Bons negócios

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Nesta segunda-feira o Brasil receberá a visita de uma ilustre ‘persona’ internacional. Após a visita do primeiro ministro israelense Shimon Peres e do presidente da Autoridade Nacional da Palestina, Mahmoud Abbas, o presidente Lula receberá o iraniano Ahmadinejad.

A visita ocorre em um momento bastante polêmico. Após algumas tentativas da comunidade internacional em assegurar o programa de energia nuclear iraniano sem incorrer no risco da produção de armamentos atômicos, o regime de Mahmoud Ahmadinejad não favorável à elas.

A última tentativa de negociação partiu dos Estados Unidos, França e Rússia, em que propuseram, em Outubro, que o urânio que seria usado para a produção de energia fosse enriquecido fora do país, e assim seria devolvido ao Irã para dar sequência ao processo. O regime iraniano não se pronunciou a respeito da proposta, causando uma indisposição com os países. O presidente norte-americano Barack Obama advertiu Terrã sobre a não mudança de postura que o país vem levando até agora.

As implicações para o regime podem se dar na intensificação das sanções econômicas aplicadas ao país no âmbito do Conselho de Segurança da ONU. No entanto, a situação pode ficar mais delicada em virtude do relacionamento com Israel, que cogitou um ataque ao país de Ahmadinejad.

Nesse contexto, a visita do presidente iraniano à América do Sul busca apoio ao país em um momento não muito confortável. O principal parceiro iraniano na América do Sul é a Venezuela que declara abertamente seu apoio ao programa nuclear. O Brasil também mantém uma postura de aceitação do programa nuclear e defende os direitos do país para tê-lo.

Por outro lado, o Brasil atualmente tem um relacionamento comercial com o Irã de cerca de 1,5 bilhões em movimentações financeiras. Valor esse que compreende a importação de petróleo e derivados e a exportação de alimentos. Além disso, Lula busca uma aproximação do governo iraniano para a questão do etanol brasileiro e no campo político, o apoio do Irã para empreitada brasileira na reforma do Conselho de Segurança.

No entanto, o encontro do presidente Lula com o presidente Ahmedinejad, traz preocupações por ser um país com graves problemas relacionados principalmente ao reconhecimento dos direitos humanos e a sua posição radical a respeito do Holocausto.

Além disso, a luta iraniana pelo desenvolvimento nuclear pacífico é realmente um pouco difícil de acreditar. Em meio a uma região conflituosa como o Oriente Médio, e frente às repetidas ameaças de Israel a seu território, a “emancipação atômica” promoveria um poder de barganha (e de ataque) muito maior ao Irã frente ao país judeu. Nesse fim de semana, o Irã promoveu o que chama de “jogos de guerra”, que consiste num exercício militar como forma de responder às ameaças israelenses, o que elevou a atenção da comunidade internacional para a região.

Assim o apoio que o Brasil dá ao Irã advém claramente de interesses terceiros que nosso país tem com o relacionamento. Apesar de tantas críticas feitas ao presidente Lula, o encontro de amanhã ocorrerá sobre um clima aparentemente bastante amigável e, com certeza, promete alguns bons negócios.


Categorias: Oriente Médio e Mundo Islâmico