Beyoncé e a Líbia?

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Isso pode mais parecer fofoca de tablóide, mas tem um objetivo mais nobre. US$ 2 milhões por cinco músicas? Esse talvez seja o sonho de qualquer cantor. A ilha de Saint Barts, no Caribe, abrigou uma performance da diva pop Beyonce para Moutassim Kadafi, filho do chefe de Estado da Líbia Muammar Kadafi.

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Isso não seria grande problema se Kadafi não fosse opositor dos Estados Unidos. A Líbia ingressou na Liga Árabe em 1953, quando o país firma acordos para a implantação de bases estrangeiras em seu território. A descoberta de jazidas de petróleo em 1959 inicia o processo que teria conclusão em 1969, quando um grupo de oficiais radicais islâmicos liderado pelo coronel Muammar al-Khadafi derruba a monarquia e cria a República Árabe Popular e Socialista da Líbia, muçulmana militarizada e de organização socialista. O governante expulsou os efetivos militares estrangeiros e decretou a nacionalização das empresas, dos bancos e dos recursos petrolíferos do país.

Desde então, e principalmente após a aproximação com a URSS, os EUA tem sido opositores. Deixaram o país isolado economicamente devido a sanções econômicas. Recentemente saíram, mas ainda são acusados pela ONU de “patrocinar” o terrorismo através de seu líder, Khadafi, que já completou 40 anos no poder. (Advinha se o Chávez não estava lá na celebração?) Afirmam ter desistido das armas de destruição em massa, mas há controvérsias.

Deixando a restrospectiva um pouco de lado, o fato é que Beyoncé, amiga do casal Obama, defensora dos direitos humanos engordou a poupança fazendo um show particular para o filho do ditador. A Líbia é acusada da violação de direitos humanos, e recebeu com festa o responsável por atentados a um avião em 1988, Megrahi (detalhe – ele chegou ao país no avião particular do presidente).

Mas o que ela ou qualquer um tem a ver com isso?

São negócios, certo? Mudaria se ela o tivesse feito para a Rainha Elisabeth? E se fosse com o Kim Il-sung da Coréia do Norte? A ética entra aqui? Há ética? Que ética?


Categorias: África, Assistência Humanitária, Direitos Humanos


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