Bombas nucleares, mísseis, drones e afins

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Foto de um drone, aeronave de combate não tripulada,

retirada do ensaio “O efeito dos drones em regimes e conflitos internacionais”

de autoria de Rafael Dantas e disponível aqui.

Fonte: Cenário Estratégico

Passados quase doze anos dos atentados terroristas do 11 de Setembro, uma designação proferida pelo então presidente George W. Bush no ano seguinte, em 2002, em seus habituais discursos ainda tem um peso muito grande nos dias de hoje. Trata-se do bem conhecido “eixo do mal”, composto por Irã, Coreia do Norte e Iraque, os quais, para os norte-americanos, ameaçam as tão almejadas paz e estabilidade internacionais. 

Paralelo a eles, ainda temos Cuba, Líbia e Síria, mas meu enfoque será nos dois primeiros países citados anteriormente. Irã: suspeito de enriquecimento de uranio para fins militares, alvo de inúmeras sanções econômicas, isolado politicamente no Oriente Médio, único a fazer frente ao poderio dos EUA na região. Coreia do Norte: um dos regimes políticos mais fechados do mundo, vizinho barulhento da Coreia do Sul, incógnita permanente e, do mesmo modo, receptor de sanções. 

Inicio pelas armas nucleares. Os iranianos já têm tecnologia suficiente para enriquecer urânio e plutônio (eu acho, não sou especialista) na escala de 20%. Para se fazer uma bomba, é necessário mais do que isso, mas nada muito além. Lembremo-nos da Declaração de Teerã e do acordo Brasil-Irã-Turquia sobre esta questão. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vem tentando averiguar este desenvolvimento, mas sem muito sucesso. “We are prepared for everything”, afirmou o Ministro de Relações Exteriores iraniano, Ali Salehi. Já do lado da Coreia do Norte, tem-se mais incerteza ainda. Sabe-se que o país realiza testes frequentes em águas adjacentes e conseguiu lançar foguetes via satélite com sucesso nos últimos meses. 

O Irã é o único país do Oriente Médio capaz de balancear poder com os EUA. Tem um histórico de confrontação com as monarquias do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e assim por diante) e a maior frota aérea da região com cerca de 400 aviões de combate. Evidentemente, possui um Programa de Mísseis Balísticos. Já na Ásia, os norte-coreanos estão fomentando a criação de mísseis móveis, os KN-08. Ninguém sabe ao certo a sua aplicabilidade, só que os testes sempre são considerados um sucesso. Sucesso para que? Para alcançar alvos fora do continente. 

E os drones? Eles são notadamente conhecidos como aeronaves de combate não tripuladas e foram utilizadas pela primeira vez na década de 1980 em pleno conflito Irã-Iraque. Quem possui este tipo de tecnologia são, em sua maioria, países ocidentais ou que estão sob o crivo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). No final do ano passado, os EUA propuseram a venda dos RQ-4, drones espiões, à própria Coreia do Sul, gerando ceticismo sobre a estabilidade regional com o vizinho do norte. Na gíria do dia-a-dia, o “papo reto” é observar mesmo o que o “eixo do mal” faz ou deixa de fazer.

Conclusões? Irã, Coreia do Norte, EUA ou quem mais for, estão armados até os dentes. E pensar que a Guerra Fria é passado…só resta ver que o debate está mais quente do que nunca.


Categorias: Conflitos, Defesa, Paz, Segurança


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