Brasil: qual é o teu negócio?

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O clima era de expectativas em relação a essa sexta-feira. Após anos de discussões – acirradas especialmente nos últimos meses – eis que o comentado novo Código Florestal foi analisado pela Presidente Dilma e seus assessores diretos. O resultado? Uma tentativa de agradar (?) gregos e troianos, vetando alguns dos pontos mais polêmicos, mas mantendo boa parte ainda do texto original. [Veja aqui tabela ilustrativa com os principais pontos divulgados parcialmente hoje.] 

Em verdade, apenas no início da próxima semana será publicado o texto renovado (que volta ao Congresso para nova apreciação), de forma que os debates ainda estão em seu auge e muito diálogo entre todas as partes envolvidas ainda deverá acontecer antes que qualquer decisão final seja tomada. [Para maior detalhamento a respeito do conteúdo do Código, veja aqui e aqui textos já publicados no blog a respeito.] 

A temática, no entanto, reaviva discussões mais amplas – com as quais grande parte da população não está habituada a lidar cotidianamente. Manifestações por todo o país com os dizeres “Veta, Dilma!” foram comuns nos últimos dias, demonstrando a forma como o assunto alcançou atenção nacional, dada a possibilidade de retrocesso com a qual estamos lidando em relação às políticas ambientais. Relembrando Cazuza, é a hora de o Brasil mostrar sua cara… 

Às vésperas de uma Rio+20 que representa um marco absolutamente importante em termos de concertação para a proteção ao meio ambiental, discutir anistia a desmatadores da floresta amazônica parece, no mínimo, descabível. [Confira aqui os números mais recentes sobre o desmatamento brasileiro.] 

Em meio ao complexo lobby político em Brasília (com uma enorme bancada ruralista – que apóia o Código tal qual foi enviado à presidência sob a justificativa de proteger/impulsionar o agronegócio nacional), alcançar um “equilíbrio” nesta situação não é tarefa fácil. E talvez nem seja desejável, no sentido estrito do termo: seria mesmo cogitável acatar quaisquer medidas que nitidamente beneficiam um grupo econômico cujos enormes interesses são inversamente proporcionais à sua representatividade nacional? Qual será o negócio do Brasil, esta grande pátria (des)importante?

De fato, o que está em jogo é muito mais que um simples projeto de lei. Trata-se de um assunto sensível a toda a população nacional – e mesmo mundial. Assunto crucial para uma pátria tão rica, mas que, frequentemente, convive com comportamentos políticos tão empobrecedores. Será que, literalmente, em nenhum instante, iremos traí-la? 


Categorias: Brasil, Meio Ambiente, Polêmica, Política e Política Externa


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