Brasil, mostra a tua cara!

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“Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga, pra gente ficar Haiti.” HAITI? Pois é, Cazuza, os tempos mudam, as músicas, também. Somos brasileiros e somos haitianos. E como bons brasileiros não desistimos nunca! Nem do Haiti, nem do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Esta é a nossa cara, mas nós a mostramos? Oh, que dúvida cruel…


Em 2004, teve início a epopéia brasileira no Haiti. Era a inspiração guerreira e de palavras orgulhosas que o Brasil, à Camões, pediu para a ONU. E então, criou-se a MINUSTAH, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, sob a liderança do governo brasileiro. Essa missão tem por finalidade pacificar e trazer segurança para o país mais pobre do continente. Apesar de críticas e discordâncias, no dia 1º de junho deste ano, ela completou cinco anos. Vejamos alguns aspectos do que se produziu nesse período.

Primeiramente, os gastos brasileiros dispensados desde o início da missão chamam a atenção: em cinco anos, gastou-se cerca de R$ 700 milhões, dos quais 40% foram repostos pela ONU. Sabem quantas escolas e hospitais foram construídos no Haiti com esse dinheiro? A fabulosa marca de nenhum. Essas despesas cobrem o treinamento de militares e eventuais testes de equipamentos bélicos. E depois o Brasil quer convencer o mundo que está trazendo a paz para os haitianos. Não me admira que um povo tão sofrido reclame de certas atitudes brasileiras e o faz com razão: enviam-se soldados e não médicos, bombeiros, enfermeiros, etc.. É, Brasil, parece que essa cara você não mostra.

Assim como não mostra o Janus bifronte de seus princípios: a não-intervenção e o engajamento em missões de paz. O Deus romano dos portões é contraditório na perspectiva brasileira. Depois de muito atraso, em dezembro do ano passado, o país finalmente publicou a sua Estratégia Nacional de Defesa. Por um lado, esta prevê a não-intervenção como um dos princípios que rege a conduta do Brasil no exterior, por outro, considera importante o emprego das Forças Armadas em operações de paz e humanitárias conduzidas por organismos internacionais.

Uma coisa anula a outra e, assim, passamos da epopéia à hipocrisia. Por que o Brasil brinca de soldado no Haiti, sob a insígnia de uma missão de paz que viola o seu princípio da não-intervenção? Simples: o país quer um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Brasil quer ser gente grande só que se esqueceu, à Saint-Exupéry, que “todas as pessoas grandes um dia foram crianças.” O país não está preparado e ainda não amadureceu para assegurar a sua vaga no órgão. Estar no Conselho de Segurança é ter o dever de intervir em nome da paz e da segurança internacionais – embora haja certos membros que intervêm de modo indecente -, nós podemos de fato cumprir esta missão? Permitam-me lhes dar uma idéia do nosso efetivo militar (agradeço ao Álvaro Panazzolo Neto, aluno do 4º Ano de Relações Internacionais da Unesp-Franca por esta informação): nossos aviões de combate são da Guerra do Yom Kipur.

Outro aspecto que denota a negligência do Brasil quanto à segurança internacional é a sua “intensa” participação nas reuniões do Conselho de Segurança da ONU. Entre 2006 e 2008, foram realizadas 571 reuniões, das quais 29 contaram com a presença brasileira, ou seja, chegamos ao fantástico percentual de 5%. Além disso, o posicionamento brasileiro com relação aos conflitos internacionais (ou eventos de grande importância na área da segurança) é bastante precário: o Itamaraty pouco se manifesta. Ainda assim, continuamos pleiteando o nosso assento no salão de festas do top 5.

Enfim, chegamos à conclusão de que não há Haiti que salve o Brasil, não importa se a retirada das tropas brasileiras do país só poderá ser pensada a partir de 2011, conforme a previsão do Itamaraty. Alguém está escondendo a cara e isso tem trazido um custo muito alto, tanto para nós, brasileiros, como para os haitianos. É, amigos, segurança ainda não é o nosso forte, o que nos traz muitas confusões. Chega de esconder a nossa verdadeira cara!


