BRICS: em busca da integração cultural

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O que nasceu como forma de denominar um conjunto de países com determinadas características comuns, ganhou novos contornos. Inicialmente foi uma iniciativa conceitual, advinda de um estudo de Jim O´Neill, mas logo transformou-se em um desejo dos países envolvidos em trabalhar conjuntamente frente à comunidade internacional. Tal movimento justifica-se, uma vez que o grupo representa 40% da população global; 38,7 % da expansão econômica do PIB mundial entre 2003 e 2010; e constituiu uma peça chave para a nova ordem multipolar.

Hoje, apesar da inexistência de uma organização formal, são realizadas reuniões entre Chefe de Estado/Governo com o objetivo de expandir diálogos e aumentar a influência dos emergentes nas reuniões internacionais, em diversas temáticas. Segundo o Itamaraty: “O BRICS abre para seus cinco membros espaço para (a) diálogo, identificação de convergências e concertação em relação a diversos temas; e (b) ampliação de contatos e cooperação em setores específicos”. Os resultados não são sempre tangíveis, o discurso por vezes perde-se da prática. Mesmo assim, cresce a importância deste conjunto.

Munidos dos dados econômicos (expansão dos emergentes e retração dos desenvolvidos); sabedores do crescente prestígio e influência que gozam; e conscientes da necessidade de alinhamento político, os países geram novas iniciativas para incrementar a integração. Quanto efetivamente sabemos sobre Rússia, Índia, China e África do Sul? Por trás da pujança econômica, depreende-se uma ignorância mútua dentro do BRICS. Trata-se, na verdade, de um desafio enfrentado por tentativas de integração, mesmo as regionais.

No nosso caso específico, a reconfiguração econômica e política do mundo incluirá uma tentativa de aprofundar os conhecimentos relativos aos nossos pares emergentes. O Itamaraty organizou o Catálogo bibliográfico dos BRICS, no qual estão reunidas indicações de leitura e resenhas de mais de 400 livros selecionados de autores do bloco. Impossível abarcar um universo cultural tão vasto, mas a publicação busca criar novos incentivos à cooperação por meio do intercâmbio cultural. A literatura nos conta muito do que somos, de onde viemos e o que vivemos. Certamente, entender estes países será cada vez mais importante. Integrar passa por, ao menos, saber um pouco da cultura dos demais. 


Categorias: Política e Política Externa


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