática. Um estado que manda pras coxias qualquer condições mínimas de propriedade particular por estrangeiros não é apenas anti-democrático como chega a ser xenófobo, já que julga todas as empresas não-nacionais como nocivas ao sistema, sem oferecer distinção de país. E o setor petrolífero é apenas um de vários outros setores visados.

Isso não seria bom? Em teoria até parece interessante, mas é perigossísimo ter o monopólio produtivo nas mãos do Estado, principalmente se o Estado em questão possui um governo que abusa de artimanhas para legitimar-se. Ele, junto com o Irã, EUA e outros países de posição “mais firme” usam do truque barato do “inimigo em comum” para juntar o povo por uma causa e esquecer de seus problemas internos. De quebra apoiam o presidente em qualquer empreitada.

Se alguém expropria um bem nosso, com certeza o país fica no mínimo enfurecido. Mas se somos nós, fazendo isso com os mesmos argumentos dos outros, somos “nacionalistas”, “queremos o progresso nacional”.

O pior é o Brasil cogitar apoiar formalmente um governo que tem como meio comprometer qualquer forma de investimento externo, autorizando-o para UMA ZONA DE LIVRE COMÉRCIO!!! O diálogo deve ter sido assim:

–“Eu aproveito o comérico de vocês mas não interfiram nas minhas indústrias, ok Lulinha?”

–“Claro Huguinho, afinal, nós da América Latina temos que reforçar nossos laços de comepanheirismo!”

Só pra terminar, se nós queremos expandir o etanol, como que apoiamos tanto um dos maiores produtores de petróleo, que de quebra não cumpre os acordos da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo, o cartel legalizado da galera do barril)?


E NÃO ESQUEÇA DE VOTAR!


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Follow Up

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Pois é, pessoal. Tenho reparado que muitas coisas que tratamos aqui no blog têm avançado, e por isso resolvemos escrever um post em que comentamos rapidamente isso tudo.

1. Irã: (Veja os posts anteriores aqui e aqui). Pois é, não é mais nenhuma novidade, mas o Ahmadinejad cancelou a visita pro Brasil. Mas por quê? A justificativa formal é a de que a visita foi adiada por conta das eleições no Irã. E faz sentido. O pleito nacional por lá está próximo e não é bom mesmo um candidato – que não é favorito absoluto – ficar viajando pelo mundo, é natural que ele queira fazer sua campanha, enfim…

Mas é claro que não é só isso. A pressão internacional deve ter tido um pouco de efeito, sim. Mas a mídia no mundo diz que na verdade, causou irritação no iraniano duas coisas: a primeira foi a má repercusão no Brasil e as declarações do governo contra o que o Ahmadinejad falou na conferência da ONU sobre racismo. Além disso, ele teria se sentido inferiorizado uma vez que seria recebido pelo presidente num aeroporto e não no lugar em que normalmente o governo recebe chefes de Estado (que estaria em reformas). O governo diz que é assim mesmo, e que o Lugo, bispo fértil do Paraguai, será recebido lá também na semana que vem. Enfim…

2. Tortura: (Veja os posts anteriores aqui). Nós tínhamos tratado um pouco deste tema em um podcast, mas nada profundo. O fato é que nos EUA este assunto tem rendido muito pano pra manga. A divulgação das técnicas de tortura da CIA e as ‘atitudes’ do Obama estão sendo muito comentadas por lá. Vi esse artigo no Estadão e achei interessante compartilhar. São as descrições das técnicas. Os que estavam no poder alegam que nada fora da Lei foi feito (e, de fato, ao ler as descrições oficiais das técnicas, eu não duvido…). Até uma criança já questionou a Condolezza sobre isso. Daí da pra ver como é importante o tema por lá.

3. Coréia do Norte: (Posts anteriores aqui) E a novela não acaba mesmo! ( E tomara que não acabe, porque tem armas nucleares no meio…) Eles continuam ameaçando a Coréia do Sul… Isso porque os vizinhos do sul querem tomar medidas contra a proliferação de armar nucleares…

4. Paquistão: (Veja o post anterior aqui) O problema por lá está tão sério que o mundo já teme ou que seja usada alguma arma nuclear ou que os terroristas tenham acesso a alguma delas. O que faz muito sentido, uma vez que o negócio por lá está gravíssimo O governo tem perdido o controle de muitos territórios e até tem fechado acordos com os rebeldes na tentativa de ganhar tempo.