Categorias: Américas, Brasil, Defesa, Paz, Segurança


Dito e feito

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Dizem que malandro é o cavalo marinho, que aprendeu a nadar pra não puxar carroça, mas nossos hermanos argentinos estão passando dos limites. Desde o ano passado com o estouro da crise financeira, já é de perder de vista a quantidade de medidas protecionistas que nos afetam diretamente. E mais impressionante ainda é a parcimônia do nosso governo. Esses dias anunciou que vai ajudar a fortalecer as reservas internacionais da Argentina com um mecanismo de troca de moedas (swap) entre 1 e 5 bilhões de dólares.

Pois é. E a indústria têxtil brasileira é a que mais tem sofrido com isso tudo. Nossa participação na pauta de importações de têxteis da Argentina caiu de 41,9% para 26,4%.

O mais engraçado é que o argumento dos argentinos é que eles precisam proteger a indústria nacional contra a brasileira que é mais competitiva.

Argumento legítimo. É natural que se faça isso e até aceitável em tempos de crise. A OMC mesmo até aceitou as medidas tomadas recentemente pelo Equador que sobretaxou a maior parte dos produtos que entram no país. Além disso, somos superavitários no comércio bilateral.

Só que quando se olha para o caso argentino, se vê que não é isso que ocorre. No mesmo período que nossa participação caiu no setor têxtil por lá, a China (aquela mesmo que faz produtos a preço de banana parecerem caros) aumentou de 15,8% para 31,9%.

E isto tem nome, colegas. Chama-se deslocamento de comércio. O que era pra ser uma medida pra proteger a indústria local, só fez com que houvesse uma troca de parceiro comercial. E vamos combinar, a China provoca muito mais danos em qualquer mercado que o Brasil…

E aí a malandragem vai continuando. Só não consigo entender o porque dessa revolta com o Brasil. Somos um dos principais parceiros comerciais da Argentina, temos acordos de cooperação em quase todas as áreas, inclusive um bloco que pretende ser de livre comércio e circulação de pessoas.

Mais uma vez o cavalo marinho está ameaçado no seu posto de malandro (O Lugo, o Morales e o Chávez já estavam ameaçando o bichinho). Mas a Argentina está abusando, e o Brasil insistindo no tal do risco moral…


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Já volta tarde, Fidel!

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No ano passado, a revista Veja publicou uma matéria com o título “Já vai tarde, Fidel!”, referindo-se ao “abandono” do poder cubano por parte do governante. Pois é, agora ele voltou! E Cuba voltou para a América e para o mundo. A Cuba que ainda conhecemos é, antes de tudo, devota ferrenha de Fidel.

Como é do conhecimento de todos, a ilha caribenha foi reincorporada à Organização dos Estados Americanos. Quer dizer, apesar das opiniões divergentes, os países americanos fingiram que o país está de volta à organização no último período de reuniões, realizado entre os dias 3 e 4 de junho. Para os representantes dos 34 países, a decisão de anular o ato que excluía Cuba da OEA foi considerada histórica. Só que eles ocultaram a farsa: um regresso não automático pode ser subentendido também como não desejável e, pior do que isso, como indiferente. E no meio do caminho havia uma Carta Democrática…

Há duas interpretações acerca da volta tardia de Cuba. Por um lado, a conjuntura que propiciou o congelamento das relações com o país se esvaiu faz tempo. Por outro, as forças conjunturais se enraizaram no dia a dia cubano.

Indubitavelmente, no que tange ao valor simbólico e/ou histórico, o acontecimento é um marco para o continente americano e também para o mundo. Nas palavras do chanceler brasileiro, Celso Amorim, “O bom senso continua vivo. A OEA está viva, e a resolução de 1962, morta, sem pompa nem vintém.” Prevaleceu o espírito multilateralista sob a égide de melhores relações continentais. A Crise dos Mísseis de 1962 teve o seu desfecho definitivo e o Muro de Berlim, que caiu há praticamente vinte anos na Europa, está agora caindo na América. Guerra Fria já é coisa do passado. Não se pode acordar e reviver o ontem todas as manhãs. Fidel volta tarde!

Inicia-se um processo de diálogo com Cuba, de acordo com a resolução aprovada em San Pedro Sula (Honduras), solicitado tanto pelo governo cubano como pelos países-membros da organização para que a ilha acate às suas práticas, princípios e propósitos. É bem verdade que essa tentativa de regresso chega tarde.

