Capital da esperança

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Esperança. Palavra-chave utilizada por Capitão Furtado ou mesmo Neguinho da Beija-Flor para descrever Brasília, capital geográfica de nossa pátria amada, idolatrada. Talvez também deva ser a esperança o capital central a guiar os cidadãos às vésperas de mais uma eleição – capital este entendido enquanto potencial transformador dos seres humanos. Afinal, as eleições representam o momento crucial para reforçar os valores democráticos e a importância da escolha de representantes políticos a ocuparem os espaços a estes destinados na sociedade.

É claro que um pleito eleitoral é muito importante para a construção de qualquer país, cada qual com seus próprios desafios (diferentes exemplos aqui ou aqui). Não são necessárias delongas para reiterar que se trata da oportunidade de cada cidadão renovar os votos de esperança no futuro da nação a partir da perspectiva de representatividade. Contudo, vale lembrar que eleger representantes políticos exige identificação. Identificação com valores, propostas e projetos. E não apenas identificação com meras imagens ou piadas.

Há anos o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulga os avanços da democracia no mundo por meio de relatórios oficiais. Nada mais compreensível, afinal pode-se visualizar que o século XXI desponta como a era da informação, do desenvolvimento e da participação da sociedade civil. Entretanto, cabe reforçar uma reflexão apresentada pelo PNUD: eleições multipartidárias por si só não são suficientes para garantir a democracia. Certamente que não. Para garantir a democracia é necessário compreender o real sentido desta que significa, literalmente, “governo do povo”.

Apenas com o crescente apelo à participação popular nas discussões e no entendimento das demandas e das condições que representam o panorama político nacional é que se pode almejar ao fortalecimento da estrutura política de qualquer país. E à busca de um real sentido de esperança, é claro. A oportunidade de assistir a debates com candidatos tem influenciado eleitores no mundo inteiro há décadas. Todavia, no dia em que um humorista consegue mobilizar milhares pela internet satirizando as incoerências políticas brasileiras, é preciso entender que o senso político deve ir além do momento eleitoral em si.

É preciso, pois, um real engajamento social para que o brado retumbante deste povo heróico reflita efetivamente suas necessidades e para que se trabalhe coletivamente para tanto. Novos amanhãs dependem dos agentes que os constroem, quais sejam todos os indivíduos – principais detentores do “capital da esperança” e responsáveis pelo desenvolvimento social em termos nacionais e internacionais, com certeza.


Categorias: Brasil, Política e Política Externa


2 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

É verdade, Mário! Com certeza ainda temos muito a evoluir no que tange o debate político nacional... E a frase inicial referente à cidade de Brasília certamente diz muito sobre nossa realidade: que tenhamos a esperança de um futuro melhor - trabalhando com determinação para tanto, é claro.Obrigada por seu comentário!Abraços!

Mário Machado
Mário Machado

Bianca,Você foi precisa nos pontos que levantou sobre a baixa qualidade do debate político nacional, mesmo em meios de maior educação com as universidades.Num outro ponto a primeira linha de seu texto me lembrou muito meus tempos de menino em Brasília em que minha escola nos fazia cantar o hino nacional, o de Brasília e da escola. O Hino de Brasília tem como estrofe marcante justamente seu título: "Brasília, Capital da esperança".Abs,