5. Ambições Brasileiras: O Brasil agora parece que quer o Amorim na Agência Internacional de Energia Atômica. Frente à oposição histórica de nossos aliados e vizinhos às pretenções brasileiras, será que dessa vez vamos conseguir eleger o primeiro brasileiro para um posto de liderança em um organismo internacional no governo Lula? É pagar pra ver…

Pra terminar, achei uma matéria no Estadão que mostra As armas e as ambições das potências nucleares. Vale muito a pena, por isso mesmo destaquei! Acesse aqui.


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Vai pro MERCOSUL ou não vai?

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[Pessoal, por problemas técnicos, a Adriana Suzart me pediu pra publicar este post em nome dela.]

A Venezuela assinou o protocolo de adesão ao MERCOSUL em 2006, mas até hoje não foi aceita como membro pleno do bloco. Isto porque os Congressos do Brasil e do Paraguai ainda não ratificaram sua entrada. No caso brasileiro, o pedido de adesão está sendo analisado pelo Senado Federal, que permanece dividido sobre o assunto.

Os argumentos pró-entrada da Venezuela são primordialmente econômicos e potencialmente favoraveis ao Brasil. A Venezuela foi o segundo destino das exportações brasileiras na América do Sul e contabilizou um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 330 bilhões no ano passado, além disso, importa 75% dos alimentos que consome e se notabiliza por ter a sexta reserva de petróleo e a nona reserva de gás natural do mundo. Não há dúvidas de que o país é um mercado consumidor interessante para o bloco, bem como um importante parceiro energético. Os governadores brasileiros de estados situados nas regiões norte e nordeste estão ansiosos pela adesão do vizinho andino porque o comércio com o país de Chávez trará a possibilidade de aquecimento da economia da região, principalmente para aqueles estados fronteiriços, como Roraima. A intensificação do comércio na região de fronteira beneficia o Brasil também na questão da defesa nacional, uma vez que juntamente com o comércio vem também o povoamento da região, o que favorece o controle dos nossos limites.

Os argumentos contra-entrada da Venezuela são basicamente políticos. Uma das cláusulas do Tratado de Assunção, que deu origem ao bloco, reza que os Estados componentes devem ter regime democrático. Esse foi o principal ponto de discórdia na sessão da Comissão de Relações Exteriores, ocorrida no último dia 30. Alguns senadores, entre ele Fernado Collor de Mello (Lembram dele? Aquele que sofreu impeachment!) questionaram a natureza do regime político do vizinho andino. Nosso caríssimo ex-presidente acusa Chávez de querer usar o bloco para implementar seu projeto bolivariano e revolucionário…o sujo falando do mal lavado…

Incoerências e mágoas a parte, é bom lembrar que Chávez já tem um bloco regional próprio, onde manda e desmanda como quer. Estou falando da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), composta atualmente por Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Honduras e claro, Venezuela, que aos trancos e barrancos, tem dado corpo e alma ao projeto chavista.

Sinceramente, ainda acho cedo para classificar o governo Chávez de não democrático. É preciso verificar quais os critérios levados em consideração ao se fazer essa análise. Mesmo porque a democracia chavista parece não atender ao que se entende, convencionalmente, por democracia. Ela é caracterizada pelo próprio mandatário venezuelano como participativa e protagonica.

Se levarmos em consideração o fato de que o presidente tem tomado, recentemente, medidas centralizadoras com o objetivo de por em marcha sua Revolução Bolivariana e coloca obstáculos à gestão de governadores oposicionistas eleitos no último pleito de 2008, fica difícil negar seu viés autoritário. Mas, se levarmos em consideração o número de eleições ocorridas no país desde 1999 até agora, além do fato de que as classes pobres, principalmente D e E, têm gozado de maior acesso à saúde, educação, moradia e alimentação, melhorando seu nível de vida, fica claro que houve uma democratização desses benefícios.

Deixando de lado todas essas controversias, penso que nós já tivemos oportunidades melhores de ter a Venezuela no bloco. Nosso vizinho vem passando por uma situação econômica delicada, devido a baixa do petróleo causada pela crise mundial. Tanto que o orçamento nacional feito com base na cotação de US$ 60 o barril, teve que ser revisto logo após o referendo de 15F, considerando a cotação de US$40 o barril. Para um país que importa mais de 70% do alimento que consome, esse deficit no orçamento pode se reverter em um grande calote em seus fornecedores. Além disso, a Venezuela ainda não se adequou às tarifas de importação e exportação exigidas pelo bloco, e nesse contexto, penso que será ainda mais dificil porque agora não se trata apenas de vontade política e sim de saúde financeira.