Ora, todos sabemos que os dois dias de reuniões foram bem conturbados. A Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) manteve uma postura bastante rígida, considerando inaceitável o preâmbulo da resolução, o que chocou com o negociador norte-americano, responsável pelos assuntos correlatos à América Latina, Thomas Shannon. Por sua vez, a Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton tinha que cobrar o fim do embargo econômico a Cuba, considerando a condição primária para se restaurar a justiça no continente. Vejam vocês: muito justo quem foi solicitar o fim do embargo em nome da justiça…

Incoerências à parte, mas a nova postura da administração Obama é bastante chamativa mesmo. Lembremos do aclamado discurso que ele fez ao mundo árabe. [Aliás, não percam amanhã o podcast sobre este assunto.] O atual governo norte-americano tem buscado melhores relações com todo o mundo e, nesta empreitada, Cuba está inclusa. Contudo, permitam-me um adendo: por que só agora Cuba volta com tanto vigor na agenda norte-americana? Por que Fidel está morrendo? Por que a conjuntura enseja um novo Plano Colômbia? Há uma nova estratégia política para toda a América Latina?

Ah, é verdade. Esqueci de falar uma coisa: Cuba não parece muito propícia a aquiescer e voltar à OEA. Que estranho, mas isto não significaria uma reaproximação do país com o continente, com o mundo? É, talvez. Mas assim como a maioria dos prisioneiros depois de libertos não conseguem ser totalmente incorporados à sociedade, os países esquecidos também ficam à margem do sistema internacional depois de muito tempo enjaulados. Novamente, Fidel volta tarde!

À semelhança de Eduardo Galeano, Cuba não precisaria entrar no País das Maravilhas para ver o mundo ao avesso, bastaria abrir a janela de seu território. O tempo passou fora das fronteiras do país e congelou o dia a dia de seus habitantes e políticos. A velha ordem estava presente internamente e a OEA perdeu o sentido. Não é fácil compreender a realidade mundial do século XXI com a visão dos anos 60, trilhando um estreito caminho entre a assimilação de novos valores e manutenção de valores tradicionais. Todos devem se lembrar da imagem de Fidel comendo um hambúrguer e tomando Coca-Cola, mas nem assim ele abandonou seus charutos.

Certamente, a reunião da OEA constitui-se como um grande marco, só que muito tardio. Seu valor histórico/simbólico é incontestável, mas não se pode afirmar com tanta exatidão que este valor redundará numa prática bastante contundente. Por enquanto, eu estou dividido entre a expectativa e a indiferença…

Agora é tarde!


Categorias: Américas, Estados Unidos, Organizações Internacionais


Admirável mundo novo

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Caros leitores, bem-vindos ao admirável mundo novo contemporâneo. Porém, não se iludam. Não estamos falando do best-seller de Aldous Huxley, escrito em 1931. Não falamos de uma sociedade totalitária a nível global, mas nada nos impede de visualizarmos totalitarismos locais. Totalitarismos loucos e sedentos por uma glória absurda. Ordem? Que ordem? Só mesmo como aspiração, como um elemento histórico das relações internacionais não aplicável ao atual contexto. Paz, felicidade e satisfação dos desejos? Apenas enquanto a guerra se convalida como o esporte dos reis, enquanto se comanda a máquina do mundo. Somos todos selvagens.

Ontem, em conversa com o Alcir, eu expressei minha rebeldia: só dá Coréia do Norte na mídia. Já estou cansado de ficar falando de uma múmia caquética comandando espetáculos pirotécnicos. De um ditador despojado do dom de viver que prefere que seu próprio povo feneça enquanto sua vida se esvai. Deixemos registrado: o governo norte-coreano resolveu invalidar o armísticio que tinha com a Coréia do Sul, o qual vigorava desde o término da guerra de 1953. Olha, eu sinceramente nunca vi, em toda a história, uma empreitada militar sem a perspectiva de abastecimento resultar em sucesso. É fato que a Coréia do Norte detém o terceiro maior exército do planeta, assim como é verídico que o país depende de ajuda financeira externa e de energia e alimentos.

