Briga de casal

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Bin Laden se foi, mas continua a guerra ao terror. Se foi Bush que cunhou o termo, é Obama (favor não confundir com Osama…) que carrega o fardo hoje, e a morte do líder da Al Qaeda é apenas um marco simbólico. Nisso tudo, emerge a figura do Paquistão como peça-chave nessa empreitada. Mas, é uma peça que está em xeque.

O Paquistão é o que poderíamos chamar de aliado improvável dos EUA. Durante o processo de “remoção” do Taleban do Afeganistão, se tornou o grande aliado dos EUA na região (e essa foi a única razão para isso, já que os países teriam muito mais razoes pra discordar). As coisas iam bem, até que o jogo da política (leia-se: parar o avanço chinês) aproximou Washington das pretensões da Índia na ONU. Ora, isso é algo que indispõe o Paquistão com os EUA, que agora se vêm em uma espécie de triangulo amoroso atômico.

E a morte do Osama? Causou uma espécie de crise conjugal. O esperado é que, com a perda da liderança, haja uma relativa debandada e enfraquecimento da Al Qaeda. Mas, como isso tudo ocorreu no quintal de Islamabad, ocorre um crise de confiança quanto ao Paquistão, que vai ter duas tarefas: provar que não tinha nada a ver com a ocultação de Osama e lidar com a contenção de suas perturbações internas (que vão de jihadistas internos aos que condenaram a ação norte-americana). Essa crise pode ainda retardar a saída das tropas norte-americanas do Afeganistão enquanto não houver certeza quanto aos problemas na região. Em resposta, o Paquistão afirma que vai intensificar o combate ao terror e ajudar os EUA enquanto puder.

Na última semana, disse que a morte de Osama era um evento que “mudava muito sem mudar nada”. Talvez para os EUA, mas não para o Paquistão. Foi algo relativamente pequeno, mas que já começa a mostrar suas repercussões. O constrangimento do Paquistão pode azedar de vez suas relações com os EUA, abrindo caminho para estes irem de encontro às pretensões indianas. Resta saber como o protagonista desse incômodo jogo vai mover suas peças.


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