Cadê Osama, onde foi aquele Osama…

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Bom, encontraram ele. Muitos se lembram com detalhes do que estavam fazendo quando receberam a notícia dos ataques terroristas no dia 11 de setembro de 2001. Será que, no futuro, vão se lembrar do mesmo modo da notícia do final da noite de ontem, quando foi anunciada oficialmente a morte de Osama Bin Laden?

Algum soldado vai ficar MUITO rico…

Vamos por partes. Ainda não há confirmação exata da morte – imagens e coisa do tipo – fora o pronunciamento oficial de Obama (que deve tirar qualquer dúvida quanto a isso ter ocorrido ou não, não cairia nada bem ao presidente dos EUA ter que desmentir um boato dessa importância depois…). Há quem diga que o corpo já teria inclusive sido sepultado no mar (respeitando tradições islâmicas). O mais curioso é ver que ele não estava entocado em uma caverna afegã ou coisa parecida (nem escondido no Rio, casado com uma mulata e tomando cerveja, como naquele divertido esquete humorístico), mas sim há um bom tempo nas redondezas da capital do Paquistão (maior aliado dos EUA na região), em uma grande propriedade que servia de fortaleza e bunker. No fim, levou junto mais dois comparsas e uma pobre coitada usada de escudo humano na ação.

Mas… e agora? Acabou a guerra ao terror? A morte do homem mais procurado do mundo certamente vale para os norte-americanos como a vingança pessoal pelo 11/09 (vingança essa que em seu processo levou à invasão de dois países , mortes de civis e militares em número muito maior que nos ataques terroristas e arranhou a imagem dos EUA em boa parte do mundo), e curiosamente não foi obtida por meio da força bruta, com tanques e invasões, mas pelo trabalho de inteligência em conjunto com o Paquistão. E é claro que a coisa não vai terminar por aí. Osama era, antes de tudo, um símbolo, e sua organização persiste. Sua morte provavelmente não vai desmantelar a Al Qaeda (alguém acha que ele ainda mandava?), bem como vai inspirar milhares a vingá-lo. Há, inclusive, rumores de uma bomba atômica em poder da organização e pronta pra estourar em algum ponto da Europa caso Osama fosse morto.

Quanto a Obama, essa notícia veio em ótimo momento – todos sabem como os norte-americanos se esquecem de crises quando o nacionalismo é inflamado, além de ser um trunfo para sua reeleição. Mas não vamos esquecer que boa parte desse mérito está com Bush, o mentor da parada, e que, como dito antes, as intervenções dos EUA não vão acabar de uma hora pra outra (pegar Osama era um dos objetivos, não o objetivo), logo Obama ainda tem um senhor abacaxi nas mãos.

No fim das contas, ainda é cedo pra avaliar efeitos diretos da morte de Bin Laden. Esse é um evento que muda muita coisa, sem mudar nada. A morte de Osama tem pouco efeito prático, em termos de operações e combate ao terrorismo, mas tem um efeito moral avassalador, tanto para norte-americanos quanto para os seguidores de Bin Laden. Afinal, é o fechamento (ou não?) de um capítulo da história mundial que durou uma década e teve tanta repercussão que provavelmente moldou boa parte da conjuntura internacional atual. Vai realmente ser um golpe duro contra o terror ou apenas estimular mais homens-bomba? O jeito é esperar pra ver.


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