Depois ainda dizem que a Coréia do Norte é socialista. Ah, é verdade! O país socializou as loucuras e os anseios de um ditador. Socialismo agora é assim, basta socializar, não importa o quê, e a felicidade é forjada.

Eu, particularmente, estou de acordo com a opinião do governo norte-americano: a chance de um conflito militar é remota. Há a iminência, mas se restar um mínimo de juízo na cabeça mofada de Kim Jong-il, tudo não passará de um incidente diplomático. E é bom o senhor se comportar direitinho, senão a comunidade internacional realmente vai começar a pegar pesado com a China, a maior aliada norte-coreana.

E agora, Pequim? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Pequim? Opa, errei, era José. Peço desculpas ao Drummond, mas não pude resistir à tentação de parafraseá-lo. Até quando a China vai se manter firme no seu pau de sebo? Ou poderá se utilizar deste episódio para contrapor uma maior presença norte-americana na região e, assim, ir se consolidando cada vez mais como uma potência hegemônica? Aliás, uma coisa interessante para se notar é que os testes nucleares da Coréia do Norte tiveram efeitos na política interna chinesa, provocando divergências entre o Partido Comunista e a Chancelaria.

Peguemos um avião e voemos para a América Latina. Já expressei minha rebeldia. Chega! Vocês viram que agora a Venezuela e a Bolívia estão sendo acusadas de fornecerem urânio para o Irã? Daqui a pouco o Chavez também vai resolver seguir o exemplo iraniano, vai enriquecer urânio para dar energia à sua eterna presidência.

E o Brasil que agora tem foco terrorista, dá para acreditar? Se o blog tem um colaborador fantasma, o Brasil tem o “libanês K”. Eu já disse e agora repito: o terrorismo é um ótimo negócio. Nunca vi dar tanta mídia uma tema como esse. Agora vamos ser rotulados como um reduto da Al Qaeda. Como eu gostaria de ver um avião caindo em pleno Congresso Nacional.

É, meus amigos, nós temos visto “coisas estranhas” nestes últimos tempos. Desde trágicas a cômicas, o que faz deste mundo um mundo admirável. Totalitário para uns, feliz para poucos e sem ordem alguma. Cada vez mais escrevemos a obra de Huxley com linhas tortas.

Boa noite, pessoal! Vou tomar o meu soma.


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Três é o novo dois

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Depois da malandragem imperial empregada pelo Huguinho, temos mais dois candidatos à eternidade presidencial!

Primeiro, um candidato com grandes possibilidades: Álvaro Uribe!

“Dois não, agora quero três!”

Homem de família, que teve um número bem considerável de denúncias de corrupção e ligação com milícias para-militares, tanto de esquerda quanto de direita. Se no Brasil o deputado pode até ser genocida que não é cassado, lá já foram mais de 30% dos senadores afastados ou cassados por causa dessas denúncias. A questão é tão grave que ele até mandou espionar diversas pessoas ligadas a ele. (comentários aqui) Com uma grande aceitação popular graças a suas ações empregadas contra as FARC, se ele fosse candidato ele seria o mais votado com grande vantagem. Tanto que já está bem encaminhada a mudança constitucional que irá possibilitar o segundo mandato (o congresso ser uribista é pura coincidência). Detalhe: se não der certo, o Ministro da Defesa, Juan Manuel Santos (que apoia Uribe) já está saindo do cargo para poder ser candidato à presidência, com grandes chances de vitória. Dessa forma, a continuidade da política Uribista está mais do que garantida.

Mais uma vez eu pergunto: qual é a diferença dele para o Chávez? Tudo bem que o Uribe tem uma aceitação popular tremenda, mas os indices sociais não aumentaram tanto quanto poderiam, e não restam dúvidas de que ele é querido por ser considerado o “guerreiro que derrotará as FARC”. Mas daí para querer governar um terceiro, quem sabe quarto, quinto mandato já é demais. Se o Ministro da Defesa não pode dar conta das políticas (já que se pudesse nem se conversaria sobre um terceiro mandato de Uribe), isso pode significar duas coisas:

1- A Colômbia tem um governo débil o bastante que não suportaria uma transição ou que é dependente de um perfil bem específico, algo péssimo para a continuidade do país. A curto prazo pode até não ser tão problemático, mas a longo prazo pode danificar seriamente a estrutura política Colombiana

2- O Uribe quer concorrer com o Chávez e Putin o prêmio de governo mais longo do século XXI. Ou o de o governo com maior manipulação da imprensa (não sei qual páreo é mais duro).

