Quem quer dinheiro?

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A ONU anunciou que quer 1 trilhão de dólares do G-20 para combater a crise internacional. Segundo Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas, o mundo precisa de pelo menos US$ 900 bi para financiamentos aos países em desenvolvimento, uma vez que esse é o valor que, segundo dados do Banco Mundial, deverá deixar de ser ofertado a esses países.

Ainda hoje o presidente Lula junto o primeiro ministro Gordon Brown, do Reino Unido, anunciou que querem criar um fundo de US$ 100 bi para apoio às exportações.

Sinceramente, eu não acho que se deva deixar os bancos quebrarem, as exportações despencarem por falta de financiamentos, enfim. Não se pode jogar pro buraco o sistema financeiro internacional assim tão facilmente, as conseqüências para o mundo seriam catastróficas.

No entanto, é engraçado que agora todo mundo tenha dinheiro pra criar fundos, ajudar bancos, pagar bônus de executivos, enfim (veja um post legal aqui). Há um ano, se alguém ousasse pedir US$ 100 bi que fossem para um projeto assistencial de grande impacto na África certamente seria rechaçado…

Aliás, no ano passado, ainda em tempos de bonança, o que a Casa Branca mandou pra África foi uma quantia de menos de 4 bi de dólares. BEM menos do que os trilhares de dólares já investidos pelos EUA no salvamento de instituições financeiras e empresas ineficientes. E essa pequena ajuda já causa um impacto tremendo no continente, tanto que a popularidade do presidente Bush lá ainda é alta. Veja um post nosso comentando o assunto aqui.

Tem coisas que não se entende com tanta facilidade. No período de maior crescimento da economia mundial não se tinha dinheiro. Agora, durante a maior crise dos últimos 70 anos (como se gosta de falar), aparece dinheiro de todo lugar. Ele não deveria estar sumindo agora?


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‘Change’ nem sempre é fácil

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[Pessoal, não se esqueçam dos podcasts! Os links estão aqui do lado]

A “The Economist” da semana passada trouxe uma reportagem interessante para aqueles que esperam mudanças na política dos EUA para a África. Seu título já diz tudo: “Não espere uma revolução”.

Faz todo o sentido. Em primeiro lugar, Bush desfruta de uma popularidade ainda alta na África, segundo a revista. Muitos programas, entre os quais o PEPFAR (muito polêmico mas que dá muito dinheiro, veja detalhes aqui em inglês), injetaram quase 4 US$ bi em 2008.

Além do mais, a situação na África é espinhosa demais. Em primeiro lugar tem a questão do Sudão. O presidente do país está com mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (veja aqui posts do nosso blog sobre o assunto). Acontece que Bush foi um ferrenho opositor do TPI e não dá pra mudar as coisas assim de uma hora pra outra, além disso, pega mal para os africanos um presidente negro perseguindo outro, segundo a The Economist.

Na Somália o negócio não é diferente (veja mais sobre a Somália aqui). Os EUA apoiou durante o governo Bush a invasão da Somália pela Etiópia a fim de derrubar os rebeldes islâmicos que estão extra-oficialmente no poder por lá. De repente, Obama provavelmente continuará apoiando a Etiópia, o que é mais fácil do que enfiar a mão no vespeiro da Somália.

Novamente, há outro ninho de vespas por lá, o Quênia, nação do pai do Obama. O país sempre foi um aliado chave dos EUA na África, mas a situação está esquentando, o país tem ficado instável e, dificilmente, o novo presidente americano vai querer enfrentar os custos políticos e econômicos de apagar o fogo no Quênia.

Assim, é muito mais provável que haja continuidade nas políticas americanas para a África do que mudanças, seja pelo trabalho de Bush, seja pelos custos de se fazer mudanças.


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Chutando cachorro morto

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O Bin Laden apareceu de novo. Desta vez ele quer derrubar o presidente da Somália. Seria um pleonasmo, do tipo subir pra cima? É a primeira vez na vida que ouço alguém querer derrubar outro que já está no chão.

Sinceramente, eu esperava mais do Bin Laden. Pra quem estava há uns tempos atirando aviões contra os poderosos Estados Unidos, ele está jogando baixo.

Não que o coitado do presidente deva ser derrubado. Acontece que a Somália só tem presidente no papel. O único lugar onde o presidente tem autoridade é no centro da capital Mogadíscio. O parlamento do país se reune em um hotel perto da fronteira, em terrirório da Etiópia. Por aí já se vê…

É, com certeza, aquilo que se pode chamar de Estado Falido. O poder central não tem poder nenhum, as condições sociais são as piores possíveis e grupos rebeldes lutam pela hegemonia do país, financiados pelos atos de pirataria que ficaram famosos nos jornais.

É uma mistura de radicalismo religioso, pobreza, instabilidade social. Enfim, é um caos. E o pior é que muito pouco se pode fazer. A ONU, coitada, a gente já conhece. E nenhum país tem interesses suficientes na região para bancar uma empreitada contra quem quer que seja por lá. Ainda mais depois do ‘exemplo’ dos EUA no Iraque e no Afeganistão. Já se diz que quem é esperto mesmo aprende com os erros dos outros.

O resto é idealismo: temos de fazer alguma coisa, os países têm de se unir, isso é um absurdo. Disso todo mundo sabe, na prática é tudo mais difícil.

Aí agora vem o Bin Laden querendo derrubar o coitado do presidente. Pra mim é chutar cachorro morto, chover no molhado.

Foi-se o tempo em que havia outros presidentes mais estáveis no poder pra ele querer derrubar. Agora que foram embora dá nisso.


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