Bom, é esperar pra ver!


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Podcast

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E na sétima edição do já consagrado podcast da Página Internacional, eis que comentamos o discurso de ontem do presidente Lula sobre a primeira retirada de petróleo do pré-sal.

No dia 1° de Maio (não por coincidência no dia do trabalhador) a petrobrás começou a extrair petróleo da tão falada camada pré-sal. E o Lulinha, claro, não podia deixar de fazer um discurso.

Cabe a nós, claro, comentá-lo. Então, comenta-lo-emos!

Ouva (como diriam por aí…) aqui. Ou baixe nos links aí do lado.

(ainda) Mais deputados…

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Mas Gripe – A (novo nome da gripe suína…) à parte, um movimento importante tem acontecido e está desapercebido: as eleições diretas pro parlamento do Mercosul.

Isso mesmo, caríssimos eleitores. Nas eleições de 2010, todos teremos de eleger, além de toda a corja que normalmente somos obrigados a votar em, mais alguns “representantes” pro Mercado Comum do Sul. O Paraguai, inclusive, já elegeu os seus no ano passado.

Na verdade, o Parlasul já existe há um tempinho. Só que, até então, os 18 representantes de cada país (figuram entre os brasileiros o Mercadante, o Cristovam Buarque, etc…) eram indicados pelos Estados parte. Agora, teremos de elegê-los.

Como não sou especialista no tema, não posso me aprofundar muito, mas até então, as funções do parlamento eram consultivas. Ou seja, nada que os países teriam de fazer. Pelo que estou vendo, a proposta é que se torne um fórum como o da União Européia. Da mesma forma como funcionam os parlamentos para os países, ele funcionaria para o bloco, tendo uma função mais deliberativa e menos consultiva.

Considerações técnicas a parte, vamos ao que interessa: a análise. O Mercosul, apesar de todos os problemas políticos, tem dado certo do ponto de vista comercial. As trocas comerciais entre os países aumentaram muito desde seu início, principalmente entre Brasil e Argentina (mesmo com as medidas protecionistas todas).

Acontece que o problema é justamente esse: não dá certo politicamente. E a idéia é que o bloco se amplie para algo parecido com o que é a União Européia, que também ainda não conseguiu se unificar politicamente.

Se o bloco regional mais avançado que existe no mundo não consegue resolver suas diferenças, será que o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai conseguirão (e vai ter a Venezuela agora pra complicar mais)? Diferenças culturais, econômicas, sociais e todas quantas se possa imaginar.

Eu acho muito difícil. Mas, de repente, o parlamente ajude um pouco. Ainda mais um que já existe. Um parlamento eleito pela população é mais legítimo do que um indicado, ainda que corra o risco de cair na politicagem.

Agora, tem outra pergunta que não quer calar: como é que os brasileiros, que já estão querendo usar as cotas de passagens do congresso pra mandar todos os parlamentares pro México, vão ver isso, hein? Esperemos até o início das eleições.

Alguém se candidata?

PS.: Em tempo, devo ainda destacar que pode ser que nem saia do papel essa eleição…


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Imperialismo tupiniquim

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Pessoal,a gripe do porco realmente (e literalmente também) tá pegando mesmo. No últimos anos, essa é a primeira vez que, pelo que estou vendo, entendo que há uma ameaça real de uma pandemia. Mas disso os jornais já estão cheios e, como nossos leitores sabem, nós somos mais arrojados por aqui!

Antes de começar o post, já falamos aqui dos casos do ex-bispo/presidente do Paraguai, o Lugo. Acontece que ele virou piada, em todos os sentidos, lá entre nossos amigos paraguaios. Já saíram camisetas (Eu não sou filho do Lugo, Eu sou filho do Lugo, e daí?), um tal de Lugômetro (que mede a quantidade de filhos do ex-padre), músicas, piadas (uma diz que perguntaram pra ele porque ele não usou camisinha, a resposta foi que ele seguiu os preceitos da Igreja…) e tudo o quanto se pode imaginar pra sacanear o presidente. Vejam aqui um post do Ariel Palacios, do Estadão, sobre isso e caiam na gargalhada!