O segundo candidato é o nosso Lulinha, que fala Dilma pra cá, Dilma pra lá, mas não faz taaanta oposição quando alguém fala em terceiro mandato. Mas como aqui é a página INTERNACIONAL, vou deixar pra lá. Mas é importante lembrar que o Lula não tá sozinho.

Lembrando que ninguém tenta propor extender seu mandato sem ter certeza de um sucesso nas eleições. Afinal “se o povo quer eu estou aí!”

E vocês, o que acham da idéia de um terceiro mandato? Acham que não deve houver de maneira alguma ou o povo deve decidir?


Categorias: Américas, Brasil


Agora entendi!

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[Pessoal, mais uma vez por problemas técnicos estou postando para outro colaborador do blog, desta vez, o Ivan Boscariol]

Clique aqui e aqui antes de ler este post!

Agora está tudo mais claro. Todas minhas dúvidas sobre o porque da aceitação da Venezuela foram esclarecidas!

Discordo da Adriana ao por em dúvida se a Venezuela é ou não democrática. Um estado que manda pras coxias qualquer condições mínimas de propriedade particular por estrangeiros não é apenas anti-democrático como chega a ser xenófobo, já que julga todas as empresas não-nacionais como nocivas ao sistema, sem oferecer distinção de país. E o setor petrolífero é apenas um de vários outros setores visados.

Isso não seria bom? Em teoria até parece interessante, mas é perigossísimo ter o monopólio produtivo nas mãos do Estado, principalmente se o Estado em questão possui um governo que abusa de artimanhas para legitimar-se. Ele, junto com o Irã, EUA e outros países de posição “mais firme” usam do truque barato do “inimigo em comum” para juntar o povo por uma causa e esquecer de seus problemas internos. De quebra apoiam o presidente em qualquer empreitada.

Se alguém expropria um bem nosso, com certeza o país fica no mínimo enfurecido. Mas se somos nós, fazendo isso com os mesmos argumentos dos outros, somos “nacionalistas”, “queremos o progresso nacional”.

O pior é o Brasil cogitar apoiar formalmente um governo que tem como meio comprometer qualquer forma de investimento externo, autorizando-o para UMA ZONA DE LIVRE COMÉRCIO!!! O diálogo deve ter sido assim:

–“Eu aproveito o comérico de vocês mas não interfiram nas minhas indústrias, ok Lulinha?”

–“Claro Huguinho, afinal, nós da América Latina temos que reforçar nossos laços de comepanheirismo!”

Só pra terminar, se nós queremos expandir o etanol, como que apoiamos tanto um dos maiores produtores de petróleo, que de quebra não cumpre os acordos da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo, o cartel legalizado da galera do barril)?


E NÃO ESQUEÇA DE VOTAR!


Categorias: Américas, Brasil, Organizações Internacionais


Vai pro MERCOSUL ou não vai?

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[Pessoal, por problemas técnicos, a Adriana Suzart me pediu pra publicar este post em nome dela.]

A Venezuela assinou o protocolo de adesão ao MERCOSUL em 2006, mas até hoje não foi aceita como membro pleno do bloco. Isto porque os Congressos do Brasil e do Paraguai ainda não ratificaram sua entrada. No caso brasileiro, o pedido de adesão está sendo analisado pelo Senado Federal, que permanece dividido sobre o assunto.

Os argumentos pró-entrada da Venezuela são primordialmente econômicos e potencialmente favoraveis ao Brasil. A Venezuela foi o segundo destino das exportações brasileiras na América do Sul e contabilizou um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 330 bilhões no ano passado, além disso, importa 75% dos alimentos que consome e se notabiliza por ter a sexta reserva de petróleo e a nona reserva de gás natural do mundo. Não há dúvidas de que o país é um mercado consumidor interessante para o bloco, bem como um importante parceiro energético. Os governadores brasileiros de estados situados nas regiões norte e nordeste estão ansiosos pela adesão do vizinho andino porque o comércio com o país de Chávez trará a possibilidade de aquecimento da economia da região, principalmente para aqueles estados fronteiriços, como Roraima. A intensificação do comércio na região de fronteira beneficia o Brasil também na questão da defesa nacional, uma vez que juntamente com o comércio vem também o povoamento da região, o que favorece o controle dos nossos limites.

