Camel Racing!

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Já ouviu comentários sobre as corridas de camelo? Tem ideia do que seja isso? Sabe onde este esporte é extremamente popular? Se a resposta for afirmativa ou não, dê uma breve olhada neste vídeo (aqui), o qual mostra partes de uma corrida na cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU). É um fenômeno um tanto quanto recente e bastante característico dos países do Golfo Pérsico, dentre eles Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Kuwait e os próprios EAU. 

A princípio é um pouco estranho, pois denota traços culturais distintos e característicos da região do Oriente Médio. Conhecemos bem o futebol no Brasil, o futebol americano nos Estados Unidos e até mesmo o rugby na Nova Zelândia. Mas…corridas de camelos? Não! Assim, o vídeo em questão colocado no parágrafo anterior serve para ilustrar como se dá esta manifestação que retrata, também, os jogos de poderes e lideranças nesses países. 

Primeiro, a corrida é cultural. Com as consequentes descobertas e os “boom” do petróleo nas últimas décadas, o camelo deixou de ser instrumento de trabalho e foi substituído por carros modernos. Ao lado das pistas, os instrutores e tratadores dos animais os acompanham com seus Toyota, Mercedes-Benz e assim por diante. Consequentemente, os camelos passaram a ter outra utilidade principal: o esporte. 

Segundo, a corrida é instrumento de poder. Nos EAU, em específico, criou-se em 1992 a “Camel Racing Association”, que conta com grande apoio financeiro das principais famílias do país. Quando passadas na televisão, os locutores “endeusam” os seus principais líderes – os sheikhs – para reafirmarem seus sucessos de política de governo. Com as corridas, os Estados são personificados nos sheikhs. Se o camelo de determinada liderança é o vencedor, isso mostra que o legado cultural ainda está sendo defendido na região e eles ganham prestígio popular. 

Por fim, as corridas dos camelos são o retrato da tradição (cultural, religiosa) e da modernidade no Oriente Médio, em específico no Golfo. Sabe qual o prêmio ao dono do camelo vencedor? Um troféu, uma espada de ouro e um modelo de última geração da Mercedes-Benz. A espada simboliza os ancestrais e o carro é o reflexo da difusão tecnológica. Desde sociedades baseadas na economia petrolífera até no poderio dos famosos sheikhs, o esporte retrata a unificação nacional.

Pode parecer exótico, mas é só tomar como exemplo quaisquer outras manifestações esportivas a nível global. No Golfo Pérsico, a corrida de camelos é um dos principais sinais dos novos tempos. Tempos estes que são marcados por liberalizações econômicas e, ao mesmo tempo, fortes traços nacionalistas.


Categorias: Cultura, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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