Mas falando (ou escrevendo) sério agora. O Rafael Correa foi reeleito no Equador. Até aí, já era mais do que esperado. Acontece que ele deu uma declaração hoje que me chamou a atenção:

“Não há dúvidas (sobre a liderança do Brasil na América Latina). Ninguém pode duvidar da importância do Brasil. É uma das 10 economias maiores do mundo e, por isso, adota essa liderança”

Por favor, né, pessoal? Dizer que ele pensa isso do Brasil é o mesmo que acreditar que o povo não quer usar a cota de passagens da câmara pra mandar todos os políticos pra umas férias no México (de preferência numa granja de porcos)…

Infelizmente, a impressão que se tem do Brasil na América Latina, principalmente entre nossos vizinhos, é a de que somos um país imperialista, do mesmo modo que nós criticamos os Estados Unidos. E isso não é de hoje.

De fato, embora nunca tenha se metido em outra grande guerra desde a do Paraguai, o Brasil passou por cima de muitos territórios dos vizinhos (mesmo que por meios de acordos e tratados do tempo do Rio Branco), se aliou muito mais com os EUA e Europa do que com eles e, isso é inegável, sempre tentou exercer sobre a região uma certa hegemonia. Além disso, nossa língua é diferente, o que dificulta qualquer contato. Não nos identificamos culturalmente com nossos vizinhos (os brasileiros se sentem mais próximos de Portugal ou da Itália, que estão do outro lado do Atlântico, do que com o Paraguai que está aqui do lado).

E isso tem aumentado, e muito, durante o governo Lula. Houve uma mudança de foco em nossa política externa. Até o FHC, éramos voltados para os grandes mercados do norte. Agora, há uma tentativa de ser fazer uma política sul-sul, com o Brasil (supostamente) liderando esse movimento. O Lula já viajou incontáveis vezes pra África e pro Mercosul, por exemplo.

E por trás disso, amigos, não sejamos ingênuos, há interesses por parte do Brasil, entre eles, o de se consolidar (ou até mesmo de tornar-se) como o líder da região e assim firmar-se como potência regional. E para isso o governo tem feito investimentos, principalmente aqui na América do Sul por meio do BNDS ou incentivando empresas brasileiras a se aventurarem por lá. Tem até se engajado em missões de paz da ONU, como no caso em que se comprometeu a liderar a missão no Haiti.

E é claro que os nossos vizinhos não são bestas. Já perceberam isso. E não aceitam o Brasil liderando nem marchinha de carnaval por aqui. Aliás, as medidas protecionistas da Argentina, os calotes que o Equador vem dando, as palhaçadas do Evo Morales, os rolos da Petrobrás no Peru por conta de licenças ambientais… enfim, inúmeros são os casos em que se deixa claro que eles não respeitam e não aceitam a posição que o Brasil QUER ter.

E isso também se tem visto quando o Brasil, por exemplo, quer assumir um papel de liderança em alguma organização internacional: os que sempre votam contra são os daqui. Aliás, desde o início deste governo, quando esse movimento começou, não conseguimos uma única vitória de peso sequer em qualquer organismo internacional…

Dessa vez tenho de concordar que esse movimento de aproximação do governo não foi de todo errado, mas ficou muito claro o interesse ‘oculto’ do Brasil nisso tudo. E disso, fala sério, ninguém gosta…


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Nosso querido presidente

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Como nunca falei do Lula, umas palavrinhas sobre ele. E como quase tudo que escrevo é pra criticar, vou elogiar também.

Quando foi eleito, uma coisa tinha certeza “Internacionalmente ele será um lixo.” E essa idéia foi se mantendo com o tempo, principalmente graças a suas numerosas viagens luxuosas sem resultado ou acordos firmados. Sem contar que o Itamaraty continuou sem lidar com economia/comércio exterior de forma efetiva, “ainda” não conseguimos a cadeira permanente no conselho e de quebra não somos reconhecidos unanimamente como o “líder da América Latina”.

Mas pagamos a dívida com o FMI e o Itamaraty, sob a liderança do “esquerdinha da diplomacia” Celso Amorim ganhamos bastante espaço no plano internacional.

Agora hoje dá pra dizer – duvido que sem o Lula estaríamos tão bem cotados internacionalmente. 