Os argumentos contra-entrada da Venezuela são basicamente políticos. Uma das cláusulas do Tratado de Assunção, que deu origem ao bloco, reza que os Estados componentes devem ter regime democrático. Esse foi o principal ponto de discórdia na sessão da Comissão de Relações Exteriores, ocorrida no último dia 30. Alguns senadores, entre ele Fernado Collor de Mello (Lembram dele? Aquele que sofreu impeachment!) questionaram a natureza do regime político do vizinho andino. Nosso caríssimo ex-presidente acusa Chávez de querer usar o bloco para implementar seu projeto bolivariano e revolucionário…o sujo falando do mal lavado…

Incoerências e mágoas a parte, é bom lembrar que Chávez já tem um bloco regional próprio, onde manda e desmanda como quer. Estou falando da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), composta atualmente por Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Honduras e claro, Venezuela, que aos trancos e barrancos, tem dado corpo e alma ao projeto chavista.

Sinceramente, ainda acho cedo para classificar o governo Chávez de não democrático. É preciso verificar quais os critérios levados em consideração ao se fazer essa análise. Mesmo porque a democracia chavista parece não atender ao que se entende, convencionalmente, por democracia. Ela é caracterizada pelo próprio mandatário venezuelano como participativa e protagonica.

Se levarmos em consideração o fato de que o presidente tem tomado, recentemente, medidas centralizadoras com o objetivo de por em marcha sua Revolução Bolivariana e coloca obstáculos à gestão de governadores oposicionistas eleitos no último pleito de 2008, fica difícil negar seu viés autoritário. Mas, se levarmos em consideração o número de eleições ocorridas no país desde 1999 até agora, além do fato de que as classes pobres, principalmente D e E, têm gozado de maior acesso à saúde, educação, moradia e alimentação, melhorando seu nível de vida, fica claro que houve uma democratização desses benefícios.

Deixando de lado todas essas controversias, penso que nós já tivemos oportunidades melhores de ter a Venezuela no bloco. Nosso vizinho vem passando por uma situação econômica delicada, devido a baixa do petróleo causada pela crise mundial. Tanto que o orçamento nacional feito com base na cotação de US$ 60 o barril, teve que ser revisto logo após o referendo de 15F, considerando a cotação de US$40 o barril. Para um país que importa mais de 70% do alimento que consome, esse deficit no orçamento pode se reverter em um grande calote em seus fornecedores. Além disso, a Venezuela ainda não se adequou às tarifas de importação e exportação exigidas pelo bloco, e nesse contexto, penso que será ainda mais dificil porque agora não se trata apenas de vontade política e sim de saúde financeira.

Bom, é esperar pra ver!


Categorias: Américas, Brasil, Organizações Internacionais


(ainda) Mais deputados…

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Mas Gripe – A (novo nome da gripe suína…) à parte, um movimento importante tem acontecido e está desapercebido: as eleições diretas pro parlamento do Mercosul.

Isso mesmo, caríssimos eleitores. Nas eleições de 2010, todos teremos de eleger, além de toda a corja que normalmente somos obrigados a votar em, mais alguns “representantes” pro Mercado Comum do Sul. O Paraguai, inclusive, já elegeu os seus no ano passado.

Na verdade, o Parlasul já existe há um tempinho. Só que, até então, os 18 representantes de cada país (figuram entre os brasileiros o Mercadante, o Cristovam Buarque, etc…) eram indicados pelos Estados parte. Agora, teremos de elegê-los.

Como não sou especialista no tema, não posso me aprofundar muito, mas até então, as funções do parlamento eram consultivas. Ou seja, nada que os países teriam de fazer. Pelo que estou vendo, a proposta é que se torne um fórum como o da União Européia. Da mesma forma como funcionam os parlamentos para os países, ele funcionaria para o bloco, tendo uma função mais deliberativa e menos consultiva.

