Carnes, ovos e tomates

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Protesto contra o governo na cidade de Sofia, na Bulgária

Fonte: Retirado de vídeo disponível em pt.euronews.com


A questão da carne de cavalo comercializada em lasanhas à bolonhesa virou polêmica pelo mundo na última semana. Cogita-se que pelo menos quinze países europeus tenham encontrado traços desta carne não declarada em pratos congelados. O problema não é ser de cavalo, até porque existe mercado pra isso e, por exemplo, o Brasil foi o 12º maior exportação de carne de equídeos (cavalo, jumento e mula) no ano passado. Entretanto, a discussão gira em torno da substituição de uma carne por outra sem aviso prévio e direto ao consumidor. 

E agora isso está sendo descoberto em países do leste europeu. Romênia e Bulgária entraram nesta lista ontem mesmo. É ruim para o mercado internacional e principalmente para dois atores: União Europeia e Brasil. O bloco regional, um dos maiores importadores de carne bovina, está encontrando resistência de consumo. Nosso país, o segundo maior exportador de carne bovina do mundo, poderá encontrar dificuldades comerciais no curto prazo. 

Mas, e os outros ingredientes? Então, voltando à Bulgária, ontem o seu parlamento aceitou o pedido de renúncia do primeiro-ministro conservador, Boiko Borisov. Em razão das medidas de austeridade econômica e do aumento das tarifas de energia, a população ficou revoltada, foi às ruas e protestou veementemente contra o governo. A expressividade foi tamanha que parece ser o maior protesto nos últimos quinze anos. Na capital, Sofia, jogaram ovos e tomates nos prédios governamentais. 

Borisov disse, no dia da renúncia, as seguintes palavras: “The people gave us power, and today we are returning it […]”. Democracia? Talvez sim, talvez não. O que o povo quer é o básico: nova constituição, diminuição dos custos parlamentares, envolvimento civil na política e assim por diante. Nem mesmo a oposição socialista esperava a saída do ministro, mas, às vezes, parece pura manobra política. 

Com carne, ovo e tomate, lá na Bulgária, a princípio, parece que as coisas não terminam em pizza. Isso porque o país é o mais pobre da Europa com salário médio de 350 euros. Mas a batata na Europa continua assando, seja na economia, mais aliviada, ou na política, mais agitada ultimamente.


Categorias: Economia, Europa


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