Vamos ser sinceros, que ele é muito carismático, isso não está nem em discussão. O cidadão veio do operariado,  participou de lutas sindicais e virou o presidente mais bem avaliado da história do Brasil (ou algo assim), sem contar que toda reunião ele conta uma piada ou faz um comentário bem-humorado. Isso junto com ele ser o presidente da nação mais importante da América Latina (desculpa México, Argentina e Venezuela) faz todos o ouvirem. 

O cara foi capa da Newsweek, especial da CNN e assim vai, quase sempre bem-falado. Alguém sem capacidade alguma não conseguiria tal feito. Duvido que o Serra, bonito e simpático como só ele, chegaria a esse ponto. Eu nunca achei que diria isso, mas no internacional, hoje vejo que nenhum dos candidatos derrotados por Lula seriam tão bem sucedidos. E dos prováveis candidatos, só o Aécio tem um carisma que poderia chegar perto, afinal convenhamos, a Dilma é tão carismática quanto aquelas diretoras malvadas de escola primária.

Então o governo Lula é incrível? Nem perto disso. Apenas quero dizer que a presença do nosso presidente deve ser reconhecida. Agora de resto, não precisa nem comentar…

PS: Peço desculpas a todas as diretoras de escolas primárias, mas vocês sabem que suas companheiras de profissão não são das mais amigáveis.


Categorias: Brasil


Itaipu

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Lula, você que não fique esperto com esse padre…

Pessoal, hoje está meio corrido, então o post vai ser rápido. AVISO: O blog está tendo bons acessos e precisamos de feedbacks! Já colocamos as estrelinhas no fim dos posts pra facilitar e elas não estão sendo utilizadas!!! E tem os podcasts ainda aí do lado!

1. A África do Sul está apurando os resultados das eleições presidenciais, e parece que já tem eleito: veja aqui.

2. E o nosso presidente está na Argentina para discutir, entre outras coisas, protecionismo. Amanhã faremos a cobertura do que ocorreu.

Por fim, lembram de que o Paraguai queria rever o acordo de Itaipu? Então, o Tratado de Itaipu, que já está pra fazer meia década de vida, prevê que o Brasil e o Paraguai devem dividir a energia da usina em partes iguais. Se um não usar, deve vender ao outro com um preço pré-fixado.

Vale lembrar que o Brasil arcou com quase todos os custos da construção da Usina Binacional…

E o Lugo se elegeu dizendo que ia obrigar o Brasil a aumentar o preço pago pela energia que o Paraguai vende, que estaria muito abaixo do preço do mercado.

Discussões à parte sobre os méritos do pleito paraguaio, o fato é que o Brasil aquiesceu (mais uma vez ao que os outros pedem), já fez várias ofertas, mas o Paraguai não aceita. Entra elas, uma que mostra o quanto nossos diplomatas são bons na arte do convencimento.

Ofereceram uma linha de crédito do BNDES ao Paraguai. Depois da oferta, informalmente, disseram que queriam algo em troca e que seria o fim das queixas dos vizinhos sobre Itaipu. Pois é, eles (inacreditavelmente!!!) não aceitaram. O Brasil terá de dar o dinheiro (ou inventar uma boa desculpa) e ainda rebolar muito pra resolver o problema de Itaipu.

E agora o governo vai fazer mais uma oferta. Segundo a edição de hoje do Valor, Lula quer receber Lugo por aqui no dia 7 de Maio. A prosta a ser apresentada ainda está em sigilo, mas pode incluir uma revisão tarifária (tudo que eles querem) de US$ 45 para US$ 47.

Ainda, está sendo estudada no governo a proposta paraguaia de que eles vendam a energia para o mercado livre, ao invés de a Eletrobrás comprar a preços pré-fixados.

Pois é, mais uma vez o Brasil abre as pernas… Se eu fosse o Lula, não ia bobear com esse Lugo, não… (Não entendeu? Veja o post abaixo).


Categorias: África, Américas, Brasil


Nostalgia – Alguém ainda lembra do Conselho de Segurança?

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Andamos vendo diversas ações e declarações do governo brasileiro a respeito da crise financeira e etc, mostrando uma clara intenção de nos tornarmos a voz dos emergentes na luta contra a super-marolinha, dando ao mundo uma “pitadinha de carimbó”. Devemos lembrar que nosso presidente agora é popstar mundial e foi capa da Newsweek a pouco tempo atrás. Mas o foco da inserção política internacional não era na vaga de membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas?


