Bolívar literalmente se revirou no caixão…

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“Hola mis amigos! Que momentos tan impresionantes hemos vivido esta noche!! Hemos visto los restos del Gran Bolívar!”. Foi assim que Hugo Chávez anunciou a exumação do cadáver de Simón Bolívar, pelo seu twitter.

Não bastasse isso, eis que surge o presidente venezuelano na tela da TV. Pede: tirem as crianças da sala que a cena que vamos exibir será forte. Sim, em cadeia nacional de TV, Chávez exibiu as imagens da ossada do herói nacional, Simón Bolívar. Se quiser ver mais sobre isso, sinta-se a vontade. E achando pouco, ainda leu Un Canto para Bolívar, de Neruda, num grande espetáculo midiático com direito a roupas de astronauta e tudo mais.

Simón Bolívar foi um militar venezuelano e líder revolucionário responsável pela independência de vários territórios da América Espanhola. Conhecido como ‘O Libertador’, ou ‘O Integrador’, Bolívar acreditava que “o novo mundo deve estar constituído por nações livres e independentes, unidas entre si por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos”. Nasceu em 1783 e morreu em 1830, alegadamente de tuberculose.

A ligação entre Chávez e Bolívar está na chamada revolução bolivariana. O presidente venezuelano cunhou o termo para designar essa mudança social e ideológica, que seria baseada nos ideais de Simon Bolívar, e propõe, entre outras coisas, que a América Latina inventasse seu próprio sistema político. Seu objetivo é chegar a um novo socialismo, fundamentado em três pilares: a revolução anti-imperialista, a revolução democrático-burguesa e a contra-revolução neoliberal.

Mas essa exumação, assim do nada, de uma pessoa morta há 180 anos… Por que agora? Aliás, por que? Acontece que em 2007, Chávez pediu uma investigação sobre as causas da morte de Bolívar, sustentando que foi envenenamento, e não tuberculose. Neste ano, o Ministério Público abriu uma unidade investigativa para o caso (!!!). E na sexta, 50 especialistas da Promotoria Geral e do Corpo Técnico da Polícia Judiciária exumaram o corpo de Bolívar.

Fora as críticas de historiadores pela ausência de um grupo independente durante o ato, de modo que não haja uma interpretação única da História, há algo mais: trata-se claramente de uma manobra política para distrair a população da grave crise social e economica que ocorre na Venezuela. A inflação mensal chega a 31% (junho), e a economia encontra-se em recessão desde o ano passado. Os alimentos, distribuídos em mercados populares por uma empresa estatal, foram recentemente descobertos em decomposição nos armazéns.

A exumação de Bolívar, bem como os burburinhos de rompimento de relações da Venezuela com o Vaticano, coincidem com o período de campanha para as eleições parlamentares. Mais uma tentativa do governo de encobrir o que ninguém pode televisionar mas toda a população sente: o Bolívar expiatório.


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1 comments
Mário Machado
Mário Machado

Hugo Chávez fazendo o que pode para ganhar o "prêmio nobel de malversação". Como populista que é sabe bem como construir uma cortina de fumaça. Daqui até as eleições na Venezuela eu do alto dos meus poderes povo prevejo tensões diárias com o império e seus lacaios segundo ele gosta de chamar a Colômbia.