Considerações técnicas a parte, vamos ao que interessa: a análise. O Mercosul, apesar de todos os problemas políticos, tem dado certo do ponto de vista comercial. As trocas comerciais entre os países aumentaram muito desde seu início, principalmente entre Brasil e Argentina (mesmo com as medidas protecionistas todas).

Acontece que o problema é justamente esse: não dá certo politicamente. E a idéia é que o bloco se amplie para algo parecido com o que é a União Européia, que também ainda não conseguiu se unificar politicamente.

Se o bloco regional mais avançado que existe no mundo não consegue resolver suas diferenças, será que o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai conseguirão (e vai ter a Venezuela agora pra complicar mais)? Diferenças culturais, econômicas, sociais e todas quantas se possa imaginar.

Eu acho muito difícil. Mas, de repente, o parlamente ajude um pouco. Ainda mais um que já existe. Um parlamento eleito pela população é mais legítimo do que um indicado, ainda que corra o risco de cair na politicagem.

Agora, tem outra pergunta que não quer calar: como é que os brasileiros, que já estão querendo usar as cotas de passagens do congresso pra mandar todos os parlamentares pro México, vão ver isso, hein? Esperemos até o início das eleições.

Alguém se candidata?

PS.: Em tempo, devo ainda destacar que pode ser que nem saia do papel essa eleição…


Categorias: Américas, Brasil, Política e Política Externa


Imperialismo tupiniquim

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Pessoal,a gripe do porco realmente (e literalmente também) tá pegando mesmo. No últimos anos, essa é a primeira vez que, pelo que estou vendo, entendo que há uma ameaça real de uma pandemia. Mas disso os jornais já estão cheios e, como nossos leitores sabem, nós somos mais arrojados por aqui!

Antes de começar o post, já falamos aqui dos casos do ex-bispo/presidente do Paraguai, o Lugo. Acontece que ele virou piada, em todos os sentidos, lá entre nossos amigos paraguaios. Já saíram camisetas (Eu não sou filho do Lugo, Eu sou filho do Lugo, e daí?), um tal de Lugômetro (que mede a quantidade de filhos do ex-padre), músicas, piadas (uma diz que perguntaram pra ele porque ele não usou camisinha, a resposta foi que ele seguiu os preceitos da Igreja…) e tudo o quanto se pode imaginar pra sacanear o presidente. Vejam aqui um post do Ariel Palacios, do Estadão, sobre isso e caiam na gargalhada!

Mas falando (ou escrevendo) sério agora. O Rafael Correa foi reeleito no Equador. Até aí, já era mais do que esperado. Acontece que ele deu uma declaração hoje que me chamou a atenção:

“Não há dúvidas (sobre a liderança do Brasil na América Latina). Ninguém pode duvidar da importância do Brasil. É uma das 10 economias maiores do mundo e, por isso, adota essa liderança”

Por favor, né, pessoal? Dizer que ele pensa isso do Brasil é o mesmo que acreditar que o povo não quer usar a cota de passagens da câmara pra mandar todos os políticos pra umas férias no México (de preferência numa granja de porcos)…

Infelizmente, a impressão que se tem do Brasil na América Latina, principalmente entre nossos vizinhos, é a de que somos um país imperialista, do mesmo modo que nós criticamos os Estados Unidos. E isso não é de hoje.

De fato, embora nunca tenha se metido em outra grande guerra desde a do Paraguai, o Brasil passou por cima de muitos territórios dos vizinhos (mesmo que por meios de acordos e tratados do tempo do Rio Branco), se aliou muito mais com os EUA e Europa do que com eles e, isso é inegável, sempre tentou exercer sobre a região uma certa hegemonia. Além disso, nossa língua é diferente, o que dificulta qualquer contato. Não nos identificamos culturalmente com nossos vizinhos (os brasileiros se sentem mais próximos de Portugal ou da Itália, que estão do outro lado do Atlântico, do que com o Paraguai que está aqui do lado).

E isso tem aumentado, e muito, durante o governo Lula. Houve uma mudança de foco em nossa política externa. Até o FHC, éramos voltados para os grandes mercados do norte. Agora, há uma tentativa de ser fazer uma política sul-sul, com o Brasil (supostamente) liderando esse movimento. O Lula já viajou incontáveis vezes pra África e pro Mercosul, por exemplo.