Sim, a conjuntura mundial mudou bastante nesses últimos meses, mas a crise não levou o mundo a paz ou melhorou os conflitos vigentes. Muito menos é razão para o Brasil parar de se posicionar frente as questões mundiais de segurança, algo que costumava fazer e ser ouvido (com declarações muito pertinentes, diga-se de passagem). Tudo isso, obviamente, era feito visando a cadeira permantente no Conselho.

Essa vaga era considerada como garantida, tanto que ouvi pessoalmente de um embaixador no Itamaraty de que a vaga seria nossa até o final de 2007. Esse mesmo embaixador falava da cadeira como certeza, e que só não a tinham conseguido porque a trocaram pela honra de ter o primeiro discurso nas Assembléias Gerais das Nações Unidas.


Hoje vemos mais comentários nesse assunto disso vindo de outros países a respeito do Brasil do que do próprio Brasil. Se estivéssemos no pré-crise, teríamos grandes declarações do Celso Amorim em jornais internacionais a respeito do novo lançamento do nosso ditador do momento, “Kim Jong-il e os mísseis do barulho”. Então não importa mais termos um papel estratégico nas questões de segurança internacional?

Não crianças, não é bem assim. O que importa pro Brasil é simples: dar a impressão aos grandes que ele não é país pequeno. Mas como já disse Rio Branco: “para uma potência real ser reconhecida como potência basta apenas ser uma” (citação livre). Então ainda tá faltando coisa…


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Quando a fome se junta com a vontade de comer

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Em meio a todo o oba-oba da reunião do G-20, uma coisa importante aconteceu por aqui, como bem lembrou na edição desta segunda-feira do Valor Sergio Leo em sua coluna semanal (esta matéria me serviu base para este post).

O que é, afinal? Nada mais nada menos do que a visita ao Brasil do polêmico Mahmoud Ahmadinejad, presidente do mais polêmico ainda Irã. Ele deverá vir pra cá até Junho, em pleno período eleitoral no país. Na semana passada, esteve entre nós uma missão de alto nível chefiada pelo chanceller Monouchehr Moutakki.

Aliás, ele já está querendo vir pra cá desde o meio de 2007 e, em 2008, houve uma missão brasileira chefiada por Amorim em Teerã. Pois é, os flertes Brasil-Irã já não vêm de hoje…

Mas tenham calma, tudo no mundo se explica. E neste caso as questões econômicas dão grande parte do entendimento sobre o caso. Além, é claro, da mudança de foco em nossa política externa desde o governo Lula, que tem priorizado relações com países do Sul (não o geográfico, o político-econômico).

Vejam só os dados que o Leo trouxe: “o Irã é grande produtor de petróleo, mas importa 40% da gasolina e diesel que consome e é o único país da região com produção significativa de cana-de-açúcar (…) e é visto como um parceiro possível nessa área pelos brasileiros. Em 2007, foi o principal mercado das exportações brasileiras de milho, o segundo de açúcares e produtos de confeitaria, o terceiro de óleo de soja, o quarto em carne e miudezas e o sexto de outros grãos de soja. O Irã foi o principal mercado para o Brasil no Oriente Médio em 2006 e 2007 e a maior fonte de superávit (US$ 1,1 bi em 2008)”. E aí, já pensou que o Irã fosse tão importante assim para o Brasil?

Isses são nossos interesses. Mas e os deles? Sergio Leo também explica: “Os iranianos cortejam a América Latina num esforço para romper o bloqueio econômico de que são alvo por parte dos países que, como definiria o presidente Lula, são governados por gente loura de olhos azuis. Desde outubro de 2007, o país promove uma política de privatização , mas é ainda pequeno o fluxo de investimentos estrangeiros, e os iranianos já informaram que querem formar um grupo de trabalho para aumentar esses investimentos com capital brasileiro, especialmente nas áreas como siderurgia e indústria petrolífera e petroquímica (a Petrobras tem áreas de exploração por lá)”.

Pois é, pessoal. Como dizia minha vó, juntou-se a fome com a vontade de comer. O Brasil, claro, tem idéia dos desbobramentos políticos que esses gestos podem ter. No entanto, tudo também indica mudanças nas relações do mundo com o Irã após a queda das políticas de segurança do Bush.

Agora é só esperar ele chegar. Enquanto isso, veja o blog dele – isso mesmo, o blog, aqui, muito bons os comentários.


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