E por trás disso, amigos, não sejamos ingênuos, há interesses por parte do Brasil, entre eles, o de se consolidar (ou até mesmo de tornar-se) como o líder da região e assim firmar-se como potência regional. E para isso o governo tem feito investimentos, principalmente aqui na América do Sul por meio do BNDS ou incentivando empresas brasileiras a se aventurarem por lá. Tem até se engajado em missões de paz da ONU, como no caso em que se comprometeu a liderar a missão no Haiti.

E é claro que os nossos vizinhos não são bestas. Já perceberam isso. E não aceitam o Brasil liderando nem marchinha de carnaval por aqui. Aliás, as medidas protecionistas da Argentina, os calotes que o Equador vem dando, as palhaçadas do Evo Morales, os rolos da Petrobrás no Peru por conta de licenças ambientais… enfim, inúmeros são os casos em que se deixa claro que eles não respeitam e não aceitam a posição que o Brasil QUER ter.

E isso também se tem visto quando o Brasil, por exemplo, quer assumir um papel de liderança em alguma organização internacional: os que sempre votam contra são os daqui. Aliás, desde o início deste governo, quando esse movimento começou, não conseguimos uma única vitória de peso sequer em qualquer organismo internacional…

Dessa vez tenho de concordar que esse movimento de aproximação do governo não foi de todo errado, mas ficou muito claro o interesse ‘oculto’ do Brasil nisso tudo. E disso, fala sério, ninguém gosta…


Categorias: Américas, Brasil, Política e Política Externa


Itaipu

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Lula, você que não fique esperto com esse padre…

Pessoal, hoje está meio corrido, então o post vai ser rápido. AVISO: O blog está tendo bons acessos e precisamos de feedbacks! Já colocamos as estrelinhas no fim dos posts pra facilitar e elas não estão sendo utilizadas!!! E tem os podcasts ainda aí do lado!

1. A África do Sul está apurando os resultados das eleições presidenciais, e parece que já tem eleito: veja aqui.

2. E o nosso presidente está na Argentina para discutir, entre outras coisas, protecionismo. Amanhã faremos a cobertura do que ocorreu.

Por fim, lembram de que o Paraguai queria rever o acordo de Itaipu? Então, o Tratado de Itaipu, que já está pra fazer meia década de vida, prevê que o Brasil e o Paraguai devem dividir a energia da usina em partes iguais. Se um não usar, deve vender ao outro com um preço pré-fixado.

Vale lembrar que o Brasil arcou com quase todos os custos da construção da Usina Binacional…

E o Lugo se elegeu dizendo que ia obrigar o Brasil a aumentar o preço pago pela energia que o Paraguai vende, que estaria muito abaixo do preço do mercado.

Discussões à parte sobre os méritos do pleito paraguaio, o fato é que o Brasil aquiesceu (mais uma vez ao que os outros pedem), já fez várias ofertas, mas o Paraguai não aceita. Entra elas, uma que mostra o quanto nossos diplomatas são bons na arte do convencimento.

Ofereceram uma linha de crédito do BNDES ao Paraguai. Depois da oferta, informalmente, disseram que queriam algo em troca e que seria o fim das queixas dos vizinhos sobre Itaipu. Pois é, eles (inacreditavelmente!!!) não aceitaram. O Brasil terá de dar o dinheiro (ou inventar uma boa desculpa) e ainda rebolar muito pra resolver o problema de Itaipu.

E agora o governo vai fazer mais uma oferta. Segundo a edição de hoje do Valor, Lula quer receber Lugo por aqui no dia 7 de Maio. A prosta a ser apresentada ainda está em sigilo, mas pode incluir uma revisão tarifária (tudo que eles querem) de US$ 45 para US$ 47.

Ainda, está sendo estudada no governo a proposta paraguaia de que eles vendam a energia para o mercado livre, ao invés de a Eletrobrás comprar a preços pré-fixados.

Pois é, mais uma vez o Brasil abre as pernas… Se eu fosse o Lula, não ia bobear com esse Lugo, não… (Não entendeu? Veja o post abaixo).


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